O Folclore que nos guia

O folclore será o foco da reflexão de hoje. A sua comemoração acontece no dia 22 de agosto e podemos defini-lo como um conjunto de mitos e lendas que as pessoas passam de geração para geração. Há quem queira confundi-lo com pecado, misticismo, mentira ou algo vazio e indiferente, mas ao voltar a atenção para o quesito Cultura, o folclore passa a atuar como um alicerce que sustenta a sociedade.

Hoje diante de tanta modernidade, mídia intelectualizada e um povo mais consciente, as lendas e os mitos viraram temas do passado, mas antigamente era a ferramenta das mães para pegar pesado com os seus filhos. Como na Grécia antiga que explicava a sociedade pelos mitos, as lendas do nosso passado também tinham uma função muito semelhante.

O grande escritor Monteiro Lobato soube explorar bem o folclore brasileiro através de sua grande obra O SITIO DO PICAPAU AMARELO. Numa fazenda simples os mais variados personagens do imaginário infantil ganhavam vida para estimular a inteligência dos seus apreciadores.

Cultura é isto. Dá um brilho diferente à sociedade. Ajuda a fugir da formalidade do dia a dia e mesmo que digamos que seja tudo besteira, acreditamos que um dia aconteceu ou pode vir a acontecer.

Boitatá, Curupita, Boto, Lobisomem, Mãe d’água, Mula sem Cabeça, Saci Pererê, Bicho Papão, dentre outros podem até não ter existido, mas é possível achar muita gente que jura de pé junto que eles já foram ou são reais. Cada um deles tem uma história e adoram assustar os distraídos. O período em que mais se destacam é na quaresma, mas em outras épocas também não perdem o seu brio.

A palavra folclore é de origem inglesa. O termo “folk”, em inglês, significa povo, enquanto “lore” significa cultura. Assim, a tradução do significado fica por CULTURA DO POVO. Todas as histórias são contadas em qualquer lugar deste país e ninguém sabe quem a iniciou. Geralmente alguém do meio rural sai contando os seus causos que dependendo do susto ocasionado vira folclore e por sua vez cultura, alterando o dia a dia das pessoas.

O Sítio do Picapau Amarelo citado a pouco, tinha como roteiro não permitir que as crianças tivessem medo dos seres lendários apresentados naquela obra literária. Lá o saci, por mais travesso que fosse, era um garoto carente que desejava fazer amizades. A Cuca era uma bruxa em forma de jacaré que não saia da sua caverna e muito se divertia com o que fazia. Desta forma as crianças apreciavam a obra e aprendiam que os mitos do cotidiano não são monstros, mas desafios a serem superados.

Curioso é a MULA-SEM-CABEÇA, ela tem forma de assombração de uma mulher que foi amaldiçoada  e condenada a se transformar em uma criatura descrita como tendo a forma de um equino sem a cabeça que cuspia fogo. Ela galopa pelo campo do entardecer de quinta-feira ao amanhecer de sexta-feira. Sem querer apimentar a discussão, mas como é que ela soltava fogo pela boa se não tinha cabeça? No imaginário infantil isto pouco importa. Esta preocupação fica pra nós adultos.

Muitas músicas infantis originaram do folclore brasileiro. Mesmo citando algum personagem que aparentemente devesse causar arrepios, nestas canções elas tendiam a ninar as crianças ou mesmo fazê-las compreenderem o mundo ou mesmo não permitir que elas pudessem ter medo de alguma coisa.

O folclore também influencia nas frases que fazem parte da nossa vida. Algumas delas são conhecidas como ditos populares e normalmente se apóiam em uma verdade ou tendem a nos alertar de alguma coisa, por exemplo: ÁGUA MOLE EM PEDRA DURA, TANTO BATE ATÉ QUE FURA! Isto significa que por mais cabeça dura que você seja, um dia mudará de opinião por causa da interferência do meio em que vive.

O escritor Nildo Lage disse certa vez que, A cultura de um povo é o seu maior patrimônio.
Preservá-la é resgatar a história, perpetuar valores, é permitir que as novas gerações não vivam sob as trevas do anonimato”.

A superstição também é folclore. É pobreza de espírito quem, ao invés de admirar, curtir e se divertir, leva tão a sério que evitam fazer algumas coisas por medo de serem prejudicados e enfeitiçados. Na verdade os acontecimentos estão muito associados ao que a mente direciona, assim se você acredita, certamente vai acontecer.

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