MAL DO SÉCULO

_20151202_154202

 

Crônica de Elias Daniel de Oliveira (29/11/2015)

A Organização Mundial da Saúde (OMS) propôs o primeiro de dezembro como o DIA MUNDIAL DE COMBATE À AIDS. Por mais que possa ser dito, este tema nunca se esgota. Os números de casos continuam altos e só não são tão divulgados para preservar a identidade do infectado. Não precisa ir longe para conseguir exemplos, bem perto de nós é possível encontrar pessoas que sofrem deste mal ou mesmo já faleceram.
O número de casos novos está diminuindo no mundo, mas no Brasil preocupa o crescimento da doença entre os jovens. É o que mostra o relatório anual da UNAIDS, programa das Nações Unidas sobre HIV. Apesar do crescimento da doença entre os jovens, o relatório tem dados positivos. De 2000 a 2014, o número de infecções no mundo caiu 35% e passou de 3,1 milhões para dois milhões no ano passado. O número de mortes também caiu 41% nesses 15 anos. A meta agora é permitir que a maior parte das pessoas tenha acesso aos exames e ao tratamento que diminui a carga viral. Hoje, a estimativa é que 36,9 milhões de pessoas em todo o mundo vivam com o vírus HIV, mas só metade delas, 54% sabe. Daí a importância de fazer o exame o quanto antes e começar a tomar os remédios. Estes dados foram exibidos no “Jornal Hoje” da Rede Globo no dia 14 de julho deste ano.
É do conhecimento de todos que pegar esta doença não é tão difícil assim. O relacionamento com parceiros variados, principalmente desconhecidos é um grande caminho para a infecção, o uso da camisinha protege aproximadamente 95%, se o infectado possuir feridas que apareça sangue acontece aí a contaminação, também contribui para a infecção o aleitamento materno, com a transmissão da mãe para o filho, bem como o uso de seringas contaminadas. Quem gosta de tatuagem precisa verificar o material utilizado pelo tatuador, isto porque a mesma agulha utilizada por mais de um cliente precisa passar por esterilização. Uma pessoa que se contaminou com a AIDS pode demorar vários anos para descobrir a doença.
Enfim, todo cuidado é pouco. Diante de tantos perigos, não se pode discriminar a pessoa portadora do HIV. Este é um dos grandes males da sociedade. Os contaminados precisam de atenção, até mesmo porque uma vez sabendo da contaminação, a primeira reação é uma depressão profunda. A Peste Negra proporcionou um alto índice de mortes na Idade Média. Lá as pessoas tinham medo de se aproximar dos doentes, mas não é o caso do aidético. Abraço, beijo, carinho, amor chega a ser um método interessante de aliviar o sofrimento. Paiva Neto dizia que o vírus do preconceito mata mais que a doença.
Você sabe como esta doença surgiu? Então vamos lá: foi a partir de um vírus chamado SIV, encontrado no sistema imunológico dos chimpanzés e do macaco-verde africano. Apesar de não deixar esses animais doentes, o SIV é um vírus altamente mutante, que teria dado origem ao HIV, o vírus da AIDS. O SIV presente no macaco-verde teria criado o HIV2, uma versão menos agressiva, que demora mais tempo para provocar a doença. Já os chimpanzés deram origem ao HIV1, a forma mais mortal do vírus. “É provável que a transmissão para o ser humano, tanto do HIV1 como do HIV2, aconteceu em tribos da África central que caçavam ou domesticavam chimpanzés e macacos-verdes”, diz o infectologista Jacyr Pasternak, do Hospital Beneficência Portuguesa, em São Paulo. Não há consenso sobre a data das primeiras transmissões. O mais provável, porém, é que tenham acontecido por volta de 1930. Nas décadas seguintes, a doença teria permanecido restrita a pequenos grupos e tribos da África central, na região ao sul do deserto do Saara.
Quando a doença começou a se espalhar pelo mundo, os governantes ignoraram a gravidade e não tomaram as devidas providências. Depois que virou epidemia ficou ainda mais difícil de resolver o problema. Hoje os cientistas estão correndo atrás de medicamentos que possam proporcionar a cura, mas só têm conseguido aprimorar coquetéis para aliviar as dores e prolongar a vida do contaminado.
Como o Vírus funciona? É fácil entender! Toda pessoa tem dentro de si células de defesa que avisam alguma anormalidade no corpo, como por exemplo, a gripe. O gripado pode até se sentir incomodado com esta desagradável perturbação, por outro lado pode ficar feliz porque se trata de células de defesa do organismo incumbidas de expelir o vírus que, de repente, poderia levá-lo à morte. O aidético não possui esta célula de defesa, de forma que, se gripar, poderá morrer instantaneamente.
Nelson Mandela disse certa vez que, “a AIDS é um grande problema a ser enfrentado pelo mundo todo. Lidar com ele requer recursos muito além da capacidade de um continente. Um único país não tem a capacidade de lidar com ele”.
Muitos famosos já faleceram em função da AIDS, como o Cazuza, Renato Russo, Magic Johnson, Sandra Breia, Lauro Corona, Freddie Mercury, Herbert de Souza (O Betinho), Anthony Perkins, dentre outros. Isto significa que possuir dinheiro não significa nada uma vez contaminado com esta praga. Assim o melhor remédio para não entrar nesta triste lista é se conscientizar e alertar também os outros. Cautela e caldo de feijão não fazem mal pra ninguém!
Crônica de Elias Daniel de Oliveira (29/11/2015)

Deixe uma resposta