O TOQUE DA FÉ

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Crônica de Elias Daniel de Oliveira (19/06/2016)

Dentre tantas belíssimas passagens da Bíblia, uma delas norteará a reflexão de hoje. Trata-se do episódio onde Jesus encontrava aglomerado por uma multidão e de repente sentiu sair dele uma energia por causa de uma mulher que o havia tocado. A utilização deste texto como algo que possa transformar a realidade de hoje é o que torna sagrado os escritos bíblicos. Faz-se necessário continuar tocando em Jesus e poder usufruir cada vez mais da sua graça.

Um dos evangelistas que conta a história é Lucas no oitavo capítulo, acompanhe: “Diante de uma multidão que apertava Jesus, uma mulher, que tinha um fluxo de sangue, havia doze anos, e gastara com os médicos todos os seus haveres, e por nenhum pudera ser curada,chegando por detrás dele, tocou na orla do seu vestido, e logo estancou o fluxo do seu sangue.E disse Jesus: Quem é que me tocou? E, negando todos, disse Pedro e os que estavam com ele: Mestre, a multidão te aperta e te oprime, e dizes: Quem é que me tocou?E disse Jesus: Alguém me tocou, porque bem conheci que de mim saiu virtude.Então, vendo a mulher que não podia ocultar-se, aproximou-se tremendo e, prostrando-se ante ele, declarou-lhe diante de todo o povo a causa por que lhe havia tocado, e como logo sarara.E ele lhe disse: Tem bom ânimo, filha, a tua fé te salvou; vai em paz”.

Impressionante a fé desta mulher! Que cena linda de Jesus sentindo o toque! Que milagre grandioso a que o texto apresenta! No contexto assiste-se o caso da mulher que sofria de uma menstruação intensa que não parava de jeito nenhum. De acordo com o evangelista o sofrimento dela perdurava doze anos sem qualquer diagnóstico dos mais diversos médicos. Diante de tamanho desespero, ela viu em Jesus a sua última saída, mesmo sabendo que seria quase impossível encontrar com ele contar o seu problema. Mas a sua fé era grande e o seu desejo de ser curada era enorme, assim, não titubeou e infiltrou no meio da multidão, talvez rastejando, provavelmente fraca e encontrando forças sabe lá Deus onde, mas acreditando que aquele homem era de fato santo e poderia ajudá-la. Assim que tocou, sentiu-se curada imediatamente. O que deve ter passado no coração dela? Como agir naquele instante? Ela precisaria testemunhar aquele milagre, mas de que jeito? Até mesmo porque tocou sem sequer ver o rosto dele. Chegou pensar que poderia ganhar uma bronca por tamanha ousadia, mas preferiu ficar ali para ver como deveria agir. Neste instante Jesus dá uma pausano que estava fazendo, dá uma olhada para os lados e pergunta quem o havia tocado. Pedro, sem medir as palavras, ri de Jesus chamando-lhe a atenção: “Mestre, a multidão te aperta e te oprime, e dizes: Quem é que me tocou?”. Um milagre havia acontecido dentre tantos outros. Um bem diferente que não vinha de nenhum curioso ou aproveitador, mas de alguém que tinha uma fé admirável. Jesus então explica: “Alguém me tocou, porque bem conheci que de mim saiu uma energia, uma virtude”. Neste instante, tremendo de medo, a mulher se apresenta e conta-lhe a sua história. E o fim não poderia ter sido de outro jeito, o mestre fica satisfeito por ter proporcionado mais uma cura e elogia a fé da mulher.

Mahatma Gandhi dizia que: A fé não é algo para se entender, é um estado para se transformar”. Acreditar na misericórdia de Deus é algo que não pode faltar em ninguém. Muitos dizem ter fé e não assiste a nenhuma transformação, mas o próprio Jesus em outra passagem toca no assunto: “Em verdade vos digo que, se tiverdes fé como um grão de mostarda, direis a este monte: Passa daqui para acolá, e ele passará. Nada vos será impossível” (Mt. 17, 20). Muita gente pede uma graça, mas não entrega de coração. Confiam, desconfiando. Há outro detalhe importante, muitos pedidos que porventura possam não ser atendidos é exatamente porque Deus, que conhece muito bem os seus filhos, não acha por bem conceder. Milagres não podem ser confundidos com passe de mágica e muito menos servir de sensacionalismo. Todas as curas que Jesus proporcionava, eram concluídas com: “A sua fé te salvou, vai e não peques mais”e assim por diante. Além de aliviar os sofrimentos de quem o procurava, o principal desejo do Mestre era resgatar mais uma alma para o céu.

É possível ainda hoje tocar em Jesus da mesma forma que a mulher que foi curada. Mantenha intimidade com Deus e muitas graças serão alcançadas sem sequer precisar interceder em favor delas. Fé é isto! É não precisar agir como o Tomé, aquele discípulo que disse somente acreditar na ressurreição de Jesus se ele aparecesse de novo para poder tocar-lhe as mãos. Ter fé é poder acreditar nos assuntos que garantirão a própria salvação. É poder entender que as dificuldades da vida não quer significar derrota, abandono ou queda. Problemas todo mundo tem ou teve, inclusive o próprio Jesus que sofreu nas mãos da justiça da época que o comparou ao principal dos bandidos. A bem da verdade estes momentos de fragilidade ajudam a intensificar ainda mais a fé. Atente-se ao que disse o escritor Ernest Renan: “No fundo, sinto que a minha vida é sempre governada por uma fé que já não tenho. A fé tem isto em particular: mesmo quando desaparece, continua a agir”.

Santo Agostinho capricha nos seus dizeres quando precisa defender este tema: “Ter fé é assinar uma folha em branco e deixar que Deus nela escreva o que quiser”. Precisa dizer mais alguma coisa? Se todo mundo tiver dez por cento da fé daquela mulher que foi curada do seu fluxo intenso de sangue, o mundo seria mais interessante e as pessoas mais crentes e concomitantemente a salvação estaria garantida.

Crônica de Elias Daniel de Oliveira (19/06/2016)

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