O BRILHANTISMO DAS FESTAS DO INTERIOR

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Crônica de Elias Daniel de Oliveira (06/09/2015)

Uma das belas características das cidades do interior é o período de festas. Várias músicas sertanejas revelam a alegria da família do sertão que nestas épocas vestem as roupas mais bonitas e se dirigem à cidade para acompanhar a procissão e participar dos festejos. Os grandes centros não têm a mínima condição de usufruir destes momentos onde parece acontecer uma confraternização dos cidadãos que se unem em prol de uma única causa.

A cidade de Bom Sucesso amplia ainda mais os seus motivos de festa. Além da celebração da padroeira, a prefeitura aproveita para comemorar o dia da cidade, embora a verdadeira data seja em dezembro. Neste 2015 os dias de festa até ampliaram com o feriado caindo na segunda feira e o da cidade na terça. A paróquia ainda resolveu antecipar os festejos promovendo uma linda quermesse muito bem organizada com shows todos os dias e intensificando a confraternização dos festeiros.

Padre Zezinho tem uma linda canção que mostra este brilhantismo, ela se chama: “DE LÁ DO INTERIOR”, assim expressa o autor: “Eu vim de lá do interior, aonde a religião ainda é importante. Lá se alguém passa em frente da matriz, se benze e pensa em Deus e não sente vergonha de ter fé. Eu vim de lá do interior e sei que a religião já não influi mais tanto nas pessoas. Sei que a televisão, o rádio e o jornal convencem mais cabeças do que o padre lá no altar. Mas deixa eu lhe dizer, que eu ainda creio e quero crer que sem religião não sei viver. Não sei viver, não sei viver”. Durante toda a música ele mostra como esta beleza social falta nas cidades grandes. As apresentações em praças públicas, as barraquinhas, a religiosidade, tudo isto é carregado de um brilhantismo ímpar que ajuda na interatividade das pessoas.

O mundo da cidade grande é bastante individualizado. Cada família vive o seu momento e espaço e quando se encontram apóiam-se nas lembranças dos tempos que viviam no interior. A fuga para os grandes centros é exatamente para o aproveitamento das oportunidades, caso contrário, quase todo mundo preferiria continuar morando nas cidades pequenas por causa deste brilhantismo e simpatia. Ainda esticando o assunto, estas pessoas acabam voltando algum dia.

Há pouco foi comentado que o aniversário da cidade é em dezembro e que para o aproveitamento da data, colocaram a comemoração no mesmo dia da festa da padroeira. Assim, há desperdício de um feriado em Bom Sucesso. Toda cidade tem o direito de feriado para estas duas festas e aqui acontece apenas um. Esta tradição é bem antiga e antes era abrilhantada com apresentações no Parque de Exposição que o tempo fez apagar. Com exceção para este ano que de maneira independente está retomando os velhos rodeios e provocando a lembrança dos saudosistas.

Na festa da padroeira também convém reservar aplausos para os padres e organizadores. De uns tempos pra cá os fiéis têm marcado presença e lotando a igreja nas novenas, missas e procissão. Uma das crônicas em que comentava os santos padroeiros das capelas da cidade mostrava que a festa de Nossa Senhora Aparecida tinha um público maior do que a da padroeira. É lógico que se trata da mesma pessoa, apenas com títulos diferentes, mas a participação estava de fato fraca nas celebrações de Nossa Senhora do Bom Sucesso, o que mudou bastante com o empenho de todos.

Neste ano a Paróquia de Nossa Senhora do Bom Sucesso está celebrando 190 anos de instalação, enquanto a cidade está comemorando 142 de emancipação política. Levando em consideração a religiosidade e a lenda que fez surgir a cidade, Nossa Senhora é mãe deste povo desde 1744. Com tamanha proteção, Bom Sucesso é uma cidade acolhedora, agradável, de gente bonita, clima gostoso e de pessoas inteligentes. É claro que também enfrenta inúmeros problemas, mas qual lugar neste mundão de meu Deus que não passa por dificuldades sociais? Melhor assim, porque se aqui fosse o paraíso, todos quereriam mudar pra cá e como o ser humano é demasiadamente complicado acabaria destruindo esta beleza social e natural.

Voltando ao tema central, mais precisamente à quermesse na praça da matriz, elogios sejam reservados àquele evento. Quando foi anunciado que seria uma semana de festa, todo mundo assustou e pensou que seria muito pesado e desnecessário, mas este estereótipo foi mudado com a festa em andamento. Houve um envolvimento de todos os movimentos paroquiais que também se beneficiaram com a arrecadação. Foi um evento para as famílias, onde usufruíam da beleza daquela praça debaixo de uma lua escultural, saboreando diversos alimentos feitos com muito carinho, participando de um bingo beneficente e curtindo shows de excelente bom gosto todos os dias.

O brilhantismo das festas do interior ou mesmo das que aconteciam no passado precisam ensinar ao povo a simpatia de assistir a um show com ética, respeito e alegria. Parece que as pessoas de hoje não sabem mais divertir. Algumas pensam que bebendo muito ou fazendo uso de entorpecentes é o que faz a festa ficar boa. Mero engano. Gente assim não age com prudência e estão aptas a provocar violência ou vexame, sem contar que não aproveita a festa ou, de repente, a beleza da apresentação musical.

Parabéns Bom Sucesso! Parabéns Paróquia de Nossa Senhora do Bom Sucesso! Parabéns bom-sucessenses e visitantes! Parabéns a quem consegue ver o brilhantismo nestas modalidades de festas!  Que a paz continue reinando em todos os corações e que a alegria nunca dê lugar para a tristeza!!!

Crônica de Elias Daniel de Oliveira (06/09/2015)

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