01 de fevereiro de 2026 às 07:46

BEM-AVENTURADOS TODOS NÓS!

Crônica de ELIAS DANIEL DE OLIVEIRA, lida e interpretada por EVALDO CARVALHO no programa SHOW DE DOMINGO do dia 01 de fevereiro de 2026.

Os comentários podem ser enviados para contato@radiocomunidadefm.com

Crédito:nossolar.org.br

O evangelho deste domingo é muito expressivo e carregado de uma riqueza espiritual incrível que consola, ensina, ajuda e consolida os propósitos de Jesus. Trata-se das BEM-AVENTURANÇAS, onde o mestre olha para toda aquela multidão e lhe dirige algumas poucas, mas ricas palavras que até nos dias de hoje são apreciadas e bem utilizadas por cristãos e não cristãos do mundo inteiro.

Acompanhemos: "Naquele tempo, ao ver as multidões, Jesus subiu ao monte e sentou-se. Rodearam os discípulos, e Ele começou a ensiná-los, dizendo: Bem-aventurados os pobres em espírito, porque deles é o reino dos Céus. Bem-aventurados os humildes, porque possuirão a terra. Bem-aventurados os que choram, porque serão consolados. Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque serão saciados. Bem-aventurados os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia. Bem-aventurados os puros de coração, porque verão a Deus. Bem-aventurados os que promovem a paz, porque serão chamados filhos de Deus. Bem-aventurados os que sofrem perseguição por amor da justiça, porque deles é o reino dos Céus. Bem-aventurados sereis, quando, por minha causa, vos insultarem, vos perseguirem e, mentindo, disserem todo o mal contra vós. Alegrai-vos e exultai, porque é grande nos Céus a vossa recompensa" (Mt. 5, 1-12). É agradável imaginar a cena, certamente Jesus assentou no monte para descansar e quando viu aquela persistente multidão carente, não pensou duas vezes, dirigiu-lhes algumas palavras, desta vez não foi nenhuma parábola, chamada de atenção, nem tampouco alguma passagem das Sagradas Escrituras, o mestre resolveu consolá-las diante da hostilidade daquele mundo que não lhes proporcionava tanto bem-estar assim. Jesus, tão pobre quanto eles, não poderia dar-lhes bens ou proporcionar algo físico, mas, revelar-lhes os segredos do Reino de Deus. Tinha ali pessoas cansadas, doentes, desempregadas, sem rumo, endividadas, depressivas, curiosas e ociosas, tratava-se de um público eclético, seria possível deparar com fariseus com o propósito de vigiar Jesus, também patrões, famílias, intelectuais, trabalhadores, dentre outros. Todos queriam ver e ouvir o messias, não com os mesmos propósitos, mas mantiveram-se firmes e atentos. Ao falar-lhes, não fez distinção, simplesmente desabafou, certamente pretendia que todos se beneficiassem cada um do seu jeito. Interessante que Jesus não jogou nas mãos dos governantes a solução para aqueles problemas, tão somente mostrou-lhes que Deus está atento às suas necessidades. Pela leitura, vemos o Mestre chamando-os de bem-aventurados, algumas traduções sugerem no lugar o "felizes". É como se lhes dissesse que as tristezas, melancolias, sofrimentos e perseguições seriam amenizados com a fidelidade à Deus. As promessas ditas não eram vãs, mas sinceras. A misericórdia divina não falha nunca e Ele age a seu tempo.

Trazendo para os dias de hoje, sentimos que a cena se repete e os anjos do céu estão atentos para suprir os atuais bem-aventurados que estão a mercê de governos insanos, patrões exploradores, sociedade injusta, doenças diversas, cultura opressora, ideologias destrutivas e por aí vai. Esta realidade é uma preocupação também do Papa Leão XIV que emitiu ano passado a Exortação Apostólica "DILEXI TE" com a tradução "Eu te amei" sob inspiração da citação do Livro do Apocalipse 3,9. Trata-se de um documento iniciado pelo Papa Francisco, que tinha o nome "DILEXI NOS". O Sumo Pontífice mostrou-se preocupado com o que está acontecendo com as pessoas menos favorecidas pelo mundo todo, são pobres de todos os sentidos, como financeiro, cultural, religioso, intelectual, monástico, dentre outros. A ideia que todos se envolvam com a causa da mesma forma que fez Jesus. Não se trata apenas de dar-lhes dinheiro, remédio ou cestas de alimento, mas ajudar a resolver os seus problemas. A Sociedade de São Vicente de Paulo, com a sua filosofia, tem uma prática muito bacana que é a PROMOÇÃO DO POBRE, as visitas aos assistidos, visam mais do que alimentá-los, mas auxiliá-los de todas as formas, como moradia, jurídico, psicológico, religioso, ético, saúde, etc. Jesus, ao multiplicar os pães e os peixes para alimentar a multidão, resolveu um problema de emergência, mas ele sabia que aquelas pessoas precisavam de muito mais, bem como nos dias de hoje. Os bem-aventurados de hoje estão carentes da graça de Deus e cabe aos cristãos mostrar para eles o caminho do bem. Leão XIV conclama a todos para se envolverem na causa, fundamentalmente os padres. Temos necessitados nas fronteiras, hospitais, asilos, ruas, bairros, lares, prisões, enfim, em todos os lugares. O trabalho realizado por muitos santos como, São Vicente de Paulo, São Francisco de Assis, Madre Teresa de Calcutá, Santa Dulce dos Pobres, dentre outros, é um bom exemplo a ser seguido.

Diríamos que cabe aos governantes voltar a atenção para causa dos menos favorecidos, mas, infelizmente, esta realidade é difícil de acontecer, com exceção para algumas nações de primeiro mundo que valorizam cada trabalhador e não acreditam que as ajudas sociais sejam o caminho perfeito. A visão profética de Jesus ao dizer: "pobres sempre terão convosco" mostra que as BEM-AVENTURANÇAS continuam a existir e cabe às pessoas de bom coração fazer a parte delas representando o DEUS MISERICORDIOSO aqui na terra. É aquela máxima também muito utilizada pelos vicentinos, ver Jesus no pobre e é claro que acontece o reverso, ele nos vê como o próprio messias entrando na sua casa. É inadmissível que a alta cúpula administrativa do país tenham tantas mordomias e salários exorbitantes enquanto existem pessoas em situação de miséria extrema, como é triste assistir a esta realidade! A desigualdade social é um grande pecado que massacra as pessoas, as oportunidades precisam ser oferecidas a todos, bom seria se pudéssemos viver de maneira igualitária, pelo menos em se tratando de bem-estar.

Concluo com a reflexão do padre jesuíta Adroaldo Palaoro: "As bem-aventuranças são uma provocação de Deus, interpelação e desafio para os seguidores de Jesus de todos os tempos. Deus é a sorte e a promessa, a garantia última, mas conta com nossa liberdade e nossa colaboração para consolar, saciar as fomes, curar, levantar...". Somos todos bem-aventurados, ao mesmo tempo, somos também um canal de segurança para os outros. Deus conta com o nosso trabalho!

Fonte: CLIENT

comentários

Estúdio Ao Vivo