Paz nas escolas

O governo está promovendo diversos projetos que visam a paz nas instituições de ensino. Recentemente aconteceu na cidade de São João Del Rei para todas as escolas desta superintendência o FORPAZ – Fórum Regional de Promoção da Paz Escolar e de Articulação em Rede”. Um dos objetivos foi discutir o ESTATUTO DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE, que no ano de 2015 estará completando 25 anos. Trata-se de uma preocupação generalizada que englobam sociedade, pais, profissionais da educação e alunos.

Por incrível que pareça, o tema é bastante polêmico. Há uma mistura entre direitos e deveres que no final é difícil descobrir de quem é a culpa.  A implementação integral do ECA ainda representa um desafio para todos aqueles envolvidos e comprometidos com a garantia dos direitos da população infanto-juvenil. O documento é bem conhecido da garotada que aproveita de tudo aquilo que lhe é ofertado, principalmente no relaxamento das punições, com isto muitos aprontam horrores dentro de casa, na escola e na rua. Depois cabe a sociedade adulta pagar a conta.

A essência do estatuto é muito interessante, trata-se da proteção das crianças e adolescentes dos abusos sexuais, pedofilias, agressões, dentre outros. Com a criação dos Conselhos Tutelares o documento foi mais bem respeitado e o público infanto-juvenil se viu amparado, em contrapartida muitos quesitos não foram bem interpretados acontecendo assim uma extrapolação dos direitos.

O assunto “celular em sala de aula” virou o alvo das discussões. O recolhimento destes aparelhos tem sido uma arbitrariedade da escola e os alunos por sua vez, se defendem fazendo optando pelo prazer de manuseá-lo alegando o lado cansativo das aulas. No outro canto da disputa se encontra o professor que precisa passar o conteúdo, se desdobra o mais que pode e obtém um resultado relativo, apesar das cobranças posteriores.

É triste ver o aluno enfrentar o professor. Mais triste ainda é ver o pai também desabafar dizendo que não consegue manter autoridade sobre o seu filho.  No meio da situação é possível deparar com o sistema solicitando a promoção automática e a não reprovação, mesmo que o aluno não tenha assimilado a aprendizagem.

A ligação entre aparelho celular e violência na escola está associada ao não comprometimento do aluno com os estudos. Enquanto o professor ensina, ele fica escutando música no fone de ouvido ou participando de redes sociais e ignorando o futuro e a sua necessidade de aquisição do conhecimento.

A destruição de patrimônio, o desrespeito aos profissionais da escola e a agressão aos colegas revela um novo modelo de adolescente que pensa ser o dono do pedaço. Ao ser analisado, descobre-se que em casa e nas ruas ele age da mesma forma. Por sua vez os adultos ao seu redor ficam com os pés e mãos atadas sem poder fazer nada para reverter a situação. Estes garotos que se acham apenas rebeldes, são fortes candidatos a marginalidade, enquanto se apóiam em leis criadas para defendê-los.

Outro fator que muito tem contribuído para a intensificação da violência em todos os níveis é a utilização de entorpecentes que tem deixado os jovens pirados e incontroláveis. O filósofo Sêneca já dizia: “Droga não é o mal. A droga é um composto químico. O problema começa quando pessoas tomam drogas como se fosse uma licença para poderem agir como babacas”.

A paz começa no próprio coração, depois se estende para a família, bairro, cidade, escola e enfim pelo mundo. O que muitos governantes idiotas promoveram ou ainda persistem em promover quando colocam os seus soldados para defenderem a nação e os expõem ao perigo e morte em troca de títulos e condecorações, não precisa ser imitado. O respeito ao outro deveria ser palavra de ordem em todas as constituições. O amor precisa vigorar dentro de casa para não haver carência que por sinal também influencia na não-paz dos adolescentes.

Os profissionais que trabalham com educação estão todos exaustos, não por causa do repasse de conteúdos, mas por ter que lidar com inúmeros problemas dos alunos nas escolas. Muitos chegam de casa com uma bagagem de pendências e deparam com professores que não são psicólogos, assistentes sociais, mas que precisam usar o coração para amenizar a situação.

O projeto escolar de promoção da paz é um verdadeiro desafio. Propostas de adequação dos programas para poder abordar o tema estão sendo trabalhados com o objetivo de procurar soluções. A escolha pela vida e pela paz social é uma dessas decisões importantes, pois impacta diretamente o ambiente do estudante: a sala de aula, a sua família e a comunidade. O respeito à vida humana é uma atitude essencial par o convívio em sociedade.

Encerro com uma parte da canção de Roupa Nova escolhida para ser o tema da SEMANA PELA VIDA, que acontecerá nas escolas estaduais para abordar a não violência, intitulada “PAZ”: É preciso pensar um pouco nas pessoas que ainda vêm… nas crianças. A gente tem que arrumar um jeito de deixar pra eles um lugar melhor. Para os nossos filhos e para os filhos de nossos filhos. Pense bem! Deve haver um lugar dentro do seu coração onde a paz brilhe mais que uma lembrança sem a luz que ela traz já nem se consegue mais encontrar o caminho da esperança sinta, chega o tempo de enxugar o pranto dos homens se fazendo irmão e estendendo a mão”.

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