O trabalhador e sua dignidade

Carteira-Trabalho-Chinelato

Ao comemorar o dia do trabalhador, bem como o seu santo protetor São José Operário, a sociedade é levada a refletir sobre o tema. O capitalismo tem oprimido as pessoas de maneira intensa, a tal ponto de não bastar viver, faz-se necessário também batalhar pela sobrivivência. A ameaça de um desemprego acarreta uma preocupação tão forte quanto a confirmação de uma doença grave. A questão do trabalho será a mola mestra da crônica de hoje.

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O termo trabalho pode ter nascido do vocábulo latino tripallium, que significa “instrumento de tortura”, e por muito tempo esteve associado à ideia de atividade penosa e torturante. É chato dizer que ele é um mal necessário, mesmo sabendo que dignifica o homem. É certo que ao trabalhar, acontece aí uma ocupação necessária para a mente, bem como a edificação da sociedade.  O que seria do mundo se as pessoas não trabalhassem? Certamente não haveria o que comer, vestir ou motivos para se viver. Se houvesse, por exemplo, um pé de dinheiro, com toda certeza todos quereriam uma mudinha e provavelmente não precisariam mais labutar, em contrapartida não teria onde consumir tamanha riqueza. Analisando este contexto, vê-se a necessidade da participação de cada um na construção da sociedade.

O que incomoda a todos é o fato de se trabalhar tanto e nem por isso ser valorizado a altura. Grande parte do salário do trabalhador é revertida em impostos, ou seja, quanto mais se trabalha, menos se recebe e o governo agradece. Se o dinheiro público fosse fielmente usado nas necessidades básicas da população, até que não haveria do que reclamar, mas o que aborrece é o alto índice de corrupção que assola o país. Enquanto o governo, diante da crise atual, arrocha de todas as formas o dinheiro do povo com aumentos diversos, não se vê falar em redução da mordomia dos políticos, em diminuição dos gastos inúteis dos legisladores e por ai vai.

São José, o pai terreno de Jesus, foi um exemplar trabalhador. No seu oficio de carpinteiro, chegou a ensinar a função ao seu filho e diante de tamanha presteza, foi considerado o protetor dos trabalhadores. Também na sua época não era nada fácil mesclar rendimento e pagamento de impostos, a exploração já existia e o povo sofria também.

Alguns historiadores revertem culpa de tudo isto ao episódio conhecido como REVOLUÇÃO INDUSTRIAL, um movimento que proporcionou o surgimento de maquinários na Inglaterra no século XVIII. Os primeiros industriários exploravam os trabalhadores com o respaldo do governo, mas antes também já havia registros de trabalhos árduos como nos tempos da servidão no Feudalismo e a própria escravidão que prosperou no Brasil por cerca de 300 anos.

As profissões do mundo atual estão atreladas à modernidade. Hoje não basta ter vontade de trabalhar, a sociedade está exigindo qualificação. Os jovens que não têm visão de futuro e permanecem sem vontade de estudar estão condenados a ser devorados pelo sistema. Até no meio rural a tecnologia já domina e no futuro os desavisados poderão não conseguir uma oportunidade de emprego neste ambiente que sempre foi a válvula de escape de fujões da escola.

Com dinheiro curto, a família toda precisa arcar com as responsabilidades das despesas. Antigamente apenas o pai trabalhava e sustentava tranquilamente a todos. Na sociedade atual os gastos aumentaram, bem como a vontade de comprar cada vez mais e se todos não forem para a lida, não será possível vencer financeiramente o mês. O lado positivo de tudo isto é o envolvimento da família no patrimônio que é de todos.

O trabalho na sociedade é comparado aos dons. Cada um oferece o seu para a plenitude da civilização. Se todos tivessem uma única aptidão, o mundo seria cambeta e uma grande deficiência pairaria no ar. Enquanto cada um desempenhar uma função diferente do outro, acontecerá ai a partilha, mesmo sob a pressão do capitalismo. Olhando por esta ótica, é possível dizer que todo trabalho tem o seu valor, desde que seja legal e justo.

Normalmente quem ganha dinheiro fácil sem ter uma profissão ou ocupação, é considerado vagabundo e alvo certo da justiça. O trabalho torna-se assim uma identificação da pessoa enquanto um ser útil à sociedade. Méritos também sejam reservados aos aposentados que trabalharam anos a fio para o crescimento da nação e hoje gozam de um benefício para sobreviverem, embora não seja este o valor ideal ou que de fato merecem. É uma pena necessitar de tantos anos para usufruir deste retorno enquanto assistimos a cenas de autoridades da política que com tão pouco tempo de efetivo exercício recebem bônus vitalícios como se fosse a coisa mais simples do mundo.

Karl Marx, um idealista crítico da Revolução Industrial, não concordava com a atitude do patrão ao não reconhecer o valor da classe trabalhadora. Ele dizia que se não fosse a mão de obra, o dono das máquinas não teria dinheiro. Ainda afirmava que se o proprietário quisesse enriquecer, bastaria ser justo com os seus empregados para que eles retribuíssem com trabalho mais eficiente, em contrapartida, a exploração poderia causar desgaste, cansaço e precária produção. As suas ideias fizeram pensar os economistas e donos das fábricas, dentre eles Henry Ford, proprietário da montadora de veículo que leva o seu nome. O sistema adotado por Henry foi chamado de FORDISMO que valorizava os trabalhadores com incentivos, gratificações, horário flexível que permitia também o descanso, folgas, dentre outros. O seu modelo foi tão elogiado, haja vista o crescimento de sua produção, que os demais industriários reviram os seus conceitos e adotaram caminhos diferentes dos que eram utilizados anteriormente.

Bom, o espaço é pouco e o tema muito amplo. Para encerrar nada melhor do que desejar a todos um FELIZ DIA DO TRABALHADOR! Seja sempre grato a Deus pelo seu trabalho, faça dele um caminho para a sua santificação e o dinheiro que receber, partilhe-o por intermédio do dízimo.Carteira-Trabalho-Chinelato

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