Política: Mordomia Brasileira e Sueca

Com a aproximação das eleições temas pertinentes já precisam ser abordados. Hoje o foco será o salário dos parlamentares comparando-o ao da Suécia. O quesito MORDOMIA é eliminado no país europeu, em compensação é palavra de ordem nestas terras tupiniquins. O objetivo desta crônica não será confundir as pessoas e muito menos detonar os políticos, mas fazer uma crítica ao sistema que deixou assim.

Pra inicio de conversa vamos verificar a situação dos políticos da Suécia. Lá os deputados não têm assessores e nem secretárias. Utilizam lavanderias e cozinhas comunitárias e não dispõe de carro oficial, normalmente utilizam transporte público como ônibus e metrô, isto sem possuir cotas de viagens aéreas. Não possuem residência oficial e nem gabinete. O salário é extremamente justo, nada de exageros, daqui a pouquinho vamos falar em valores. Os deputados acreditam que são representantes do povo e como o povo não tem mordomia, nada mais justo que os seus deputados agirem de igual maneira.

A Suécia é um país bem menor do que o Brasil e tem uma democracia muito antiga e sólida. O custo de parlamentar sueco no ano banca só 23 dias de deputado brasileiro. Uma das regras por lá é que um deputado receba o dobro do salário do professor e vereador deve trabalhar de graça, a única gratificação é de cerca de US$ 30 mensais para pagar despesas com telefone. É comum ver políticos caminhando no meio do povo sem segurança ou abordagens desnecessárias, eles são encarados como cidadãos comuns. Os escândalos estão bem longe da maneira como acontecem no Brasil. Vamos citar dois recentes: em 2010, a líder do Partido Social-Democrata, Mona Sahlin, escandalizou a sociedade ao ser fotografada portando uma bolsa Louis Vuitton no valor de 6 mil coroas suecas – o equivalente a cerca de US$ 900. A indignação foi tamanha que Mona acabou leiloando a bolsa e doando a renda a uma instituição. Outro episódio foi da ex-deputada Mikaela Valtersson, que, mesmo morando perto de uma estação de trem, resolveu pegar taxi: foram 43 vezes ao longo de um semestre, em 2011. Mikaela alegou que estava trabalhando até tarde e foi necessário recorrer a tal mordomia ao invés de utilizar o metrô.

A palavra CORRUPÇÃO não faz parte do vocabulário deles. Isto porque na Suécia o sistema e forma de governo é a monarquia parlamentarista, onde o rei exerce o poder moderador.

Numa monarquia, o rei não ganha nada com corrupção, pelo contrário, perde. Não só perde dinheiro, como perde poder. E esses fatores são poderosos motivos para que o monarca se disponha a combater pessoalmente a corrupção.

Segundo a revista Super Interessante (setembro/2014), enquanto no Brasil o salário de um deputado gira em torno de US$ 11.800 por mês, os parlamentares suecos recebem US$ 8.800. Mas diante de todos os seus gastos que englobam salário, auxilio moradia, verba de gabinete, ajuda de custo, despesas médicas, dentistas, combustível, viagens, dentre outros, um deputado brasileiro recebe mensalmente R$ 143.847,91 e um senador R$ 160.557,13. Ao final de um ano, a despesa total será de R$ 1,1 bilhão, sendo R$ 939,2 milhões gerados pelos 513 deputados e R$ 164,8 milhões pelos 81 senadores. Em média, cada deputado custa R$ 1,8 milhão por ano; a despesa anual com um senador é de R$ 2 milhões.

É possível então entender porque os candidatos utilizam de todos os artifícios para conseguirem votos. Mesmo recebendo esta fortuna, comparado ao salário do brasileiro, ainda assiste-se políticos se corrompendo, fazendo falcatruas, desviando verbas e adquirindo bens ilícitos. E o pior de tudo é que em todas as eleições, vários destes aproveitadores do dinheiro público vêm com a cara lambida pedir mais um voto sem conseguir provar nenhum projeto bacana para a população.

É certo que existem políticos sérios e comprometidos com a causa do povo, mas, levando em consideração o alto salário, diríamos que, não fazem mais do que a sua obrigação a tal ponto de não ser necessário se vangloriar com os seus atos parlamentares.

Cláudio Weber Abrano, da ONG Transparência Brasil, comenta que o combate à corrupção tem avançado no nosso país, mas lentamente. Para ele, cortar os benefícios que os políticos brasileiros recebem, tornando sua vida mais parecida com a dos deputados suecos, seria atacar apenas a ponta do iceberg. Abrano diz que colocar os políticos na linha é uma questão de vontade. E não só deles.

Quando os gregos inventaram a política e a democracia, eles se beneficiaram de algumas regalias como a elitização dos cargos, o voto diferenciado, mas muito mais longe da realidade brasileira.

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