23 de junho de 2024 às 07:47
FESTA COM OS SANTOS JUNINOS
Crônica de Elias Daniel de Oliveira, lida e interpretada por Evaldo Carvalho no programa Show de Domingo do dia 23 de junho de 2024

Santo Antônio, São João e São
Pedro são os santos celebrados neste mês de junho e concomitantemente,
lembrados nas festas juninas. Pela crônica de hoje vamos viajar um pouco nesta
temática para tentar entender um pouco essa relação. Para início de conversa,
vamos reservar créditos ao site A12 por nos ter repassado informações preciosas
ao tema.
Antes, porém, vamos
familiarizar com a biografia de cada santo, a começar pelo Santo Antônio,
celebrado no dia 13 de junho. Ele nasceu em Lisboa (Portugal) no dia 15 de
agosto de 1195, embora tenha nascido numa corte real, abandonou tudo e
ingressou na ordem dos franciscanos no ano de 1221. A ele são atribuídos muitos
milagres ainda em vida, premeditações, curas, incluindo bilocações (estar em
dois lugares simultaneamente). Interessante que, sendo um grande pregador, sua
língua ainda se encontra incorrupta na Basílica de Pádua, cidade em que morreu
por exaustão no dia 13 de junho de 1231. Sua canonização aconteceu no ano
seguinte pelo Papa Gregório IX, recebendo o título de Doutor da Igreja no ano
de 1946 pelo Papa Pio XII. A sua fama de "santo casamenteiro", se dá por
causa de um episódio em que uma moça não dispondo de um dote para casar-se,
recorreu a ele. Das mãos da imagem do santo caiu um papel com um recado a um
agiota da cidade, pedindo-lhe que entregasse à moça as moedas de prata
correspondente ao peso do papel. O homem então colocou o papel em um dos pratos
da balança e no outro as moedas. Os pratos só se equilibraram quando haviam
moedas suficientes para pagar o dote. Sem querer concorrer com o famoso e
popular São Longuinho, cabe-lhe também a atribuição de achar objetos perdidos.
Já o São João, celebrado no dia
24, o dia mais frio do ano, era primo de Jesus. Seu pai era o Zacarias e sua
mãe a Isabel, aquela que Maria foi visitar. Segundo os relatos bíblicos, teria
nascido três meses antes de Jesus. Quando adulto, viveu em um deserto na Judeia
e depois começou a pregar as margens do Rio Jordão, batizando as pessoas,
dentre eles o próprio Cristo, que usou deste feito para iniciar seu ministério
público. Ele foi canonizado pelo próprio Jesus ainda em vida, quando o chamou
de "maior dentre os homens nascidos de uma mulher" (Mt. 11,11). A sua
morte foi cruel, decapitado pelo Rei Herodes. No Brasil, seu culto é bastante
forte no Nordeste com direito até a feriado regional. Poderíamos dizer que ele
é o santo crucial para as festas juninas.
Por fim, o São Pedro, celebrado
dia 30. Ele foi considerado o Príncipe dos Apóstolos, além de ter sido o
primeiro Papa por 37 anos, o mais longo na história da Igreja. Junto com São
Paulo fundou a Santa Sé de Roma. Nasceu possivelmente no final do século I
a.C., na região de Betsaida, na Palestina. Seu nome original era Simão, sendo
modificado por Jesus para indicar que ele seria a "pedra" sobre a qual
seria instituída a sua igreja. Antes de conhecer Jesus, trabalhava como
pescador. Depois da morte do mestre, foi preso em Jerusalém e após ser
libertado milagrosamente, foi para Roma, onde presidiu a comunidade dos
apóstolos e toda a Igreja até ser expulso pelo imperador Cláudio, voltando então
para Jerusalém, onde ocorreu o primeiro Concílio da história da Igreja. Foi
martirizado em Roma no Circo de Nero, local onde hoje encontra a Praça de São
Pedro. Suas relíquias ósseas encontram-se três andares abaixo do altar mor da
Basílica de São Pedro, no Vaticano e são visitadas anualmente por milhares de
devotos. Uma curiosidade interessante é que os nordestinos confiam nele as suas
chuvas. Segundo a tradição, é obrigação dos viúvos e das viúvas acender uma
fogueira na porta de casa durante a noite do dia 29. É também considerado
padroeiro dos viúvos, dos pescadores e do Papa. Ele tem duas festas, uma em 22
de fevereiro e esta para encerrar os festejos juninos.
As festas juninas são tradições
trazidas pelos portugueses, que por sinal as fazem com muita animação nas
terras lusas. Por lá, os santos juninos são muito aguardados e uma das mais
tradicionais do país. Arrastam multidões em Lisboa, Porto, Braga, entre outras
cidades. O clima é muito parecido com o carnaval brasileiro. Muitas
brincadeiras típicas incrementam o evento, além das danças, enfeites e
fogueiras. No Brasil, o casamento do jeca é uma sátira dos matrimônios
tradicionais em forma de homenagem ao Santo Antônio, o casamenteiro. A
quadrilha seria a festa com a participação de todos os convidados. Como não
existe regra básica para animar os festejos, a criatividade fica por conta dos
organizadores. Assim, é possível encontrar barraca do beijo, pescaria, maçã do
amor, tiro ao alvo e um monte de atrações bem sadias.
As escolas sempre marcam
presenças com as festas juninas, uma pena que muitas descaracterizam o seu
verdadeiro sentido folclórico com músicas de sertanejo universitário e até
mesmo funk. Dizem ser uma modernização da festa, mas acredito perder a
oportunidade de trabalhar a história com as crianças, além de uma valorização
da cultura pura, simples e carregada de significados. Nunca foi preciso
seguranças armados nas festas juninas, haja vista tratar-se de um evento que
valoriza a família, os bons princípios e a alegria de todos. As músicas juninas
clássicas fazem lembrar as marchinhas utilizadas nos bailes de carnaval, todos
sabem cantar e elas conseguem puxar a maneira de dançar, brincar e deixar o
ambiente divertido. As bandeirinhas feitas de papel apresentam um sentido
humilde de enfeitar sem ostentação, os fogos enaltecem a festa e deixa tudo
muito bacana.
Diante de tanta explanação,
alguém queira perguntar onde funciona desta forma, pois bem... aí é que está o
problema, existem poucas festas juninas, talvez no Nordeste que ainda valorizam
tanto, para o resto do país a festa ficou apagada por causa das muitas
ocupações de todos. Antigamente até mesmo nos bairros os vizinhos se juntavam
para promover o encontro de todos, mas como os tempos são outros, apenas os
adultos trarão na recordação esses bons tempos.
Para encerrar, o nosso
saudosismo fica abafado com hábitos dos dias atuais carregados de "mimimis" que
tudo critica e acha que os comportamentos passados eram tomados por frases,
palavras e atitudes não coniventes com os princípios morais e éticos, mas tudo
não passa de um estereótipo criado por quem não entende nada do que é cultura
ou costumes de uma sociedade.
Fonte: CLIENT