18 de fevereiro de 2021 às 15:43

A UNIDADE NA CAMPANHA DA FRATERNIDADE 2021

Crônica de Elias Daniel de Oliveira (21/02/2021)

Crédito:CNBB - CONIC

Com o inicio da quaresma começa também a Campanha da Fraternidade, este ano será pela quinta vez de maneira ecumênica, com tema “Fraternidade e Diálogo: Compromisso de Amor” e o lema “Cristo é a nossa Paz: do que era dividido, fez unidade”, baseado no livro de Efésios, capítulo 2, versículo 14. Desta vez a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) se juntou ao Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil (CENIC) para a elaboração do texto base que foi alvo de polêmicas e justificativas.

Os grupos conservadores da Igreja Católica acharam a elaboração bastante ousada, além de não concordarem de ter sido montado quase que por completo pelo CENIC, órgão responsável pelas igrejas evangélicas. A questão é que, visando à unidade proposta no tema, os idealizadores mudaram por completo o foco, partindo da religiosidade para questões sociais que sempre geraram calorosas discussões. Diante disto as redes sociais soltaram inúmeras publicações de indignação por parte de leigos e padres. Nas suas falas não citavam que não pudessem abordar questões como racismo, ideologia de gênero, indígenas, dentre outros, mas alegam que o contexto quaresmal de penitência seguida de textos de reflexão foi ignorado. No convencimento para a aceitação, os idealizadores dizem que a Campanha da Fraternidade Ecumênica deste ano quer, através do diálogo amoroso e do testemunho da unidade de diversidade, inspirados no amor de Cristo, convidar comunidades de fé e pessoas de boa vontade para pensar, avaliar e identificar caminhos para a superação das polarizações e das violências que marcam o mundo atual. O cartaz apresentou um teor de unidade onde, numa ciranda, não existe inicio nem fim, nem primeiro e nem último. Todos formam um e precisam trabalhar na mesma sintonia e ritmo para não perder o compasso. Com isto pretende-se convidar todas as pessoas para agregar e participar da construção de civilização de amor, da justiça, da igualdade e da paz.

Em sua defesa a CNBB, de acordo com o jornal do comércio, disse em forma de nota que o CONIC é que foi responsável pela elaboração do texto em seu formato ecumênico. “Não se trata, portanto, de um texto ao estilo do que ocorreria caso fosse preparado apenas pela comissão da CNBB”, apontou o comunicado. A presidência da Conferência dos Bispos do Brasil reafirmou que a Igreja Católica tem sua doutrina estabelecida a respeito das questões de gênero, dizendo que ela é a dimensão da transcendência da sexualidade humana compatível com todos os níveis da pessoa humana, maleável sujeito a influencias internas e externas à pessoa humana, mas deve obedecer a ordem natural e já predisposta pelo corpo. Quanto à coleta do Domingo de Ramos, que os adversários estão questionando, a CNBB informou pela mesma nota que os recursos do Fundo Nacional de Solidariedade (FNS) seguem rigorosa orientação, obedecendo não apenas a legislação civil vigente para o assunto, mas também a preocupação quanto à identidade dos projetos atendidos. “Os recursos só serão aplicados em situações que não agridam os princípios defendidos pela Igreja Católica”.

Quanto às poucas referências a Nossa Senhora, faz-se necessário o respeito à filosofia evangélica que não a venera, mas não quer dizer que a Igreja Católica não possa citá-la o tempo todo. O amor que temos à Mãe de Jesus supera qualquer ideologia e não seria um texto que nos faria amá-la menos. Quanto aos mais diversos temas abordados que visam à exploração dos assuntos sociais, poderiam ser enxergados por outra ótica, como levar as coisas de Deus para o mundo e resgatar da sociedade as suas intempéries tanto para estudos como para recorrer às soluções, utilizando as ferramentas religiosas.

Bom seria até que a Campanha da Fraternidade pudesse estar em todas as religiões, independente de se trabalhar juntos. Neste ano, levando em consideração a unidade, optou-se pelo ecumenismo, mas caso nos anos que virão não utilizem esta estratégia, o CONIC poderia dar continuidade às campanhas para estimular as reflexões, orações e envolvimento de todos nas questões sociais a partir dos princípios religiosos.

Quando falamos de ecumenismo e unidade, gostaríamosque todos os seguimentos estivessem juntos. Pode ser que a CNBB tenha entregado à CONIC a responsabilidade de direcionar o texto base com o objetivo de atrair também outras igrejas, mas ainda assim o sucesso foi precário. Além da Católica Romana, estão participando a Aliança de Batistas do Brasil, a Episcopal Anglicana do Brasil, a Evangélica de Confissão Luterana no Brasil, a Presbiteriana Unida, a Igreja Sirian Ortodoxa de Antioquia e por fim a Betesda. Uma boa pergunta seria por que as demais igrejas cristãs não quiseram participar? Provavelmente porque não aceitam este tipo de unidade. Alguns segmentos são totalmente rigorosos com o que acreditam e não abrem mão de compartilhar com ninguém, ainda mais com a Igreja Católica que costuma ser bastante criticada nas suas doutrinas.

Chegamos a mais um final! Vivamos com muita fé, piedade, oração e jejum esta quaresma. Para auxiliar a condução da nossa reflexão, recorramos à Campanha da Fraternidade. Se por acaso alguma coisa te desagradar, ignore e aproveite as demais. Apoiemo-nos na carta de São Paulo aos Efésios (2, 13-15): “Agora, porém, graças a Jesus Cristo, vós que antes estáveis longe, vos tornastes presentes pelo sangue de Cristo. Porque é a nossa paz, ele que de dois povos fez um só, destruindo o muro da inimizade quer os separava, abolindo na própria carne a Lei e os preceitos e as prescrições. Desse modo, ele queria fazer em si mesmo dos dois povos uma única humanidade nova pelo restabelecimento da paz e reconciliá-lo ambos com Deus, reunidos num só corpo pela virtude da cruz, aniquilando nela a inimizade”. 

Fonte: CLIENT

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