O grito das ruas

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O domingo do dia 15 de março entrará para a história do Brasil. Nele o povo foi para as ruas mostrar a sua indignação ao governo no momento em que a nação se encontra à beira de um caos. Segundo os especialistas, esta movimentação é um símbolo perfeito de democracia. Não estando satisfeito, o povo vai pra rua e mostra o seu valor e necessidade de atenção.

Várias reflexões podem ser feitas com este tema. Um deles a da força das redes sociais. Já não são mais necessários cartazes, publicação na mídia, anúncios móveis, dentre outros. Hoje, o compartilhamento, seguido das curtições, confirma o convite à mobilização.  Desta forma, o Brasil inteiro e várias nações pelo mundo se uniram em prol desta causa.

IMG-20150315-WA0000É muito bonito ver o povo unido, vestido com as cores do Brasil, fazer uma movimentação pacífica e incomodar as autoridades políticas que pensavam que os brasileiros estavam concordando com a sua maneira de governar.

Tudo bem que o país se encontra numa situação delicada e que seria pertinente todo mundo arcar com a situação, mas o que incomoda os brasileiros é a incoerência no que concerne aos gastos públicos. O salário não subiu nem cem reais, outros setores não aumentou nem um centavo sequer, no entanto o combustível, a energia elétrica, os gêneros alimentícios e quase todos os produtos subiram assustadoramente. Por sua vez o governo não reduziu os seus gastos, aumentou o número de ministros, a Assembleia de Minas votou o auxilio moradia, inclusive para os parlamentares que moram em Belo Horizonte, enfim, o corte só serviu para o lado mais fraco.

O rombo da Petrobrás ficou também para o povo pagar. Como diz o jornalista Boris Casoi: “ISTO É UMA VERGONHA!!!”. Em se tratando de combustível, o aumento foi sem dó e para mostrar que o governo não tem a mínima consideração com os consumidores, ampliou a quantidade de álcool na gasolina comprometendo os veículos não-flex, tudo isto para não reduzir o valor do etanol que está sobrando nas distribuidoras.

Há quem diga que foi necessária a alteração nos valores para evitar a falência da nação. Mas, se o país estava sem dinheiro, por que perdoou a FIFA de pagar impostos no pós-copa? Por que gastou tanto com estádios que seriam inúteis depois que terminasse o campeonato mundial? Por que na campanha eleitoral a então candidata e atual presidenta garantiu aos brasileiros que o país estava muito bem e assim que terminaram as eleições o balde derramou? Estaria ela mentindo? Ou tratava-se apenas de um jogo político?

Sobre a crítica ao sistema podre de governo, a presidenta disse em depoimento que a corrupção é uma senhora idosa que funciona e sempre funcionou em todos os tempos e setores, inclusive no privado. Mesmo querendo dizer a verdade, ela não foi feliz na colocação, isto porque esta maneira ilícita de ganhar dinheiro precisa ser combatida a unhas e dentes e não ser encarada como algo normal.

Como no domingo a mobilização seria de grandes proporções, na sexta do dia 13 de março os adeptos da presidente foram onerados pelos partidos de situação, sindicatos e organizações pró-Dilma e foram pra rua. A diferença de público foi assustadora.  Pelo menos o governo com seus ministros pode ver que o povo quer uma explicação.

O jornal “Super Notícias” do dia 13 de março apresentou uma matéria sobre os super salários e mordomias dos deputados, senadores e pessoal do executivo. Nota-se que pra eles não existe crise alguma. Eles estão pouco se lixando se o combustível aumentou, pois pra eles é de graça. Eles ignoram o valor dos alugueis por possuírem residências oficiais pagas pelos próprios contribuintes.

Foi engraçado quando a presidente comentou sobre o movimento dizendo que bateu saudades da época em que ela participou das passeatas em favor das diretas-já. Segundo ela, isto é democracia, o povo precisa mesmo ir pra rua e mostrar a sua indignação, mas me permita perguntar: Será que a presidenta não percebeu que o alvo agora seria ela? Ela pode até conseguir a não falência da nação enquanto país, mas enquanto povo, a decadência financeira é crucial.

Os defensores do atual sistema alegam que se o candidato que ficou em segundo lugar tivesse ganhado, provavelmente estaria assim também ou pior. Tenho plena convicção disso, mas chego a acreditar que o povo aceitaria mais. Um governo diferente que entra no poder geralmente encontra a casa bagunçada e gasta certo tempo para por as coisas em ordem. O estranho desta crise é que a atual presidente já estava no poder a quatro anos, depois de oito do seu antecessor que compartilha a mesma maneira de governar, no entanto ela não fez nada para evitar a crise. Nas nossas casas quando o dinheiro vai atrasar ou mesmo faltar, todos nós preparamos antecipadamente os membros da família solicitando a colaboração de todos com racionamento, cortes, compreensão e sérias mudanças até que tudo volte à normalidade, por que será que no governo não aconteceu assim também?

Encerro este polêmico tema inspirando no filósofo chinês Confúcio, há 500 anos antes de Jesus Cristo: “Um governo é bom quando faz felizes os que sob ele vivem e atrai os que vivem longe”.

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