27 de agosto de 2025 às 13:07

ANALISANDO O ENVELHECIMENTO!

Crônica de Elias Daniel de Oliveira, lida e interpretada por Evaldo Carvalho no dia 24 de agosto de 2025 no programa Show de Domingo.


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Crédito:depositphotos.com

Uma realidade assustadora e digna de reflexão é a questão do envelhecimento. O assunto engloba tudo, desde o ser humano, como a natureza e as coisas materiais. Por mais que haja situações de recuperação, uma verdade existe: o fim chegará. Este tema norteará a nossa crônica de hoje.

O site pensador.com contribui para as nossas primeiras palavras: "Envelhecer é um processo inevitável e, ao mesmo tempo, cheio de significado. Refletir sobre a velhice nos ajuda a valorizar a sabedoria do tempo, a beleza das histórias vividas e a serenidade que chega com os anos. Inspirar-se em frases sobre envelhecer é uma forma de acolher essa jornada com leveza e profundidade". Antes de falar do ser humano, voltemos a nossa atenção para uma casa abandonada caindo aos pedaços, ao ficar admirando aquelas ruinas, imaginemos toda a história que ela apresenta. Quando nasceu, ou seja, quando foi construída, muitos sonhos vieram. Provavelmente foi diante de muito sacrifício e prazer, quando estava concluída recebeu os primeiros moradores, uma família que se alegrava com um teto para morar. Naquele lar assistiu-se momentos de alegrias e tristezas, risos e choros, saúde e doença, enfim, uma residência que acolheu a todos com muito amor. Pelo seu decorrer, certamente mudanças aconteceram e, é claro, o envelhecimento normal do imóvel que por diversas vezes passou por reforma. Hoje, já não mais suportando consertos, se entrega à degradação, deixando viva apenas a sua história. Outro dia, passeando por Belo Horizonte, fiquei abismado ao ver tantos prédios no centro da cidade, certamente interditados pelo Corpo de Bombeiros por necessitar reparos e garantir mais segurança, mas, diante do envelhecimento, bem como pela falta de modernização, ficava inabitável, sem condições de investimentos e muito menos encontrar um novo comprador. Ao admirar estes arranha-céus obsoletos, enxergamos apenas as memórias e o falecimento de uma obra que foi muito útil e importante para a cidade.

Também digno de reflexão um carro sucata estacionado já há muito tempo na beira de uma calçada com mato crescendo através dele. Quando foi adquirido com a quilometragem zero, também chegou cheio de sonhos. Pelas ruas, exibia a sua imponência e a serventia para conduzir o seu proprietário, bem como sua família para o trabalho, passeio, emergências, dentre outros. O seu valor de tabela revelava uma aquisição nobre e digna de um seguro sob os olhares daqueles que andavam a pé ou de bicicleta por não conseguir tamanha proeza. Com o tempo, mudou de dono herdando agora a titulação de seminovo. Ainda assim, mostrou-se eficaz com alguns problemas mecânicos aparecendo e sendo sanado com a troca de algumas peças ou mesmo passando por retíficas. Persistindo certos problemas, começa a passar de mão em mão, até chegar em um proprietário descuidado, fazendo com que ele chegasse até mesmo ser apreendido. Resgatado do pátio, o coitado começa enfrentar a sua decadência não podendo mais viajar para lugares distantes. Aquele cheiro de novo ficou guardadinho no passado, sendo substituído pelo fedor de gasolina, mofo, óleo velho ou poeira. Onde parasse, deixava sua mancha no chão até no momento em que não teve mais jeito, principalmente porque seu valor de venda praticamente não compensava mais, por fim, chega à aposentadoria por idade e invalidez, caindo no esquecimento e no abandono. Fitar um veículo deste dá para imaginá-lo sentindo-se inútil, choroso, doente e triste. Os antigos elogios se transformam em críticas, além de ser chamado de sucata, ferro velho e lixo. Isto quando não são encaminhados para os desmanches onde são triturados.

Citamos o envelhecimento de uma casa e de um carro, mas a própria natureza passa também pelo processo de nascer, viver e morrer. Algumas árvores são ousadas e vivem muito mais que os seres humanos, outras possuem vida curta. A borboleta, depois que sai do casulo, não passa de duas ou quatro semanas, se recusando, inclusive, envelhecer. Uma tartaruga parece que já nasceu idosa, ainda assim vive por mais de 150 anos. São os mistérios da natureza que também atravessa gerações. O escritor Deives Marques já dizia: "Não queira florescer rápido, respeite teu ciclo de crescimento e amadurecimento. Plantas que brotam e florescem rápido morrem rápido. Plantas que demoram a crescer se fortalecem e se tornam perenes".

Chegando agora ao ser humano, nos deparamos com o mesmo ciclo carregado de reflexões. A criança quando nasce, chega linda, se mostrando curiosa para conhecer o mundo que a recebeu. Os primeiros anos são de muita aprendizagem com o objetivo de viver intensamente a fase adulta, até no momento em que se chega a velhice com a sensação de ver fim se aproximar. Um filme bem interessante do ano de 2008, intitulado: "O Curioso Caso de Benjamin Button" conta a história de um homem que nasceu idoso e rejuvenesceu à medida que o tempo passava. Doze anos depois de seu nascimento, ele conhece Daisy, uma menina que entra e sai de sua vida enquanto cresce para ser dançarina. Embora tenha todos os tipos de aventuras incomuns, sua relação com Daisy o faz acreditar que os dois se encontrarão no momento certo da vida. O saudoso Charles Chaplin dizia que "A coisa mais injusta sobre a vida é a maneira como ela termina. Eu acho que o verdadeiro ciclo da vida está todo de trás pra frente. Nós deveríamos morrer primeiro para nos livrar logo disso". O envelhecimento da pessoa também é muito triste, embora considerado inevitável. Alguns filósofos acreditam que não deveríamos contar os anos pelo tempo em que vivemos, mas sim pelo que nos falta. Todos os dias vivemos aproximando-nos mais da morte. Parece assustador, mas faz sentido. Faz-se necessário perceber que a vida é curta e ela precisa de atenção, por essas e outras que todos precisam cuidar da saúde, alimentação, além de fazer atividades físicas.

Enfim, o tempo é o principal responsável pelo envelhecimento e para não ser visto como vilão, também muito ensina. Cabe à história ou à memoria o registro de todos os bons e maus momentos, bem como o que foi perdido ou adquirido. Trabalhamos com quatro vertentes, uma casa em ruinas, uma sucata de carro, a natureza e por fim o ser humano, todos com as suas devidas importâncias. A única certeza nesta vida que não será nunca desmentida, é que um dia morreremos, bem faziam os antigos egípcios que utilizavam até de rituais para se prepararem para a morte. Adotemos como lição máxima a ideia de que o melhor que temos a fazer é viver cada instante, como se fosse o único. 

Fonte: CLIENT

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