PALAVRINHAS MÁGICAS

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Crônica de Elias Daniel de Oliveira (03/04/2016)

Um antigo hábito relacionado à educação das crianças por parte dos pais pode ser a principal ferramenta para transformar o mundo. Trata-se das PALAVRINHAS MÁGICAS! Você se lembra delas? “Muito Obrigado!”, “Com Licença!”, “Bom Dia!”, “Boa Tarde!”, “Boa Noite!”, dentre outras. Os pais mostravam aos filhos que uma boa convivência faz as pessoas mais felizes, gratas e educadas. O propósito da crônica de hoje será propor o resgate para o mundo adulto destas boas maneiras com o objetivo de fazer este mundo ficar pelo menos um pouquinho melhor.

Talvez seja por causa da pressa, da ganância, da ambição, do egoísmo e da vontade de levar vantagem em tudo que o homem tem demonstrado pouco interesse nas palavrinhas mágicas. A violência fútil e desnecessária justifica bem o não uso desta ferramenta. Por que não conversar ao invés de partir para a ignorância? Infelizmente a lei do mais forte tem sido adotada por muita gente e não deveria ser assim. Melhor seria que a força pudesse vir da mente e não do corpo físico, assim, o mais forte seria aquele que racionasse mais.

A humildade pode ser considerada a prima-irmã das palavrinhas mágicas. A pessoa humilde, mas não burra, é aquela que não altera a voz, cumprimenta as pessoas, tem sensatez e age pensando nos seus atos. Ao contrário, a pessoa que não pratica a humildade é grosseira, quer dominar a situação pela sua tonalidade de voz, força física e insensatez. Pensam elas que podem dominar o mundo com o seu olhar por cima enquanto, na concepção delas, o ser dominado fica por baixo e normalmente calado. Não sabem estes grosseiros que aqueles que raciocinam possuem mais condições de dominar a situação inteligentemente.

O que esta crônica está propondo tem muita ligação com as palavras do próprio Jesus que apresentava um mundo dominado pelas pessoas humildes, educadas e preocupadas com o seu próximo. De acordo com a Bíblia, foram poucos os momentos em que o Mestre teria perdido a paciência, talvez isto tivesse acontecido quando viu o templo se tornando um lugar de comércio, ou quando utilizou a expressão “sepulcros caiados” ou ainda quando quiseram tirar dele as crianças, nem no momento da paixão e caminho do calvário Jesus agiu de maneira grosseira.

Não custa nada e faz uma diferença enorme cumprimentar as pessoas, trocar um sorriso, pedir licença, agradecer, ser cordial e simpático. Estas virtudes valem pra todos, mais ainda pra quem trabalha diretamente com o povão, como os comerciários, funcionários públicos, atendentes, dentre outros. É bom lembrar também que usar estas ferramentas com falsidade pode acontecer um efeito contrário, ao invés de aproximar, acarretaria repulsa. É certo que alguém pode questionar o seguinte: “Mas e aqueles dias em que eu não estava bem? Bem como naqueles em que fui maltratado?”. Em se tratando de atendimento, uma coisa não pode se misturar à outra, ali, mais do que um ser humano, você é um profissional. Quanto à ignorância de alguém, é melhor você se controlar, porque quando um não quer dois não brigam. Segure o seu temperamento, porque agir sem pensar é perigoso e arrepender-se depois pode ser muito tarde.

É sabido também que tem pessoas sem condição nenhuma de praticar estes bons hábitos. Elas foram criadas em famílias autoritárias que não ensinaram esta prática e agora depois de velho parece se deparar com uma barreira que não permite nunca mudar de atitude. Mas, mesmo diante da dificuldade de ser simpática, a pessoa precisa pelo menos ser de boa convivência. O sorriso verdadeiro é na verdade um dom, não é comum a todos, mas agir com sabedoria em prol de uma sociedade melhor deveria ser regra básica.

Certa vez Padre Carlinhos, quando ainda era pároco de Bom Sucesso, contou uma historinha bem legal sobre um personagem que era muito educado, segundo ele o Seu Zé todo dia saia de seu prédio pela manhã e se dirigia a uma banca de revista para comprar o jornal e era muito educado com o vendedor, cumprimentando-o, oferecendo-lhe um sorriso, desejando-lhe um bom dia, mas o moço da banca era carrancudo, mal educado, grosseiro e não dava a mínima para o Seu Zé. Alguém, ao ver aquela cena, chamou a atenção do Seu Zé, dizendo-lhe que aquele rapaz não merecia tamanha educação, haja vista nunca corresponder. Seu Zé então disse que sempre fora educado e se sentia muito bem agindo assim e não permitiria que aquele vendedor pudesse mudar a sua maneira de ser.

O melhor caminho para mudar o futuro, seria educar bem as crianças de hoje. Elas têm uma facilidade enorme de compreender as palavrinhas mágicas e de praticá-las. Alguns pais pensam que determinadas maneiras de convivência possa acarretar a feminilidade nos seus filhos homens, mas uma coisa não tem nada a ver com outra. Pedir licença, agradecer, cumprimentar as pessoas e ser cordial, é pra ser utilizado por todos e logicamente isto não interfere em nada na opção sexual.

Enfim, fica então esta lição. Você já notou que se está feliz, parece que todo mundo também está feliz? Já percebeu que ao apontar o dedo pra alguém, seus três outros ficam voltados pra você e um para o céu? Que ganhar um sorriso verdadeiro consegue curar até doenças como a depressão? E se ficar de cara fechada o tempo todo, poderá se deparar com o repúdio e afastamento dos outros e a intensificação da sua individualidade. Assim, faça então a sua parte! Proporcione o seu ambiente um lugar bem legal para se viver!

Crônica de Elias Daniel de Oliveira (03/04/2016)

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