VIDA NOVA

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Crônica de Elias Daniel de Oliveira (27/11/2016)

Ao aproximar o final do ano, a mente volta-se para os pensamentos de revisão e para as perspectivas do que está por vir. A Igreja Católica já iniciou este processo com o tempo do advento. Trata-se da preparação para o natal, a celebraçãoda vida, o nascimento de Jesus e o início de um período carregado da graça de Deus. Assim, o homem passa por uma transformação em direção ao novo mundo.

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Mas, como falar do novo, sendo ainda o homem velho? Algumas passagens bíblicas como aquelas que Jesus dizia sobre o vinho novo em odres velhos e o remendo novo em roupa velha comenta o assunto. Na verdade para quem carrega Deus no coração, idade passa a ser apenas um detalhe, nada mais do que um desgaste físico, mas com a mente aberta às mudanças. A palavra NOVIDADE, por exemplo, pode ser entendida como a junção de “novo” e “idade”, isto quer dizer que não existe velhice para aprender e modernizar-se.

Um fator que sempre pesa é no que tange aos obstáculos. De fato eles se assemelham a um vírus de computador. Parece que surgiram para incomodar e evitar que tudo transcorra perfeitamente bem. Mas, o sábio, conforme da dizia o velho filósofo grego Sócrates, consegue sempre romper com as dificuldades e chegar à perfeição, mesmo acreditando que o conhecimento nunca se esgota. Tem sim o detalhe que a pessoa não é necessariamente um ser individual, mas coletivo. Isto acarreta inúmeras preocupações, porque vários entraves da vida poderiam ser resolvidos se a única pessoa envolvida fosse ela mesma, mas, como depende dos outros, a situação fica difícil.

No fundo o mundo é muito complicado! Na verdade, as pessoas são muito complicadas! Felizes são as crianças e os doidos que não precisam prestar contas dos seus atos. Vivem como se não houvesse o amanhã. Lembram a música do cantor Gonzaguinha? “Eu fico com a pureza da resposta das crianças, é a vida, é bonita e é bonita. Viver e não ter a vergonha de ser feliz, cantar e cantar e cantar e a beleza de ser um eterno aprendiz. Eu sei que a vida devia ser bem melhor e será, mas isto não impede que eu repita, é bonita, é bonita e é bonita!”.

Continuando a reflexão a partir desta canção, nota-se um questionamento bem interessante sobre este tema, principalmente sobre aqueles que vivem na melancolia: “E a vida. E a vida o que é diga lá, meu irmão. Ela é a batida de um coração, ela é uma doce ilusão. E a vida, ela é maravilha ou é sofrimento, ela é alegria ou lamento, o que é, o que é, meu irmão”. O cantor indaga a respeito das mais diversas situações que o gesto de viver propõe, mostrando que tanto os momentos felizes como os tristes são necessários para seguir em frente. A alegria e tristeza são diferentes sentimentos que caminham juntos.
Já que a música de Gonzaguinha está norteando o tema de hoje, vamos ver como ele define a vida, a partir da visão das pessoas: Há quem fale que a vida da gente é um nada no mundo. É uma gota, é um tempo que nem dá um segundo. Há quem fale que é um divino mistério profundo.É o sopro do criador numa atitude repleta de amor. Você diz que a luta é prazer, ele diz que a vida é viver, ela diz que melhor é morrer, pois amada não é e o verbo é sofrer. Eu só sei que confio na moça e na moça eu ponho a força da fé. Somos nós que fazemos a vida, como der ou puder ou quiser”.
Neste tempo do advento onde a liturgia da igreja fala em final do mundo, ela não tem a intenção de gorar nada, até mesmo porque Deus quer é ver o mundo transformado, bem como as pessoas que nele habita. Para tanto, ninguém sabe quando será o fim. Lembra quando perguntaram a Jesus quando seria o dia do Juízo Final? Ele disse que não sabia, que os anjos do céu também não, somente Deus é que tinha conhecimento do fim. Mas então porque falar tanto do fim dos tempos? Para levar de fato a reflexão sobre os mais diversos tipos de fins e nascer para uma vida nova baseada nos ensinamentos de Jesus.
Neste período assiste-se em paralelo uma comemoração bem interessante que complementa o tema, trata-se do dia de AÇÃO DE GRAÇAS. “Em tudo, louvai ao Senhor!”, conforme já dizia o livro de Isaias. Mesmo nos momentos mais difíceis e bastante nos agradáveis, sempre é necessário agradecer a Deus pela vida. Ela lhe é dada como o primeiro presente vindo dos céus no momento da sua concepção e só lhe será tirada quando o seu corpo físico não funcionar mais. Percebe-se então que o advento acontece todos os dias. E que também com a mesma frequência Jesus precisa continuar renascendo nos corações das pessoas.
Mais uma vez o grande Charles Chaplim encerrará o tema de hoje com o seguinte pensamento: A vida é uma peça de teatro que não permite ensaios. Por isso, cante, chore, dance, ria e viva intensamente, antes que a cortina se feche e a peça termine sem aplausos”.

Crônica de Elias Daniel de Oliveira (27/11/2016)

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