O Santo de Assis e a Natureza

Neste dia em que se celebra o santo de Assis, a discussão sobre a natureza fica bastante salutar. No texto “Amigo da natureza”, da Revista Bons Fluidos, assim introduz a autora Melissa Diniz: Quatro de outubro é dia de São Francisco de Assis, o mestre que nos ensinou a enxergar os animais como irmãos e amar a natureza em todas as suas manifestações”. A sua simpatia pelo tema serve de inspiração para que toda a sociedade possa se conscientizar sobre a causa alem de reverter uma importância maior para ultrapassar o quesito ecologia e ver no meio ambiente um santuário que Deus depositou todo o seu propósito, conforme narrado em Gênesis.

Dizem as fontes a respeito de São Francisco de Assis: “Que alegria ele sentia diante das flores, vendo sua beleza e sentindo seu perfume! Passava imediatamente a pensar na beleza daquela flor que brotou da raiz de Jessé no tempo esplendoroso da primavera e com seu perfume ressuscitou milhares de mortos. Quando encontrava muitas flores juntas, pregava para elas e as convidava a louvar o Senhor como se fossem racionais. Da mesma maneira, convidava com muita simplicidade os trigais e as vinhas, as pedras, os bosques e tudo que há de bonito nos campos, as nascentes e tudo o que há de verde nos jardins, a terra e o fogo, o ar e o vento, para que tivessem muito amor e fossem generosamente prestativos. Afinal, chamava todas as criaturas de irmãs, e de uma maneira especial, por ninguém experimentada, descobria os segredos do coração das criaturas porque na verdade parecia já estar gozando a liberdade gloriosa dos filhos de Deus”.

 Olhar o mundo pelos olhos deste santo é enxergar a vida natural e vislumbrar com a beleza da natureza. Apreciar uma árvore, um rio, as flores, um animal, o ar, a chuva e o sol, é sentir que tudo isto não foi criado apenas para servir de paisagismo, mas para manter a sobrevivência de todo ser vivo na terra. Analisando por esta ótica é possível entender a extrema necessidade humana de cuidar do meio em que vive, não apenas para ter algo bonito para ser visto, mas para impedir a destruição daquilo que Deus fez com tanto carinho para a manutenção do ser criado.

Francisco não leu antologias poéticas, mas simplesmente amou profundamente a Natureza! Ele é Santo da Eterna Primavera! O Santo que percebia que as flores combinam explodir todas ao mesmo tempo para revelar a Onipotência de Deus, tão assim Belo, Poderoso e Simples! Em Francisco, o espírito que fraterniza é o espírito que personaliza, que vê, sente, cheira e colhe. Dos detalhes pequenos aos grandiosos, para Francisco de Assis a vida é uma revelação sagrada.

Assistindo cenas como esvaziamento dos rios, aprisionamento de animais, aquecimento global, desmatamento, destruição predatória, poluição desvairada, dentre outros, a filosofia franciscana fica extremamente comprometida e o ser humano atolando numa desgraça natural provocada por ele mesmo. Muitas doenças alérgicas e relacionadas ao clima atual têm atormentado o homem que reserva os seus olhares apenas para a tecnologia, modernidade e comodidade artificial em detrimento do aproveitamento do ar puro, valorização da natureza, beleza dos rios e consciência ecológica.

A última vez que aconteceu uma seca como esta foi a mais ou menos 84 anos atrás. Naquela ocasião existiam menos pessoas, menos tecnologia, menos poluição e ainda assim os nossos antepassados sofreram com a escassez de água. Uma preocupação se concentra nos próximos 84 anos, se hoje a situação está complicada, imaginem no futuro? A nova geração vai sofrer e queixar da nossa incompreensão da mesma forma que assim também queixamos do povo do passado.

Segundo estudos da UFLA, o lençol freático na região está abaixo cerca de seis metros e isto é preocupante. A necessidade de chuva abundante é urgente e o homem pode usar todos os seus recursos tecnológicos para fazer o que quiser debaixo da terra, mas não conseguirá nunca inventar alguma coisa para fazer cair água do céu no momento que desejar. A natureza é independente e o homem tem que reverenciá-la se quiser se beneficiar dos seus préstimos.

O titulo fornecido a São Francisco de Assis como protetor dos animais e amante da natureza está associado ao seu reconhecimento às outras criaturas de Deus. Assim, o santo de Assis diviniza o meio em que vive percebendo-se parte dele. Esta mesma prática de divinização da natureza já era comum entre os gregos bem antes de Jesus Cristo. Na Grécia antiga bem como no Egito e em Roma, o mar, o vento, o ar, a chuva, o sol e tudo mais que a mundo natural oferecia, era reconhecido como um deus com direito a cultos, reverência e uma intimidade muito grande com as pessoas. Estes deuses cobravam, ajudavam e deixavam clara a necessidade de obediência e respeito do homem para com eles.

São Francisco, em sua oração, pedia assim a Deus: “Senhor, fazei-me instrumento de vossa paz!”. É como se dissesse: “Senhor, ajude-me a viver e compreender a paz. Não a paz que o mundo dá, mas aquela que oferecida dos céus. A paz com a humanidade, comigo mesmo e fundamentalmente com a natureza. Sei, Senhor, que a natureza não é vingativa, mas se ela não contar com a minha paz, com o meu desejo de paz, de harmonia, respeito e reconhecimento, ela nada poderá fazer para me ajudar. Que esta paz, Senhor, invada o meu coração e o meu entendimento e que eu e a natureza nos unamos para te louvar incessantemente, Amém!”.

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