SEDE SANTO COMO O PAI DO CÉU É SANTO!

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Crônica de Elias Daniel de Oliveira (01/11/2015)

A igreja celebra neste primeiro de novembro o dia de todos os santos, não com o objetivo de lembrar-se dos esquecidos no calendário, mas para mostrar que todos os cristãos podem ser santos, mesmo sem passar pelo processo de canonização. No fundo há um número muito maior de pessoas santificadas aos olhos de Deus bem mais do que a igreja possa imaginar. Um deles pode ser aquele seu ente querido que era muito temente a Deus e teve um lugar bem especial no céu.

Lá no Vaticano tem uma organização voltada para a causa dos santos. O objetivo deste órgão é investigar os candidatos à beatificação e depois à canonização para certificar-se que de fato foram pessoas que transformaram o ambiente em que viveram. O processo é lento porque eles precisam de vários milagres a partir das orações feitas a estes candidatos, uma vez constatado a graça, estes investigadores instigam a veracidade dos fatos. Depois de tudo analisado, os cardeais estudam minuciosamente a possibilidade de tornar aquele candidato a santo e cabe ao supremo pontífice, o papa, beatificar e depois de um tempo, canonizar.

Na idade Média havia uma prática muito comum denegria a imagem da igreja: a compra de cargos eclesiásticos. Famílias ricas colocavam os seus jovens nos seminários e para manter a influência compravam títulos e pagavam para que ficassem em paróquias privilegiadas e chegassem à condição de bispos, arcebispos e cardeais. Analisando por esta ótica, há uma possibilidade muito grande de alguns santos deste período não terem sido de fato pessoas santificadas por Deus. São alguns com nomes estranhos de uma biografia pobre e sem nexo. No entanto hoje muitas outras pessoas que a igreja não reconhece como santos o são aos olhos de Deus.

Os fiéis têm o hábito de qualificar os santos de acordo com as suas necessidades. Está prática está relacionado à história daquele servo de Deus que, em vida, se mostrava voltado a uma virtude específica. São Vicente de Paulo, por exemplo, é considerado o pai dos pobres por dedicar toda a sua vida a esta causa. São Francisco de Assis era amante da natureza, portanto hoje portador deste título. Enfim, ler a história dos santos, ajuda na ampliação da fé. Foram pessoas comuns que mudaram o mundo em que viveram atacando as injustiças sociais e mostrando o verdadeiro caminho da salvação.

Boa parte destes santos foi martirizada por provocar a ira dos maus. Participar do Reino de Deus exige das pessoas uma dedicação exclusiva, bem como o respeito, a fé e a preocupação com os menos favorecidos. Os perseguidores dos representantes de Deus queriam um mundo totalmente diferente onde pudesse dominar, explorar, pecar e pisar nos mais humildes. Ao ser criticado e cobrado, sentiam na liberdade de matar com requintes de crueldades estes anjos que mais tarde a igreja reconheceria como santos.

Cabem também os candidatos a santo da modernidade enfrentar um mundo hostil. As perseguições continuam acontecendo e o sofrimento do povo não tem esgotado. Boas inspirações podem ser obtidas a partir de Madre Tereza de Calcutá, Papa João Paulo II, Irmã Dulce da Bahia, Frei Galvão, Dom Helder Câmara, Padre Vitor, Nhá Chica, dentre outros. Nenhum destes citados foi martirizado, embora tenha sofrido perseguições e deparado com inúmeras dificuldades para alcançar os seus objetivos. Outros santos ocultos, que, provavelmente a igreja não beatificará, marcaram a vida de muitas pessoas, como, por exemplo, o saudoso Padre Léo. Em vida ele conseguiu conduzir muita gente à conversão. Pelas suas orações, muitos foram curados. O seu trabalho na recuperação de jovens perdidos na Comunidade de Bethania foi de grande importância e pelas suas pregações, um grande público passou a conhecer os assuntos relativos ao céu, assim este santo aos olhos de Deus pode até não conseguir o título máximo da Igreja Católica, mas com certeza repassará ao Pai do Céu todas as intercessões solicitadas por seu intermédio.

Estes santos nunca pecaram? Esta é a dúvida do povo leigo, quando este assunto é abordado. Claro que sim! Eram seres humanos como quaisquer outros. Toda pessoa está susceptível ao erro e logicamente ao pecado, com estes representantes de Deus não foi diferente. Pecaram sim, mas reconheciam a sua pequenez e pediam perdão. Àqueles que chegaram a morrer sem ter tido tempo de reconciliar-se, foi oferecido a eles a eliminação das suas falhas por intermédio do purgatório e tão logo limpa a sua alma, corriam para os braços divinos.

Todos podem ser santos? Na verdade é esta a exigência para todo cristão. Pode até ser que não seja beatificado, mas lá no céu tem um lugarzinho especial esperando cada filho de Deus. Para se tornar um santo, basta ter amor a Deus, a si próprio e aos outros. Muito simples! Quem age assim, sabe respeitar os outros, procura os assuntos relativos aos céus e consegue transformar o mundo ao seu redor. Como é comum a todos os santos, problemas surgirão, mas neste instante Deus envia anjos para colaborar na eliminação deles.

A melhor maneira de encerrar é utilizando aquela velha citação Bíblica do Livro de Levíticos: “Sede santos, porque eu, o Senhor vosso Deus, sou santo!” (Lv. 19,2). O que o Mestre deseja é tão somente que o seu povo seja salvo.

Crônica de Elias Daniel de Oliveira (01/11/2015)

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