01 de março de 2021 às 14:23

A OBSERVAÇÃO NOS CAMINHOS DA VIDA

Crônica de Elias Daniel de Oliveira (28/02/2021)

Crédito:a.maincaptchasource.com

Todos os sentidos que Deus nos deu têm a sua importância especifica e se algum vir a faltar, os outros suprirão. Mais ou menos o seguinte, deficientes visuais conseguem perceber tudo ao seu redor como se enxergassem e os mudos tem a facilidade de se comunicar por gestos e expressões, sem, contudo, poder falar. No entanto, pessoas que têm o privilégio de utilizar todos eles acabam não dando o seu devido valor. Temos uma proposta bastante salutar que abordaremos na nossa reflexão de hoje.

Uma técnica em forma de dinâmica bem interessante para trabalhar as deficiências, propõe dividir pequenos grupos e durante um dia inteiro eles devem vivem alguma falta física em forma de simulação. A um veda-lhes os olhos para ficarem como os cegos, a outro amarra-lhes uma das pernas para sentir o drama dos aleijados e por ai vai. Cada pessoa precisará se virar para romper o desafio e chegar ao objetivo final que é captar um pouco como vivem estas pessoas. É lógico que a grande maioria das pessoas com necessidades especiais já possuem habilidades adquiridas com o tempo que estes deficientes falsificados estão desprovidos, fazendo-os aumentar ainda mais a dificuldade.

A proposta do tema de hoje seria a utilização da OBSERVAÇÃO NOS CAMINHOS DA VIDA independente de deficiência ou não. A questão é a seguinte, como temos todos os sentidos, fazemos uma proposta de voltar à atenção para os tópicos que normalmente passam em branco. De inicio propomos administrar bastante o que se fala e ouvir bem mais, lembram aquela máxima? Temos dois ouvidos para ouvir o dobro do que se fala. Preste atenção naquilo que estão te dizendo independe da intenção da fala. Em seguida, responda com sabedoria! Este seria o primeiro passo da observação. Quanto aos olhos, observe bem mais do que lhe é oferecido. Ande pela rua ou trilhas observando cada detalhe. Sinta o ar de maneira diferente, inspire e expire. Olhe as particularidades das plantas, dos animais desde os pequeninos aos maiores. Perceba a reação das pessoas na sua maneira de andar, falar, socializar e expressar. Procure pormenores nas placas, nos hábitos e no desenrolar de tudo. Você perceberá que esta técnica é incrível e te ajudará a valorizar mais a vida e a entender o que se passa do seu lado ou na sua frente. No dia a dia as pessoas parecem usar uma viseira como aquelas dos cavalos nas carroças para não mudarem o trajeto que acaba não as deixando sentir os prazeres da vida. O escritor Richard Giovanni tem um pensamento bem interessante sobre o assunto, segundo ele, “Tolos preferem aprender com a dor, o fracasso e a derrota, os sábios com a observação”.

O ser humano normalmente é acorrentado à sua própria liberdade e ao acreditar ser superior a todas as outras criaturas se recusam olhar ao seu redor. Até mesmo no diálogo percebe-se aquela ânsia por falar e justificar o que ainda nem foi dito pela outra parte. Nos olhares optam por não enxergar as belezas e acabam se concentrando em situações triviais. O observar tudo para agir depois faz com que o inconsciente ajude o consciente a trabalhar assim como fazem os monges zen budistas com a meditação. Por intermédio dela eles praticam o desapego para ter a mente relaxada e concentrada para captar o ambiente externo. Um bom observador precisa do silêncio mesmo no meio do barulho. Trata-se de uma concentração onde ele possa agir com as mesmas características de alguns animais que caçam utilizando percepção, dois bons exemplos são as águias e os felinos. Eles acompanham todos os movimentos da presa e demonstram muito mais sutileza, esperteza e habilidade para chegar às vias de fato.

O grande escritor brasileiro Machado de Assis dizia que, “Pensamentos valem e vivem pela observação exata ou nova, pela reflexão aguda ou profunda; não menos querem a originalidade, a simplicidade e a graça ao dizer”. O candidato à habilitação de motorista tem que ser um bom observador se quiser sucesso no seu intento. Disse candidato porque o habilitado já tem as manhas de utilizar os sentidos parecendo que o carro tem vida própria, mas é claro que a sua atenção ainda se faz necessário. O aplicador de prova ou mesmo o segurança de um supermercado tem necessidade de usar esta ferramenta além de qualquer outra.

Há uma ligação bem grande entre a aquisição de sabedoria e a contemplação, Leonardo Dourado Sande comentava que “A observação é o marco inicial para a obtenção do conhecimento. Ele é ponto crucial na ação acertada que por sua vez é a partida para a mudança. A mudança é ponto essencial na evolução e a evolução é fator necessário para a sobrevivência. Portanto, observe, conheça, aja, mude e evolua se quiser sobreviver”. As questões matemáticas que utilizam fórmulas, bem como a Física e a Química não alcançariam o resultado sem o crivo da observação. Enfim, pra tudo na vida um olhar diferente revela a astúcia e a destreza do observador.

Pois bem, chegamos a mais um final. Hoje adotando algo mais temático e reflexivo. Abordagens como esta acarretam visões favoráveis e contrárias, todas são benéficas ao despertar opiniões e é exatamente este o objetivo do quadro Crônicas. Encerramos então com um pequeno trecho de uma música de Alberto Costa, que leva o mesmo nome do tema de hoje: “Sou um ponto tão efêmero que da aparência um dia sai para compor um outro gênero que não quebra e não cai. Sou um ponto que parece e desaparece. Mas aparecerei na frente na consistente  que cresce na adição que jamais fenece. Não adianta fugir desse contexto. Não há pretexto, é o irreversível, é ir. O mais complexo, o mais centrado nos chama para o resultado, sem volta dessa grande soma”.

Fonte: CLIENT

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