14 de dezembro de 2025 às 07:47

ENXERGANDO NA ESCURIDÃO

Crônica de ELIAS DANIEL DE OLIVEIRA, lida e interpretada por Evaldo Carvalho no programa SHOW DE DOMINGO do dia 14 de dezembro de 2025.

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Crédito:google.com/search

Em 13 de dezembro, comemora-se o dia do CEGO. Os olhos revelam para nós o mundo e as pessoas com deficiência visual utilizam outros métodos que a própria vida lhes proporciona. Pela crônica de hoje, vamos focar o assunto contemplando todo tipo de situação, com suas causas e consequências.

 Mas, como enxergam os cegos? Pois bem, aqueles que perderam a visão no decorrer do caminho, ainda utilizam as lembranças, resíduos visuais (luz, formas), cores, mas a sensação é de uma ausência de imagem, não de cor,  no entanto, aqueles que nunca enxergaram, utilizam recursos que a própria vida lhe ensina todos os dias, não seria, necessariamente, ver tudo preto ou intensa escuridão, até mesmo porque, preto e escuridão são experiências visuais que exigem estímulo, ou seja, um conhecimento prévio sensorial, normalmente a sua visão se concentra noutros sentidos que ficam, de fato, apurados, como o tato, audição e paladar. Diríamos que os olhos dos cegos são os olhos de quem enxerga, bem como do cão guia. Quanto à leitura, compreensão das letras e interpretação, nos deparamos com o Braille, trata-se de um método de ler pelas mãos, são 64 símbolos em relevo formados pela combinação de seis pontos em duas colunas verticais de três pontos cada. O criador deste sistema foi o francês Louis Braille em 1837 e é utilizado no mundo inteiro, logicamente adaptando-se os idiomas.

Uma pergunta curiosa que muitos fazem, levando em consideração que 90% dos nossos sonhos são visuais, seria como sonham os cegos? Como qualquer outra pessoa, eles também sonham, mas exploram muito mais a audição, tato, olfato e paladar e logicamente, não imagens visuais, é claro que esta situação funciona para os de nascença, porque os demais ainda utilizam as suas lembranças, mas, quem nasceu cego sonha com sensações do dia a dia, como ouvir vozes, sentir cheiros ou ter sensações táteis, criando narrativas vividas sem cores ou luz, refletindo sua realidade sensorial, como cair ou voar, de forma tão imersiva para quem enxerga.

A bengala também é uma ferramenta fenomenal que muito contribui para sua locomoção, é claro que as pessoas precisam entender seu funcionamento, um bom exemplo é quando um cego chega em uma esquina e fica batendo-a no chão para que alguém possa garanti-los de que o caminho está livre. Elas auxiliam muito a livrá-los dos obstáculos, que por sinal, são muitos. A acessibilidade em qualquer cidade é algo que parece não existir, tanto para os cegos, como para as outras deficiências, são degraus em lugares errados, vasos de flores nas calçadas, bem como placas publicitárias, mesas de bar, postes, produtos de venda e por aí vai, acredito que acidentes não ocorrem tanto porque Deus coloca anjos no caminho. Quem tem condições financeiras pode contar também com os cães guias, eles são altamente treinados para auxiliar os cegos ou pessoas com deficiência visual severa, proporcionando autonomia, segurança e independência em seu deslocamento diário e atividades, eles são como olhos e ouvidos do seu tutor, desviando-o de obstáculos e auxiliando no trânsito. Geralmente são da raça Labrador ou Golden Retriever, o processo de treinamento é longo e caro, mas estes animais oferecem uma imobilidade incomparável e inclusão social, tendo acesso legal a todos os lugares públicos.

Dissemos a pouco da ajuda aos cegos pelas calçadas, um fator precisa ser levado em consideração, quando eles solicitarem a sua ajuda ou você, por conta própria se prontificar, atente-se ao seguinte, não o puxe como se estivesse amarrado, mas, ofereça-lhe o braço para que ele se apoie, interessante também deixá-lo do lado de dentro da calçada, esta prática reforça a proteção e evita acidentes bobos como bater a cabeça em postes ou em outros empecilhos. Lembre-se que eles são pessoas como qualquer outra, a única diferença é que não enxergam, não há motivo nenhum ver nisto alguma anormalidade.

Pelo mundo artístico, tivemos muitos cegos que ainda assim brilharam, citamos Stevie Wonder, Ray Charles, Andre Bocelli. Na política: David Paterson, dentre outros. No esporte: Ricardinho, MacClain Hermes. Na Grécia antiga, o famoso Homero, criador da obra GUERRA DE TROIA também não enxergava. Por aqui temos o comediante mineiro Geraldo Magela, Kátia, cantora da Jovem Guarda. Com baixa visão temos o cantor Roberto Carlos, o inventor da lâmpada Thomas Edison e o empresário bilionário Steve Wynn. O memorável pintor VAN GOGH tinha sérios problemas de visão, bem como Claude Monet que tinha catarata fortíssima. Lembramos também o britânico Sargy Mann, que continuou pintando mesmo após a cegueira total por causa da catarata e o turco Esref Armagan, que pinta desde que nasceu sem ver, impressionando cientistas com sua técnica de perspectiva. O americano John Bramblitt perdeu a visão por doença, mas aprendeu a usar o tato para criar obras, usando texturas na tela para "sentir" suas pinturas, transformando música em cores.

Há uma necessidade muito grande de cuidar dos nossos olhos. Trata-se de um órgão muito sensível que pode sofrer com claridades excessivas, o não uso de lentes corretivas quando recomendados pelos oftalmologistas, a falta de equipamentos de segurança quando a profissão exigir, poeiras, fumaças, coceiras e um monte de situação que compromete a visão. Em outras crônicas já falamos dos olhos dentro de um ponto de vista filosófico, nela comentávamos que eles são a janela da alma, por intermédio deles vemos o mundo e nos identificamos. Esta narrativa dá a impressão que os cegos não teriam personalidade, mas não é bem assim, eles enxergam sim, só que de outra forma.

Chegamos a mais um final! Clarice Lispector já dizia: "A pior cegueira é a dos que não sabem que estão cegos". Os verdadeiros cegos são aqueles que se recusam a enxergar. São pessoas que fecham seus olhos à ética, à beleza do mundo, à humanidade, às causas sociais, ao respeito, enfim, ao amor. Saber viver não é tão complicado assim, os desgostos da vida é que complicam tudo! Assim dizia Cêneca: "Os olhos deixam de ver quando o coração deseja que sejam cegos".

Fonte: CLIENT

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