O piscar dos olhos de Deus

Certa vez alguém citou uma frase bastante sábia: “O homem não passa do piscar dos olhos de Deus”. Já passou da hora do reconhecimento desta subalternidade. Em momento algum ele pode achar-se superior ao seu criador. É possível fazer uma associação entre a pessoa de Deus e a natureza. O que a humanidade está vivendo no momento é um grande exemplo para a compreensão da sua inferioridade em relação ao meio ambiente e concomitantemente aos assuntos celestes.

Com milhões de anos de avanços, descobertas e conquistas, o homem ainda não conseguiu domesticar a natureza. Pelas suas análises consegue ver, entender e explicar tudo, mas não está na sua alçada interferir. Para melhor entender estas palavras, basta acompanhar esta estiagem prolongada que assola o sudeste do Brasil. Os cientistas e metereologistas já chegaram à conclusão que se trata de uma massa de ar quente que está sobre esta região e que está provocando o afastamento das chuvas, no entanto não conseguem fazer nada para mudar o rumo das coisas.

Com a escassez da água doce e vendo no mar uma grande quantidade dela salgada, o homem já tentou de todas as formas a dessalinização e ainda não obteve sucesso. Ele consegue desviar um rio, mas não tirar água da pedra por meios científicos. Enfim, o homem continua a mercê da natureza e dos propósitos de Deus.

O que mais contraria é que muitos se recusam a aceitar esta condição de subalternidade. A dependência também da natureza é uma realidade imutável. Enquanto não aceitar que deve respeitar o meio ambiente, o homem certamente vai sofrer demasiadamente os efeitos do seu orgulho.

Inspirando mais uma vez na pedra no caminho de Carlos Drummond de Andrade que o fez pensar e valorizar ainda mais a vida, a cena a que todos estão assistindo com a falta de água está fazendo toda a humanidade refletir a respeito. O homem somente valoriza o seu pé quando uma minúscula pedrinha começa a lhe atormentar dentro do sapato. Outra comparação, o ser humano somente compreende a necessidade de se cuidar quando a doença bate à porta. Assim, o que está acontecendo em relação à água está fazendo o consumidor pensar ainda mais. Todos estão agindo com uma vigilância redobrada não desperdiçando este bem precioso, tal como vigiando vizinhos inconsequentes.

Talvez seja um teste da própria natureza para fazer o homem cair em si. Infelizmente ele somente vai entender sendo penalizado pela sua própria displicência. É mais ou menos parecido com o fumante inveterado, todo mundo lhe diz que o cigarro ainda poderá lhe matar e ele ignora até no momento em que é hospitalizado em estado grave diante de um infarto. A sua consciência do ato somente acontece quando o médico lhe diz: ou você pára de fumar ou de fato vai morrer. Assim, no sufoco e no medo, passa a ser um ex-fumante.

Com a alternância no fornecimento de água, os consumidores já estão sentido na pele a gravidade da situação. Pode até ser que a empresa fornecedora possua um plano B, mas a população já está fazendo a sua parte. É certo que mais cedo ou mais tarde a chuva chegará e acontecerá a normalização, mas a lição permanecerá, a da necessidade de cuidado por parte de todo mundo.

Outro fator que já citamos em outras crônicas é a respeito do esvaziamento dos rios. São cenas tristes que os jornais e as redes sociais exibem a todo o momento. Uma noticia de âmbito mundial provocou um susto generalizado, foi quanto à morte de nascentes do Rio São Francisco. Pra quem não conhece, O Rio São Francisco é um dos mais importantes cursos d’água do Brasil e de toda a América do Sul. Sua nascente está localizada na Serra da Canastra, no município de São Roque de Minas. O rio também atravessa o estado da Bahia, fazendo sua divisa ao norte com Pernambuco, bem como constituindo a divisa natural dos estados de Sergipe e Alagoas, e, por fim, deságua no Oceano Atlântico, drenando uma área de aproximadamente 641 000 km². Seu comprimento medido a partir da nascente histórica é de 2 814 km, mas chega a 2 863 km quando medido ao longo do trecho geográfico. Se acontecer a sua morte definitiva, morrerá também muitas pessoas e vegetação que são dependentes deste extenso rio.

A revista virtual do departamento de geografia da USP apresentou a seguinte observação para o enriquecimento do nosso tema: ”Apesar dos avanços tecnológicos a sociedade ainda não conseguiu tornar-se independente dos recursos naturais. Desde a fase primitiva, quando o homem tinha uma relação de dependência total, a natureza era vista como fonte de alimento. Depois, o homem adquire o hábito sedentário, criando novas habilidades tecnológicas, no intuito de dominar progressivamente a natureza. Entretanto, as sociedades evoluíram, sendo que o grande problema da civilização moderna, industrial e tecnológica é, talvez, não ter percebido a dependência com a natureza. Em busca do rompimento desta dependência as sociedades, baseadas no seu modo de produção, apresentaram vários discursos ambientais. Nesse contexto são apresentados os conceitos da relação natureza/natural e homem/sociedade e alguns discursos como: da crise ambiental, dos ecologistas, do ecodesenvolvimento, da natureza como patrimônio de todos, do medo ecológico e da Universidade”.

Para fechar o tema de hoje, o grupo musica Jeito Moleque deixa o seu recado: “Seja uma pessoa consciente, plante em sua mente uma semente de amor, de amor… Tenha uma atitude inteligente preserve sua vida e o meio ambiente vai sobreviver, vai agradecer, vai agradecer… Pode acreditar, somos filhos da mãe natureza. Pra viver é preciso cuidar e cuidar! Não deixem que o mal da destruição acabe com o verde pro nosso bem. É vital tudo que for natural”.

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