20 de julho de 2020 às 15:31

A VITÓRIA DOS PERSISTENTES

    As dificuldades são necessárias para despertar o pensamento e mostrar que as pedras que possuem aparência de obstáculo são as mesmas que ficam no alicerce para solidificar a construção.


Crédito:irdp.com.br

Nada neste mundo é muito fácil, tudo tem que passar por muitos processos. A vida nos ensina muito, mas a sua metodologia anda na contramão dos desejos das pessoas. O caminho mais plausível seria entender as intempéries e fazer delas o degrau que faltava para o sucesso. As dificuldades são necessárias para despertar o pensamento e mostrar que as pedras que possuem aparência de obstáculo são as mesmas que ficam no alicerce para solidificar a construção.


Para enriquecer a reflexão de hoje, vamos utilizar a velha história do ferreiro com o seu oficio. Desconheço a autoria, mas o seu conteúdo é maravilhoso, diz que “Certa vez um ferreiro, após uma juventude cheia de excessos, resolveu entregar sua alma a Deus. Durante muitos anos trabalhou com afinco, praticou a caridade, mas, apesar de toda sua dedicação, nada parecia dar certo em sua vida. Muito pelo contrário, seus problemas e dívidas acumulavam-se cada vez mais. Uma bela tarde, um amigo que o visitara e se compadecera de sua situação difícil comentou: É realmente estranho que, justamente depois que você resolveu se tornar um homem temente a Deus, sua vida começou a piorar. Eu não desejo enfraquecer sua fé, mas apesar de toda a sua crença no mundo espiritual, nada tem melhorado. O ferreiro não respondeu imediatamente. Ele já havia pensado nisso muitas vezes, sem entender o que acontecia em sua vida. Entretanto, como não queria deixar o amigo sem resposta, começou a falar e terminou encontrando a explicação que procurava. Eis o que disse o ferreiro: Nesta oficina eu recebo o aço ainda não trabalhado e preciso transformá-lo em espadas. Você sabe como isto é feito? Primeiro eu aqueço a chapa de aço num calor infernal, até que ela fique vermelha. Em seguida, sem qualquer piedade, com o martelo mais pesado aplico golpes até que a peça adquira a forma desejada. Logo depois, a peça de aço é mergulhada num balde de água fria e a oficina inteira se enche com o barulho do vapor, enquanto a peça estala e grita devido à súbita mudança de temperatura. Preciso repetir esse processo até conseguir a espada perfeita: uma vez apenas não é suficiente. O ferreiro fez uma longa pausa, e continuou: Às vezes, o aço que chega até minhas mãos não consegue aguentar esse tratamento. O calor, as marteladas e a água fria terminam por enchê-lo de rachaduras, e sei que jamais se transformará numa boa lâmina de espada. Então, simplesmente o coloco no monte de ferro-velho que você viu na entrada de minha ferraria. Após mais uma pausa o ferreiro concluiu: Sei que Deus está me colocando no fogo das aflições, e aceito as marteladas que a vida me dá, mas às vezes sinto-me tão frio e insensível como a água que faz o aço sofrer. Mas a única coisa que peço é: Meu Deus, não desista, até que eu consiga tomar a forma que o Senhor espera de mim. “Molde-me da maneira que achar melhor, pelo tempo que o Senhor quiser, mas jamais me coloque no monte de ferro-velho das almas”.


Bem bacana a história, não é? E o mais importante, ela é carregada de verdades. Se o próprio Jesus enfrentou inúmeras provações, quiçá nós, míseros seres humanos. Todo sofrimento tem um propósito maior que simplesmente fazer a pessoa sofrer, ele tende a deixá-la diferente e enriquecida depois. Todos nós seremos outros após o grave problema social a que estamos enfrentando, temos sofrido mais do que o normal e nunca imaginamos que um dia tudo isto aconteceria. É certo também que não sabemos quando vai acabar e quantas vítimas ainda surgirão, mas de uma coisa temos certeza, sairemos renovados depois com nova mentalidade. Estamos sendo lapidados e não racharemos nunca para ser jogado no ferro-velho das almas, mas mostraremos a nossa força e desejo de crescer cada vez mais.


A Bíblia também aborda este tema com outra comparação, as mãos do oleiro. Em Isaias, 64, 8 encontramos a seguinte citação: “Contudo, Senhor, tu és o nosso Pai. Nós somos o barro, tu és o oleiro. Todos nós somos obras das suas mãos”. Este profissional artesão pega o barro argiloso e úmido e coloca em um maquinário que ficará girando uniformemente. Como numa música, ele começa a modelar a sua obra com todos os cuidados possíveis. Uma pequena distraída pode jogar tudo por terra e necessitar recomeçar. Quando chega ao final ele a admira, mas sabe que ela não está pronta, precisará ainda passar pela secagem, experimentação e por fim a ornamentação. Deus age assim com todos nós. Somos sua obra prima e ele a modela com o máximo de carinho. Se duvidarmos da sua capacidade e ficarmos resistentes, vamos correr o risco de o resultado final ficar com deficiências e desta forma valer muito pouco.


Sendo o barro ou sendo o ferro, precisamos entender que ninguém falou que viver seria fácil. A primeira dificuldade foi o parto onde aconteceu aquele choque de realidade. O nascimento dos dentes e as tentativas e andar foram sofrimentos que nos fizeram vencedores e nos ajudaram a perceber que outras pelejas viriam, mas todas seriam em prol do desenvolvimento e da valorização da vida.


Em nosso favor temos a providência divina! Não conseguiremos nunca chegar ao final da corrida se não dermos os primeiros passos e suar muito a camisa. Quando pensar em desistir, lembre-se do barro nas mãos do oleiro e o aço nas mãos do ferreiro. Abraham Lincoln disse certa vez que, “O êxito da vida não se mede pelo caminho que você conquistou, mas sim pelas dificuldades que superou no caminho”.


Para encerrar, utilizemos aquela velha canção dos Titãs: ´”É preciso saber viver...” e a velha certeza de que somos privilegiados em saber vencer os obstáculos com a mesma sabedoria dos prazeres da vida.


Crônica de Elias Daniel de Oliveira (19/07/2020)

Fonte: CLIENT

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