13 de outubro de 2020 às 15:24

UM ANO DA SANTA DULCE DOS POBRES

O dia 13 de outubro de 2019 será marcado como o dia da canonização de Irmã Dulce, o anjo bom da Bahia.

Crédito:Divulgação/Blog do Folha Missionária Fonte: Agência Senado

Ela é declarada a primeira santa genuinamente brasileira. A sua filosofia de cuidar dos mais necessitados conquistou os baianos e brasileiros que passou a ver nela uma pessoa especial que possuía muita intimidade com Deus a tal ponto de alcançar muitos milagres após o seu falecimento. Desta forma a Igreja considerou salutar beatificá-la e mais tarde canonizá-la. A Santa Dulce dos Pobres guiará a nossa reflexão de hoje.

Ela era a segunda filha do dentista Augusto Lopes Pontes, professor da Faculdade de Odontologia e de Dulce Maria de Souza Brito Lopes Pontes. Nasceu em 26 de maio de 1914 na cidade de Salvador. O seu nome de batismo era MARIA RITA DE SOUZA BRITO LOPES. Era uma criança como qualquer outra, adorava brincar de boneca, empinar pipa e tinha especial predileção pelo futebol. Era torcedora do Esporte Clube Ypiranga, time formado por trabalhadores e excluídos sociais. Um momento bem triste na sua vida foi quando, aos sete anos de idade, perdeu a sua mãe que tinha apenas 26 anos. A vocação para trabalhar em prol da população carente teve a influência direta da família. Quando tinha 13 anos costumava amparar em sua própria casa mendigos e doentes de rua para cuidar deles e oferecer um teto, higienização e comida. A casa ficou conhecida como “A Portaria de São Francisco”. A partir desta caridade veio a vontade de entrar para a vida religiosa para dedicar ainda mais à causa dos pobres e no dia 08 de fevereiro de 1933 ingressou na Congregação das Irmãs Missionárias da Imaculada Conceição da Mãe de Deus na cidade de São Cristóvão, em Sergipe. Em 13 de agosto daquele ano recebeu o hábito de freira das Irmãs Missionárias e adotou o nome de Irmã Dulce, em homenagem à sua mãe.

A primeira missão de Irmã Dulce como freira foi ensinar em um colégio mantido pela sua congregação em Salvador. Mas, como São Vicente de Paulo, o seu desejo era outro, cuidar dos pobres. O marco inicial da sua vontade de trabalhar com os mais necessitados começou no ano de 1935 oferecendo assistência à comunidade pobre com a criação de um posto médico e uma fundação para ampará-los. Para conseguir dinheiro fazia muita campanha e foi exatamente o que ela arrecadou em três cinemas que construiu no ano de 1937 o Círculo Operário da Bahia. No ano de 1939, inaugura o Colégio Santo Antônio, uma escola pública para acolher os operários, bem como os seus filhos. Neste mesmo ano ela invade cinco casas na Ilha de Ratos, para abrigar doentes que recolhia nas ruas de Salvador. Expulsa do lugar, ela peregrina por dez anos com os seus doentes por vários locais da cidade até que, no ano de 1949, após liberação da irmã superiora, ocupa com 70 doentes o galinheiro ao lado do Convento Santo Antônio. Ali nasceu o maior hospital da Bahia. Irmã Dulce foi indicada para o prêmio Nobel da Paz no ano de 1988. Por duas vezes encontrou pessoalmente com o Papa João Paulo II que, em 1980, a incentivou para continuar firme com suas obras e em 20 de outubro de 1991, na segunda visita ao Brasil, o Sumo Pontífice fez questão de desviar o seu itinerário para visitá-la em função dela estar com a saúde bem debilitada. Cinco meses depois da visita do papa, no dia 13 de março de 1992 Irmã Dulce encerra sua temporada nesta terra e vai para junto de Deus com exatos 77 anos de idade. No seu velório misturavam pessoas humildes com personalidades para prestar a última homenagem ao Anjo Bom da Bahia.

A Irmã Dulce foi beatificada em 2011 pelo Papa Bento XVI depois de comprovado por meio de vasta documentação um milagre acontecido no ano de 2003. Para ser canonizada ela precisaria comprovar um segundo milagre que aconteceu exatamente em maio deste ano. Trata-se da cura de uma cegueira após o maestro José Mauricio ter pedido em oração a intercessão de Irmã Dulce. Ele teve glaucoma e começou a perder a visão em 1999. Em 2000 já não enxergava nada e somente voltou a ver novamente no ano de 2014. Além deste caso, outras duas graças foram alcançadas por devotos após orações à freira. Os três casos foram enviados ao Vaticano em 2014 e agora, sob as bênçãos do Papa Francisco, ela é canonizada com a denominação SANTA DULCE DOS POBRES.

Não tem como negar que para Deus ela já era uma verdadeira santa! O povo baiano e brasileiro se orgulha deste titulo pelo reconhecimento a esta pessoa que fez a diferença. Tudo o que ela fez ou fazia era totalmente por amor. Quem dera tivéssemos inúmeras Irmãs Dulces para olhar a causa do pobre. Tudo bem que esta dedicação exclusiva pode pesar em todos, mas ajudar as entidades que trabalham esta temática é mais do que uma obrigação de todos independente de teor religioso. Trata-se de uma questão de humanidade. Precisamos cuidar um dos outros. Os africanos têm uma palavrinha que faz virar lei o gesto de se perceber dentro de um todo, chama-se UBUNTU, que significa: Eu sou quem sou, porque somos nós. Irmã Dulce despojou-se de uma vida confortável para cuidar de quem não tinha sequer vontade de viver. O ser humano precisa sair do seu ego e abrir os olhos para enxergar o verdadeiro mundo que não sobrevive sem a solidariedade. Uma vez sendo luz precisamos iluminar e proporcionar a humanidade entre as pessoas.

Fica por aqui a reflexão sobre esta nova santa da Igreja Católica! Vamos valorizar este grande feito! Ela se oficializa como nossa grande intercessora e assim que encerrarmos em todos os anos a comemoração a Nossa Senhora Aparecida, pulemos para celebrar o Anjo Bom da Bahia e. em alto e bom tom podemos fechar a crônica com a invocação: SANTA DULCE DOS POBRES! ROGUE A DEUS POR NÓS!

Crônica de Elias Daniel de Oliveira (20/10/2019)

 

Fonte: CLIENT

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