O MENSAGEIRO DAS EMOÇÕES

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Crônica de Elias Daniel de Oliveira (24/01/2016)

No dia 25 de janeiro comemora-se o dia do carteiro. Este personagem que no passado parecia ser muito mais amado do que hoje ainda não perdeu o seu brio. A justificativa vem do fato de que antes ele era responsável pela entrega das cartas que transmitiam notícias das famílias, declarações de amor e muito mais. Hoje, com o mundo moderno, este profissional continua visitando os lares, mas entregando não somente contas e encomendas, mas contas a pagar. Mas ainda assim ele merece esta homenagem levando em consideração a sua importância.
Os gregos na antiguidade adoravam inúmeros deuses, um deles era o HERMES. Ele era considerado o mensageiro divino. Cabia a ele intermediar a comunicação dos deuses com os seres humanos. Esta função o tornava extremamente apreciado. Alem de mensageiro, Hermes era também deus dos pesos e medidas, dos pastores, dos oradores, dos poetas, do atletismo, do comércio, das estradas e viagens e das invenções. Era considerado, na Grécia Antiga, o patrono dos diplomatas, dos comerciantes, da ginástica e dos astrônomos. Os gregos viam uma grande ligação entre comunicar-se e sentir prazer nesta prática. Para eles, o poeta, os oradores e atletas se comunicavam com a sua atividade.
Ao homenagear os carteiros, a humanidade fica devendo pra eles este reconhecimento da sua importância em representar uma empresa que proporciona esta comunicação a longa distância. Antigamente o telégrafo ajudava nas notícias urgentes através dos telegramas. As cartas viajavam quilômetros, mas estes competentes profissionais não mediam esforços para entregá-las no seu destino. Geralmente enfrentavam cachorros, chuvas, ruas sem identificação e muita dificuldade, mas cumpriam com muita responsabilidade o seu dever. É lógico que os carteiros atuais ainda exercem com muita seriedade o seu trabalho, mas, os tempos são outros e aquele antigo glamour ficou na história.
As correspondências foram substituídas pelas facilidades do mundo atual. Hoje para se comunicar as pessoas utilizam os aparelhos telefônicos, celulares, emails, redes sociais e inúmeros meios tecnológicos de forma que os correios foram obrigados a expandir a sua serventia para não correr o risco de entrar em falência. Assim, as pessoas recorrem àquela repartição para pagar contas, fazer movimentação bancária e exportar mercadorias. Aqui em Bom Sucesso ainda tem uma caixa de correio logo na entrada para as pessoas colocarem os seus envelopes já selados. No fundo este importante objeto do passado passou a fazer companhia para os velhos orelhões que acolhem os telefones públicos. Todos eles ainda funcionam, mas chega a ser desconhecido pelos mais novos.
Apesar de tudo, no Brasil ainda tem mais de 60 mil homens e mulheres com seu tradicional uniforme azul e amarelo que atuam na função pelos Correios em todos os municípios brasileiros, entregando aproximadamente 40 milhões de objetos diariamente. Percebe-se que, embora algumas pesquisas aleguem que esta profissão está na lista das extinções, ela ainda é importante. Hoje já não andam somente a pé, mas utilizam bicicletas, motos, veículos e caminhões. São os HERMES que continuam com a sua árdua tarefa de aproximar as pessoas por intermédio do seu trabalho.
Um filme bastante inspirador, por nome “O carteiro e o Poeta”, narra uma belíssima história da cumplicidade entre um entregador de cartas e um escritor de Poesias. Na trama, Mario (Massimo Troisi) é um carteiro que, ao fazer amizade com o grande poeta Pablo Neruda (então exilado político), vira seu carteiro particular e acredita que ele pode se tornar seu cúmplice para conquistar o coração de uma donzela. Descobre, assim, a poesia que sempre existiu em si, assemelhando-se às descobertas de verdade pelos meios dialéticos de Sócrates-Platão. O filme se passa em uma ilha na costa italiana. Massimo Troisi, que morreu aos 41 anos horas após o término das filmagens, não pôde ver o enorme reconhecimento mundial que o filme teve com as cinco indicações para o Oscar, incluindo Melhor Filme, Diretor e Ator, em 1995.
Partindo já para o encerramento, nos apoiemos nos dizeres do escritor Andre Saut quando desabafava: “Antes esperávamos o carteiro trazer notícias, fotografias e declarações de amor em envelopes gordos de conteúdos ou magrinhos de saudades. Hoje é tudo feito por e-mail, acho que até a saudade chega antes mesmo que possamos senti-la. As fotos já não são reveladas, elas são expostas. As declarações de amor são públicas, até as coisas mais privadas acho que já foram privatizadas. Ainda bem que nossos sonhos e secretos pensamentos ainda não são on-line”.

Crônica de Elias Daniel de Oliveira (24/01/2016)

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