TRAGÉDIA QUE ENTRISTECE

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Crônica de Elias Daniel de Oliveira (15/11/2015)

O acidente ambiental causado pela Mineradora Samargo na cidade de Mariana causou tantos danos à natureza bem como a pessoas que tudo perderam, alguns, inclusive, a vida. Por trás das noticias, é possível assistir uma grande comoção nacional e internacional, além de uma gama de informações desencontradas que parece beneficiar os grandes em detrimento dos pequenos. Este tema norteará a reflexão de hoje.
Fica complicado jogar a culpa em alguém, mas que em tudo isto tem culposos pode ter certeza. Ganha culpa a empresa que poderia prever este tipo de catástrofe e possuir um sistema eficiente de aviso ou evacuação dos moradores próximos. Os fiscais poderiam ser mais rigorosos e não admitir suborno ou mesmo beneficiar a empresa com protecionismos desnecessários. Os administradores públicos poderiam não somente visar os lucros dos impostos, mas levar em consideração a questão humana e natural. Agora, justiça seja feita, culpar a natureza com os possíveis abalos sísmicos como a que teria proporcionado a trinca de rompimento da barragem, isto é um absurdo.
Alguns vídeos e mensagens de particulares têm sido divulgados pelas redes sociais mostrando que a catástrofe é muito maior do que a revelada pela imprensa. Segundo eles, a empresa mineradora pertence a outras duas grandes de relevante influência no Brasil e que teria sido poupada pela mídia para não terem as suas imagens queimadas. Estes informantes não oficiais dizem que o número de morte é extremamente maior do que o revelado. Na comunidade de Bento Rodrigues moravam em torno de 600 pessoas e nem todas conseguiram fugir. O horário da catástrofe foi na parte da tarde, onde muitos agricultores já voltavam do seu trabalho. A reconstrução da comunidade será uma questão de respeito àqueles moradores, mas é lógico que vai acontecer o seguinte: receberão casas comuns e certamente não contemplarão tudo o que possuíam. Alguns moradores tinham carros, casas melhores, mordomias adquiridas com a força do seu trabalho e por ai vai, no entanto estão vivendo à base de ajuda popular.
Este não foi o primeiro acidente desta natureza e com certeza não será o último. São muitas mineradoras que preocupam pouco com o meio ambiente, a questão humana também só é respeitada a partir das obrigações legais, enfim, querem tão somente o lucro na base do “doa a quem doer”. Em outros momentos também nós conversamos sobre os males que a MMX provocaria em Bom Sucesso, caso fosse instalada. O primeiro seria o social. Um grande número de pessoas adentraria a nossa comunidade sem que a cidade tivesse uma infraestrutura mínima para esta acolhida. No momento em que a empresa mineradora era consultada sobre a situação, dizia apenas que estavam proporcionando empregos e isto já era um grande feito. Os empresários alegavam que não era de sua responsabilidade tal preocupação e que o máximo que poderiam fazer seria melhorar as estradas por onde circulassem.
A mineradora que exploraria a serra de Bom Sucesso já tinha uma empresa igual na cidade de Igarapé. Lá também tinha, ou tem esta represa para os dejetos. A retirada do minério passa por um processo de purificação e aquilo que não tem valor é armazenado em um espaço, como se fosse uma fossa e propício de um dia romper devido ao peso e aos excessos. A mineração em Bom Sucesso acompanharia o mesmo processo e por mais que dissessem que possuiriam os mais modernos sistemas de segurança, correríamos o mesmo risco de Mariana bem como os já acontecidos em Itabirito, Itabira, dentre outros.
É impressionante como natureza e progresso às vezes se esbarram. Não temos como evitar as parafernálias do mundo moderno, mas as pessoas não podem ignorar a importância da natureza. É tão triste ver a agressão ao verde nestes locais onde exploram minério. Parece um grande formigueiro destruidor por onde sai riqueza, enriquecimento, matéria prima para o futuro e junto o choro da natureza.
As ajudas às famílias de Mariana afetadas pelo acidente ambiental continuam por todos os lados. Lógico que não serão ressarcidos tudo o que possuíam e muito menos as vidas perdidas, mas o quesito solidariedade tem sido o espetáculo no meio de tanta tristeza. As demais empresas que atuam no mesmo ramo poderiam pegar por base esta catástrofe e ampliar as suas seguranças, reforçar as barragens de dejetos, olharem o lado humano da coisa e pelo menos tentar recuperar a natureza por onde houvesse devastação. O governo, por sua vez, precisa acompanhar mais de perto o cotidiano destas mineradoras para evitar outros momentos difíceis como este por qual está passando aquele povo.
Este acontecimento ganhou o nome de catástrofe não somente por tirar do mapa uma comunidade inteira, mas por devastar mais de 500 km em Minas Gerais e Espírito Santo. Chega a ser incalculável o prejuízo ambiental e financeiro deste acidente. Que Deus abençoe estes desabrigados que choram por ter perdido entes queridos, bem como bens. Como é impossível voltar e evitar os danos, peçamos a Deus que ilumine outros empresários para tomar os devidos cuidados para que esta cena não possa repetir.

Crônica de Elias Daniel de Oliveira (15/11/2015)

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