Pedro e sua forte personalidade

A Igreja Católica celebra hoje o DIA DE SÃO PEDRO. Este apóstolo foi de uma personalidade incrível. Se alguém tivesse antecipado e repassado o perfil dele para Jesus antes da escolha, provavelmente as suas chances seriam menores. Ele era daquele tipo rude, grosseiro e meio ignorante, mas o Mestre não quis ver os seus defeitos e preferiu apostar nas suas qualidades, dentre elas a liderança. Pedro foi o primeiro papa, embora tivesse traído ao negar por três vezes que conhecia Jesus.

São Pedro nasceu na Betsaida, na Galileia. Filho de Jonas e irmão do apóstolo André, seu nome de nascimento era Simão. Pescador, trabalhava com o irmão e o pai. Por indicação de João Batista, foi levado por seu irmão André, para conhecer Jesus Cristo. No primeiro encontro Jesus o chamou de Kepha, que em aramaico significava pedra, e traduzido para o grego Petros, determinando ser ele o apóstolo escolhido para liderar os primeiros pregadores da fé cristã pelo mundo. Nessa época de seu encontro com Cristo, Pedro morava em Cafarnaum, com a família de sua mulher.

Pedro só iria abandonar tudo e seguir a Cristo no episódio que os estudiosos da Bíblia chamam de “pesca maravilhosa”, descrito com minúcias em Lc.5:1-11, quando nos é informado que Jesus foi pregar no mar da Galiléia e, como a multidão o apertava, entrou no barco de Simão e dali os ensinou. Depois da preleção, mandou que Pedro fosse para o mar alto e lançasse as redes para pescar, o que totalmente contrário à lógica, isto porque já havia pescado a noite inteira e nada haviam apanhado. Entretanto, Simão, diante desta ordem do Senhor, que nem sequer pescador era, obedeceu e houve uma grande quantidade de peixes. Simão, então, prostrou-se diante do Senhor e pediu que Se ausentasse dele pois era ele um homem pecador. Jesus, porém, disse para que Simão não temesse e o chamou para que fosse, dali em diante, pescador de homens. Foi, então, que Pedro tudo deixou e passou a seguir o Senhor.

Uma característica interessante de Pedro era a de querer sempre aprender, mesmo que com isto utilizasse o seu jeito franco de perguntar. Por diversas vezes Jesus utilizava de parábolas para ensinar os seus seguidores, o objetivo era facilitar a compreensão, mas quando terminava era surpreendido pelos membros da sua equipe, dentre eles o Pedro, com a indagação: “Mestre, o que o senhor quis dizer com esta historinha? Explique pra nós?”. Apesar de tudo o mestre viu nele capacidade de liderança e dar continuidade ao seu projeto. Foi escolhido como o chefe da cristandade aqui na terra: “E eu te digo: Tu és pedra e sobre esta pedra edificarei a minha igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela. E eu te darei as chaves do reino dos céus; e tudo o que ligares sobre a terra, será ligado também nos céus”. Convertido, despontou como líder dos doze apóstolos, foi o primeiro a perceber em Jesus o filho de Deus.

Segundo o evangelista Mateus (4,23-24), Pedro andou com Jesus durante todo o Seu ministério que durou cerca de três anos e viu muitos milagres que o Senhor operou. Ouviu inclusive o Mestre dizer: “aquele que crê em mim também fará as obras que eu faço, e as fará maiores” (Jo. 14,6). Esta fala deve ter brilhado os seus olhos, não por ser ambicioso, mas por receber de Jesus o aval para dar continuidade ao seu trabalho e em condições de fazer a diferença.

Quando Jesus estava pronto a revelar como seria a sua morte e concomitantemente a ressurreição, transfigurou-se, trazendo à tona Moisés e Elias, dois importantes profetas do Antigo Testamento, à frente de Pedro, Tiago e João. O Mestre poderia ter mostrado este espetáculo da fé para todos os discípulos, mas estes três  apóstolos foram privilegiados não porque quisesse excluir os demais, mas para comprometê-los ainda mais.

Pedro foi alertado por Jesus que ele também seria perseguido, que liderar não seria tão simples assim e que o mundo ainda não estava preparado para receber a transformação do plano de Deus. Ainda assim teria condições de fazer milagres e expulsar demônios. O livro dos Atos dos Apóstolos comenta que certa vez Pedro e João, os mesmos que assistiram a transfiguração, foram abordados por um paralítico que lhes pedia esmola, lembrando das falas do Mestre, não hesitaram e falaram com toda fé: “Ouro e prata não temos, mas o que temos de damos, em nome de Jesus Cristo, levante-te e anda!”, naquele instante o milagre aconteceu.

Quando Paulo o procurou querendo ingressar no grupo, Pedro não o aceitou. Um medo pairava no ar, antes de se converter ele era um perseguidor de cristãos e Pedro ficou cismado. Assim cada um seguiu seu caminho. Ambos chegaram a serem presos e Deus providenciava a libertação, mesmo que paredes viessem a cair.

A tradição da Igreja Católica Romana afirma que depois de passar por várias cidades, Pedro haveria sido martirizado em Roma entre 64 e 67 d.C. Desde a Reforma, teólogos e historiadores protestantes afirmaram que Pedro não teria ido a Roma e que teria sido enterrado em Alexandria, no Egito ou em Antioquia. Hoje, porém, os historiadores concordam que Pedro realmente viveu e morreu em Roma. O historiador luterano Adolf Harnack afirmou que as teses anteriores foram tendenciosas e prejudicaram o estudo sobre a vida de Pedro em Roma. Sua vida continua sendo objeto de pesquisa, mas o seu túmulo está localizado na Basílica de São Pedro, no Vaticano, o qual foi descoberto em 1950 após anos de meticulosa investigação.

Deixe uma resposta