SÃO LUCAS, ABENÇAI OS MÉDICOS!

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Crônica de Elias Daniel de Oliveira (18/10/2015)

Apoiando-se no calendário religioso que celebra São Lucas neste dia 18, a sociedade também comemora O DIA DO MÉDICO. Apesar de estar entre as profissões mais rentáveis do momento, este profissional tem um pouco de anjo no seu trabalho. Cabe a ele fazer a manutenção daquilo que Deus criou e mesmo que precise as vezes utilizar a mutilação tem como principal objetivo a vida. Assim também foi com Lucas, o terceiro evangelista e autor dos Atos dos Apóstolos.

Além do Brasil, Portugal, Espanha, Itália, Bélgica, Polônia e Inglaterra também comemoram no dia 18 de outubro o dia do médico. São quase todos países católicos que consideram São Lucas como protetores deste profissional. No Evangelho segundo Lucas, é possível encontrar o Cristo, amor universal, que se revela a todos e chama Zaqueu, Maria Madalena, que garante o Céu para o “bom” ladrão e conta as lindas parábolas do pai misericordioso e do bom samaritano. Nos Atos dos Apóstolos, que poderia também se chamar Atos do Espírito Santo, o leitor depara-se com a ascensão do Cristo, que promete o batismo no Espírito Santo, fato que se cumpre no dia de Pentecostes, e é inaugurada a Igreja, que desde então vem evangelizando com coragem, ousadia e amor incansável todos os povos.
Pela filosofia, Hipócrates é considerado o pai da medicina. Ele foi um filósofo grego dos anos 460 a 380 a.C.. Foi, segundo autores antigos e modernos, a maior revelação médica do “Milagre Grego”. Como na ocasião não existia faculdade de medicina, o seu conhecimento estava bem relacionado ao ato de pensar e à utilização dos seus métodos indutivos. Hoje, nas formaturas de medicina, os novos médicos prestam homenagem e juramento a este mestre em reconhecimento aos seus grandes feitos. Assim, fica a lição: o ato de medicar está condicionado ao de pensar, raciocinar e humanizar a profissão, tal como fazia Hipócrates.
Não se trata de uma profissão fácil. Apesar de tudo, há uma mistura entre privacidade e profissão. Pelo seu juramento, tem de estar disponível para garantir a vida a qualquer momento. Como é comum na sociedade atual, existem os ruins, bons e ótimos profissionais. Os incompetentes são um perigo pra sociedade por cuidar de vidas frágeis, os bons vivem à base da desculpa da virose e cometem alguns erros que poderiam ser evitados e os ótimos têm conhecimento, humanidade, se capacitam com frequência e fazem jus ao seu salário. Ainda assim, são susceptíveis de erro porque a máquina humana é carregada de mistérios e enigmas e como as pessoas adoram julgar, os condenam por um pequeno vacilo e ignoram um monte de acertos durante toda a vida. Nem sempre depende do médico que o doente se restabeleça: algumas vezes o mal é mais forte que a ciência.
Em Bom Sucesso um ícone na medicina chamou atenção, seu nome: Dr. ARY ALVES DE CARVALHO. Na ocasião não podia contar com muita tecnologia e a metodologia do espírito instintivo de Hipócrates era utilizada por ele. Se o paciente tivesse dinheiro, pagava. Se não tivesse, ficava de graça mesmo. Batia o olho no olho do doente e diagnosticava com uma precisão ímpar. Há quem diga que houve mortes por erro médico, mas houve também inúmeros casos graves e raros que foram resolvidos por ele. Ele mesmo ensinava e preparava as suas enfermeiras e auxiliares. Até mesmo partos eram praticados pela sua equipe. Nos registros da biografia do Dr. Ary há relatos que médicos vinham de longe para aprender ou se orientar com ele.
Para se tornar um bom médico, a residência precisa acontecer em hospitais públicos onde surgem os mais diversos casos e o mais diversificado público. A especialização ou mesmo os consultórios particulares só podem surgir um pouco mais tarde. Há uma carência enorme de médicos no Brasil a tal ponto do governo implantar o programa “Mais Médicos” importando este profissional de Cuba e a inicializar novos cursos pelo país, como no caso da UFLA em Lavras. Uma vez formado, o emprego é imediato e não é por causa desta necessidade que há um relaxamento nos estudos ou condições de inserção, afinal de contas, ele trabalhará com vidas.
Justiça seja feita, o que seria de um bom médico sem a sua equipe para auxiliá-lo. Méritos sejam reservados às enfermeiras e técnicas, embora não sejam tão bem remuneradas. Tal como o servente para o pedreiro, o profissional em enfermagem é âncora para o trabalho do médio. Chega a ser tão pesado quanto e nem por isso valorizado pelo sistema.
Na época de São Lucas, o doente seria vítima de um feitiço ou mesmo estava pagando pecados seus ou de seus pais. Assim, Lucas impregnou a Medicina de amor, de compaixão, solidariedade e até de cumplicidade, pois aliou aos conhecimentos adquiridos na escola de Medicina de Pádua e aos ensinamentos de Keptah, médico e humanista egípcio, a crença de que o preparo espiritual dos enfermos e o carinho dos médicos são de grande valia no êxito do tratamento instituído. Lucas procurava estimular a confiança no médico e a fé do paciente como fatores fundamentais para a obtenção de bons resultados.
Para encerrar, parabéns a todos os profissionais que não medem esforço para cuidar das pessoas utilizando como principal ferramenta, o amor!

Crônica de Elias Daniel de Oliveira (18/10/2015)

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