MESCLANDO TECNOLOGIA E HUMANIDADE

Crônica de Elias Daniel de Oliveira (29/10/2016)

Como em um piscar de olhos, o mundo moderno parece que surgiu com um clique. Se por acaso uma pessoa tivesse entrado num sono profundo vinte anos atrás e de repentedespertasse nos dias de hoje, provavelmente levaria um grande susto com a maneira como as pessoas estão lidando com as máquinas, fundamentalmente os celulares. Esta reflexão norteará o tema desta crônica, não com o objetivo de julgar, condenar ou ser tradicional, mas analisar como será o futuro em se tratando de mecanização do ser humano.

14885797_1150437265050413_1144121076_nA real história do telefone móvel, também conhecido como celular, começou em 1973, quando foi efetuada a primeira chamada de um telefone móvel para um telefone fixo. Foi a partir de abril de 1973 que todas as teorias comprovaram que o celular funcionava perfeitamente, e que a rede de telefonia celular sugerida em 1947 foi projetada de maneira correta. Este foi um momento não muito conhecido, mas certamente foi um fato marcado para sempre e que mudou totalmente a história do mundo.

Vários fabricantes fizeram testes entre o ano de 1947 e 1973, contudo a primeira empresa que mostrou um aparelho funcionando foi a Motorola. A primeira geração da telefonia celular se iniciava com celulares não tão portáteis, tanto que a maioria era desenvolvida para instalação em carros. A maioria dos celulares pesava em média 1 kg e tinha dimensões absurdas de quase 30 centímetros de altura. Claro, isso era apenas o começo, sendo que a tendência era a redução no tamanho físico e o aumento de funções. O preço dos celulares evidentemente era astronômico, até porque, nem todo mundo tinha um carro para poder carregar estes “trambolhos”.

Hoje este aparelho possui funções que provavelmente nem os seus criadores imaginariam. Diga-se de passagem, que tudo o que você precisa em se tratando de comunicação ele pode lhe ser útil. Isto foi possível depois que ele deixou de ser apenas um aparelho telefônico e se tornou um computador portátil com acesso à internet. É difícil calcular o número de unidades no mundo atualmente, isto por causa da alta rotatividade, opções de marcas planos e serviços. Para se ter uma ideia, em 1989 existiam quatro milhões de assinantes do serviço móvel em todo o mundo. Em 2009 o número foi para 4,6 bilhões, a caminho de seis bilhões antecipados para 2013. Segundo a União Internacional de Telecomunicações, “o telefone móvel foi a tecnologia mais rapidamente adotada de toda história” de acordo com informações da Wikipédia.

É possível afirmar que o telefone celular não apresenta riscos ao meio ambiente, pelo contrário, em muitos casos substituem os transportes, grandes emissores de gases de efeito estufa. O único problema que os smartphones apresentam atualmente é a incontrolável dependência do seu usuário, uma prova disso é o frequente uso em salas de aula de várias instituições de ensino, mesmo sendo proibido em quase todo Brasil. Apesar do vício que o celular causou em escala global, atualmente, é impossível pensar como seria a vida sem esse aparelho. A crescente necessidade por informações faz o celular indispensável a qualquer atividade profissional.

As câmeras fotográficas instantâneas têm ajudado muito nas investigações policiais e registrado com mais precisão o cotidiano das pessoas. A deflagração de momentos particulares tem sido positiva como também negativa, haja vista a invasão de privacidade que pode ocasionar processos judiciais e grandes complicações para os paparazzis amadores. Normalmente registram-se de tudo. Desde natureza, como festas, fatos, situações inusitadas, eventos e qualquer coisa que entrar na frente. Se as antigas máquinas fotográficas não tivessem se adaptado, provavelmente entrariam numa decadência súbita. O velho hábito de fotografar com filmes de 12, 24 e 36 poses e depois enviar para a revelação virou sucata do passado, que muitos adolescentes nunca imaginariam que isto pudesse ter existido.

Para os pais que ficavam sem saber onde estavam os seus filhos quando iam para a balada, pode hoje contar não somente com o fato de ligar, mas rastrear também. Com o uso das redes sociais, tudo ficou mais perto e fácil, desde o bom dia inicial como informações sérias, humor, brincadeiras e por ai vai. Mas, como nem tudo são flores, os problemas desta comodidade são nítidos, como se tornar um vício incontrolável, causar desencontros, desconfianças, brincadeiras desnecessárias e abusivas, dentre outros.

Albert Einstein que era um cientista com visões futuristas e autor de diversas fórmulas que alteraram a vida de todo mundo, disse certa vez a seguinte frase: Tornou-se chocantemente óbvio que a nossa tecnologia excedeu a nossa humanidade”. Vejam que, embora ele trabalhasse em prol da modernidade, lhe chocava o fato dos seres humanos entrarem em decadência por causa das parafernálias do mundo moderno. Esta preocupação é importante, porque a criação não pode ultrapassar o seu criador, assim, o convívio entre o usuário e os celulares poderia se limitar à comunicação, entretenimento, informação, mas nunca aos assuntos relacionados ao coração, sentimentos, religiosidade e humanidade.

Do lado dos otimistas, ainda e possível encontrar alguém que acredite no ser humano, como o historiador britânico Arnold Toynbee que disse: “Estou convencido que nem a ciência nem a tecnologia podem satisfazer as necessidades espirituais a que todas as possíveis religiões procuram atender”.

Enfim, para encerrar, cai bem se apoiar no saudoso Charles Chaplin quando dizia: “Não sois máquinas, homens é que sois”. Já que não se pode navegar contra a correnteza, o homem precisa pelo menos mesclar os seus hábitos, como usufruir da tecnologia sem, contudo,  jogar por terra os sentimentos que lhe garante a sobrevivência.

Crônica de Elias Daniel de Oliveira (29/10/2016)

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