Quem está errado?

Dentre vários episódios de âmbito mundial dois marcaram o inicio de ano proporcionando uma comoção generalizada. O primeiro foi o atentado terrorista aos chargistas do jornal francês Charles Hebdo e o segundo foi a condenação à morte do brasileiro Marcos Archer na Indonésia por tráfico de drogas no ano de 2004. Os dois casos tem os seus pós e contras e exatamente inspirando-se nesta bipolaridade que o tema de hoje pretende se desenvolver.

Inicialmente faz-se necessário partir da premissa de que não cabe ao homem matar o seu semelhante, Deus dá a vida e cabe a Ele encerrá-la. Qualquer tipo de atalho por parte da própria pessoa ou por intermédio de outros foge dos princípios religiosos e o bom cristão não pode compartilhar esta ideia. Há de considerar também que a cultura, lei, ideologia e a filosofia religiosa pelo mundo não caminha no mesmo passo. Aquilo que o ocidente pensa ser correto, o oriente já enxerga de outra maneira e vice versa.

Analisando por esta ótica é possível entender por qual motivo os muçulmanos ofendidos atacaram o jornal satírico francês e por que houve a execução do traficante brasileiro na Indonésia.

O iluminista Voltaire já dizia na França no século XVII a seguinte frase: “Posso não concordar com uma palavra do que dizeis, mas defenderei com a própria vida o direito de dizeres o que pensas!”. Os cartunistas do jornal Charles Hebdo poderiam não compartilhar da filosofia muçulmana, mas pelo menos deveriam respeitá-la. Acaso eles concordariam que algum jornal árabe viesse satirizar alguma da sua cultura de maneira semelhante? Não estou aqui aplaudindo os terroristas, mas tentando dizer que aqueles editores procuraram com as mãos sabendo do radicalismo religioso daquele povo.

O Padre Silvio, do Grupo da Terra apresenta uma reflexão bastante interessante intitulada: EU NÃO SOU CHARLES. Nela ele comenta que o atentado perpetrado pelos terroristas em Paris é injustificável. Realmente um absurdo, que atenta contra um valor fundamental do ser humano: a vida. Mas, segundo ele, aquele jornal não era tão santinho assim. Em nome de um dogma da sociedade moderna, ou seja, a liberdade de imprensa, estes homens mostravam total desrespeito para com os crentes. Destaca-se o desrespeito aos praticantes do islamismo, com as caricaturas de Maomé. Ao ofenderem o profeta dos mulçumanos, eles dão aos radicais o que eles querem: um álibi para praticar a selvageria. Mas há espaços para o desrespeito também a nós cristãos e católicos: charge com o Papa consagrando uma camisinha, charge sugerindo um encontro amoroso do Papa com um guarda suíço, e inclusive uma charge tirando o sarro do nascimento de Nosso Senhor Jesus Cristo.

Quanto ao brasileiro executado na Indonésia, há de considerar que eles seguiram os trâmites legais daquele país. Eles não foram intransigentes ou terroristas, apenas não maciaram uma situação com a interferência diplomática da presidente Dilma ou a tentativa de solicitação do Papa Francisco. Lei é para ser comprida e eles respeitam isto. Na indonésia há um rigor sem limites contra o tráfico de drogas e para quem não sabe outros brasileiros estão na lista de execução e o próximo chama-se Marco Aurélio Garcia, um paranaense traficante de drogas que a família alega ter esquizofrenia para aliviar a pena dele. Até que se prove o contrário, a tentativa tem sido em vão. O atual presidente da Indonésia, Joko Widodo, que negou o pedido de Dilma, assumiu o cargo em 2014 sob a promessa de campanha de aplicar “mão pesada” na luta contra as drogas. Ele afirmou, no mês passado, que iria rejeitar os pedidos de clemência das 64 pessoas no corredor da morte por crimes relacionados aos entorpecentes.

Lastimável a situação, mas a interferência da presidente do Brasil pelos olhares dos indonésios é que ela não tem regra pesada contra o tráfico, este mal que aflige a sociedade atual.

É lógico que a misericórdia de Deus existe e que a recuperação da pessoa é possível, mas a lição que fica para os brasileiros é que o rigor da lei precisava ser levado mais a sério. Na nossa nação um bom advogado consegue inocentar um perigoso criminoso e colocar na cadeia um inocente. Outro fator que no Brasil fica bastante a desejar é o que concerne aos Direitos Humanos. Normalmente os cidadãos de bem não se beneficiam tanto quanto aqueles que estão condenados. A consequência de tudo isto é o que vemos pelas ruas, inúmeros bandidos cometendo os seus crimes e proporcionando a violência e quando caem em uma delegacia são considerados vitimas da sociedade e, portanto, encarados como bonzinhos excluídos do meio social e necessitados de atenção no ponto de vista dos defensores dos direitos humanos.

Esta crônica não pretende colocar no mesmo páreo um traficante de drogas e um cartunista. Na verdade as situações são diferentes. Mas seria salutar dizer que a liberdade de imprensa tem de ter os seus limites em nome da honra e do respeito. Quanto aos traficantes de drogas e entorpecentes, a lei tem que ser rígida com eles sim. As drogas são as desgraças de muitas famílias. Por incrível que pareça ela já ultrapassou os males relacionados ao consumo excessivo do álcool e se o governo não levar a sério o combate, o nome da nação irá para o lixo e o respeito que muitos outros países têm com o nosso encerrará por mera questão administrativa.

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