07 de junho de 2021 às 16:10

MEDO DO MEDO

Crônica do dia 29 de abril de 2012

Trata-se de uma palavra muito pequena! São apenas três letras, duas sílabas e infinitos significados! Metaforicamente pode ser comparado a um vírus de computador, ou seja, por mais antivírus que possa ser usado, ainda existirá vestígios desta praga na máquina. Ainda utilizando esta comparação, é possível dizer que alguns são inofensivos, outros nem tanto, enfim, sabendo conviver com eles, de repente aquilo que era um dano, poderá ser revertido em benefício, como? É exatamente este o foco desta reflexão.

Todo pessoa tem medo.  Até Jesus Cristo teve. Jean-Paul Sartre dizia que, “Todos os homens têm medo. Quem não tem medo não é normal; isso nada tem a ver com a coragem”. A justificativa é simples, a mente é uma ferramenta impressionante, carregada de informações e por que não dizer, também dúvidas. Por sua vez as incógnitas andam de mãos dadas com a incerteza e consequentemente com o medo. As conhecidas “FOBIAS” fazem parte do cotidiano das pessoas. Existe desde o medo simples, como o de levar um tropeção diante da instabilidade de uma calçada, como o mais complexo, aquele que é seguido de traumas e leva a pessoa a ter da morte, do ar, da sombra, do sol, da chuva, enfim, de tudo. O exagero sempre termina em depressão, internação e necessidade de tratamento.

Há possibilidade de o medo ter alguma coisa de positivo? Claro que sim! Clarice Lispector dizia que, Minha força está na solidão. Não tenho medo nem de chuvas tempestivas nem de grandes ventanias soltas, pois eu também sou o escuro da noite”. O medo pode ser transformado em inspiração para a procura de soluções. O escritor Paulo Baleki explica melhor: “Em caso de pânico interior, feche os olhos, respire fundo, e pense em alguma coisa bem diferente daquilo que está vivendo”. O medo nem sempre é desgraça, é apenas uma fraqueza da nossa mente, uma leve cisma. Por exemplo, a fobia do escuro, desde que não seja resultado de um trauma de infância, pode ser revertida para uma indagação ao cérebro, tipo assim: Por estou com medo? Por que a outra pessoa não tem medo e eu tenho? Escuro não é nada mais do que a ausência da luz. Por que temer? Quem sabe eu possa tirar algum proveito deste breu? Se o escuro pode me causar pânico, fechar os olhos também deveria ser motivo de insegurança...  O filósofo Platão, muito antes de Jesus Cristo, comentava que, “Podemos facilmente perdoar uma criança que tem medo do escuro; a real tragédia da vida é quando os homens têm medo da luz”.  No fundo, o medo é uma produção da mente e ela mesmo consegue reverter a situação.

Em junho de 1991, Airton Senna disse o seguinte: “O medo faz parte da vida da gente. Algumas pessoas não sabem como enfrentá-lo, outras - acho que estou entre elas - aprendem a conviver com ele e o encara não como uma coisa negativa, mas como um sentimento de autopreservação”.

Marilyn Ferguson comentava que, “no fundo, sabemos que o outro lado de todo o medo é a liberdade”. Ou seja, o medo pode ser eliminado, mas, sem querer ser incoerente, talvez já sendo, eu diria que é extremamente impossível ficar 100% sem qualquer tipo de fobia.  Ele é resultado da fraqueza humana, o homem é um ser vulnerável, a sua solidificação somente acontece a partir da fé que tem em Deus. Somente a proteção dos céus conseguirá fazer com que as pessoas possam conviver com os seus medos sem que estes os derrubem.

O antônimo de medo é a CORAGEM. Mark Twain dizia que, “Coragem é a resistência ao medo, domínio do medo, e não a ausência do medo”. Se você pensa que os corajosos heróis das historinhas infantis não tinham, enganam-se redondamente. Os personagens americanos mostrados nos seus filmes, caracterizados por homens que não possuem medo e enfrentam qualquer barra pesada, participam solitariamente de uma guerra sem nem sequer possuir arma, enfrentam gangues perigosas e saem ilesos, isto não passa de ficção. Na realidade não é nada assim, estas teledramaturgias não correspondem à realidade e muito menos estes atores fariam em cena o que se assiste na televisão ou no cinema, eles são dependentes dos dublês, ou seja, a coragem passa longe, o medo impera, o dinheiro vai para o bolso e o espectador é iludido.

Bom seria que medo e coragem andassem juntos! Quando o medo cismar de dominar, entra a coragem e assume o comando. Por sua vez quando a coragem ficar muita exibida e sem controle vem o medo e dá uma freada nela. O meio termo pode ser o caminho mais sensato.

Seria correto dizer que o medo interfere na evolução da pessoa? É provável que sim. As fobias criam uma barreira e impede a mente de procurar o caminho do crescimento e das descobertas. O melhor caminho é bater de frente contra os medos que são prejudiciais e utilizar os inofensivos para fazer pensar e mudar o rumo do caminho.

A conclusão desta reflexão ficará por conta de Paulo Coelho, acompanhem:

“Quando alguém encontra seu caminho precisa ter coragem suficiente para dar passos errados. As decepções, as derrotas, o desânimo são ferramentas que Deus utiliza para mostrar a estrada”.

Fonte: CLIENT

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