Os mistérios da Lua

854992-moon-wallpaper

Todas as noites a lua se faz presente no alto das nossas cabeças. Algumas vezes de maneira exuberante, outras com aparência de uma unha, com o céu nublado ela lança os seus raios pelas gretinhas das nuvens e quando chamada de nova omite-se, mas se mostra estonteante do outro lado do mundo. Astro sagrado de inspiração dos românticos e poetas, a lua já foi declarada deusa pelos povos primitivos, inclusive pelos índios brasileiros. Considerada o satélite natural da terra, a lua absorve muitos mitos e misticismos, alguns confirmados por cientistas, outros não passando de meras lendas.

854992-moon-wallpaper

Não se pode negar a sua influência sobre as marés e a natureza. A veracidade desta afirmativa está relacionada ao clima, isto porque a sua luminosidade nada mais é do que o reflexo do sol na terra. Sobre a interferência no corte de cabelos, o professor Enos Picazzio, do departamento de Astronomia do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas da Universidade de São Paulo (IGA-USP) diz que não há nenhuma prova científica de que a Lua influencie no corte de cabelo. “Se influenciasse positivamente, evitando queda ou fazendo crescer cabelo, não haveria astrônomos calvos”, brinca o professor. O dermatologista Paulo Zubaran, especializado em medicina estética e tricologia, explica que esse mito surgiu no passado. “As pessoas formularam o seguinte pensamento: se o corpo humano é constituído por 70% de água, por que não poderia sofrer também a mesma influência que a Lua exerce sobre as marés?”. A associação é errada, pois a influência deste astro sobre as marés é devida à força gravitacional, que, por ser ínfima, só se percebe quando uma massa muito grande – como os oceanos – está envolvida. Conclusão: independentemente do dia em que você corte, seu cabelo seguirá crescendo cerca de um centímetro por mês.

Os filmes de suspense adoram utilizar a lua cheia como pano de fundo. Provavelmente a relação está na condição de mistério, bastante salutar para exibir um lobo uivando, para ressaltar os voos de morcegos e salientar a ação dos vampiros sobre suas vítimas ou a transformação do lobisomem. Por outro lado, é sinônima também de romantismo. Na época boa das serenatas, os cancioneiros se esbaldavam com esta beleza vinda dos céus. Os caçadores também sempre gostaram desta lua para caçar, talvez porque a claridade pudesse facilitar o trabalho, ou mesmo porque os animais ficam mais a vontade e vulneráveis. Sendo mito ou não, as pessoas simples da roça declaram de pés juntos que a lua interfere sim na vida das pessoas. O bambu, por exemplo, coletado na lua minguante tende a durar mais. Eles afirmam também que os calos, o comportamento e dores são bastante alterados na mudança da lua. Percebe-se então um conflito entre ciência e senso comum.

A superfície lunar é basicamente constituída de rocha e recoberta por poeira fina. Os continentes são as regiões claras e brilhantes, que podem ser vistas a olho nu da Terra. Olhando por esta ótica, não há nada que possa interferir na vida íntima das pessoas na terra. Quanto à percepção de São Jorge na lua, não passa de uma coincidência de imagens, oriundos de uma lenda antiga que acabou virando crença para muita gente, o dragão (o demônio) simbolizaria a idolatria destruída com as armas da Fé. Já a donzela que o santo defendeu, representaria a província da qual ele extirpou as heresias. Diz a tradição que as manchas apresentadas pela lua representam o milagroso santo e sua espada pronto para defender aqueles que buscam sua ajuda.

Os exotéricos inspiram-se muito na filosofia lunar. Segundo eles a lua controla de maneira intensa a vida das pessoas. Na concepção deles, Deus se manifesta por intermédio da lua, assim eles possuem inúmeros rituais e considerações com enfoque para cada fase.

São Francisco de Assis preferia chama-la de IRMÃ LUA! Era uma espécie de homenagem à Santa Clara que seguiu a sua filosofia de pobreza e fundou a Fraternidade das Pobres Damas.

Certa ocasião alguém pichou uma frase bem bacana em um muro próximo à Universidade Católica em Belo Horizonte. Aquilo que até então seria sinônimo de vandalismo, virou inspiração para o tema da redação do vestibular daquele ano. Eis os dizeres: “Apague a rua que a lua está linda!”. Para os moradores de cidade grande a contemplação da lua é algo meio distante, afinal de contas a correria do dia a dia não lhe permite admirar a beleza vinda dos céus. Lembro também que certa ocasião em que eu trabalhava na capital, estava lecionando no período noturno e fiquei boquiaberto com a perfeição da lua que se apresentava pela janela no fundo da sala. A sua exuberância se assemelhava a um grande queijo canastra com todos os seus detalhes. Naquele instante, interrompi a aula e convidei os alunos para virarem para o fundo da sala e admirar também paisagem. Foi algo impressionante, eles ficaram estáticos ao admirar aquele fenômeno natural como se fosse a primeira vez que ela exibia, na verdade o agito da cidade grande é que lhes impedia de tal privilégio.

Os contos infantis arriscam dizer que a lua é namorada do sol. Pra todos os efeitos, os dois formam um par perfeito. É a sabedoria da natureza que com ou sem mistério ou misticismo, auxiliam os seres viventes a valorizar um pouco mais a vida. George Carlin dizia que, Existem noites em que os lobos ficam em silêncio, e apenas a lua uiva”.

Sendo a noite sinônima de aperto no coração, talvez solidão ou mesmo sensação de saudade do dia, utilize a lua para lhe fazer companhia, as suas noites nunca serão as mesmas.

Deixe uma resposta