LAR, DOCE LAR!

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Procurar um lugar pra morar sempre foi uma preocupação de todo ser humano desde a época da idade da pedra. As primeiras moradias eram nas cavernas, até que, com a evolução, o homem primitivo começou a construir as suas primeiras choupanas que não tinham nenhum conforto, mas protegia do frio, da chuva e do ataque dos inimigos. Com o tempo o homem foi descobrindo que poderia melhorar o seu espaço e providenciou então algumas regalias para poder aprimorar o seu cantinho. Assim, o objetivo da crônica de hoje será proporcionar uma bela reflexão sobre ter e ser morada. O escritor Lucêmio Lopes da Anunciação dizia que, “Lar é uma moradia onde existe amor”.
A Bíblia deixa claro que “o nosso corpo tem de ser morada do Espírito Santo”. Há então uma responsabilidade enorme em preservar aquilo que Deus nos deu e insiste morar, o nosso corpo. A violação dele ou mesmo a mutilação comum na medicina já foram criticados no período medieval como algo relacionado à aberração. Os transgressores deste bem precioso eram declarados bruxos e comumente condenados aos tribunais da santa inquisição. Hoje, diante do avanço dos tempos, a percepção dos fatos se modificou enormemente. Contudo é bom continuar com a crença que o nosso corpo está sob os nossos cuidados, mas pertence a Deus. Ao analisar por esta ótica, vê-se a importância de cuidar-se mais e preservar este patrimônio que recebemos uma única vez.
Ao andar pelas ruas nos deparamos com as mais diversas casas que conseguem passar algum tipo de mensagem. Algumas são muito alegres e com suas janelas abertas parecem demonstrar alto astral dos seus moradores. Outras são tristes e com as suas paredes sujas e descuidadas, revelam um ar sombrio de quem ali reside. As que estão em ruínas parecem chorar por ter acolhido famílias por tanto tempo e agora desprezadas como se não tivessem história. As que possuem flores dialogam com a natureza. O vento soprando as folhagens ajuda a revelar o sentimento de vida de quem mora ali. Existem casas bem arrumadinhas com uma ornamentação invejável. Nestas, pode-se contar com pessoas angustiadas que gostariam que o mundo fosse perfeito ou simplesmente com quem é organizado e não gosta bagunça. É bom lembrar que, além de servir de moradia, casa foi feita para receber gente e se estes organizadinhos não ficam à vontade com visitas, precisando assim rever os seus conceitos.
Casas grandes, mansões, apartamentos, casebres, ranchos e barracões têm a mesma função, acolher quem precisa de proteção. O ambiente quem faz são as pessoas. Assim, não pense que uma casa enorme, carregada de mordomias e tecnologia é o melhor lugar para se viver, muitas vezes casinhas humildes, com pouco espaço e luxo, são muito melhor para se viver. Uma antiga música do grupo Biquini Cavadão dizia que a casa é um reino e a dupla Sá e Guarabira também comentava que, “o meu lar é onde estão os meus sapatos”. Ou seja, o nosso lar é onde nos sentimos bem! Pelo menos a ideia é esta. Tanto que, se a residência for um local de sofrimento, torna-se um suplicio e precisa de mudança urgente para não se tornar um inferno aqui na terra.
Voltando à reflexão do inicio ao dizer que o nosso corpo é templo do Espírito Santo, nos deparamos também com a mesma comparação. Quem olha pra nós precisa ver alegria, gratidão, bênção, enfim, precisa enxergar em nós a morada dos anjos. Aqueles dias em que a depressão, ira, reclusão ou nervosismo tomam conta de nós, parece que a nossa casa espiritual está desmoronando. Neste instante, faz-se necessário recrutar a ajuda dos pedreiros e serventes anjos para modificar a nossa aparência e vir em socorro das nossas necessidades.
Tem uma historinha bem legal intitulada PEDACINHO DO CÉU. Nela um senhor que morava em uma casinha bem humilde em um sítio decide vender o seu imóvel para morar em outra bem diferente na cidade. Como tinha dificuldade em elaborar um texto de venda que conseguisse convencer o comprador, pediu socorro a um poeta que fez o seguinte anúncio: “VENDE-SE UM SÍTIO QUE MAIS PARECE UM PEDACINHO DO CÉU. A CASA É SIMPLES, MAS É ACONCHEGANTE. TEM UM FOGÃO DE LENHA PERFEITO PARA FAZER UMA COMIDA BEM GOSTOSA, ALÉM DE SERVIR DE BANCO AQUECEDOR NAS NOITES FRIAS ENQUANTO SE DEBULHA UMA SAUDÁVEL CONVERSA COM A PESSOA AMADA. NA VARANDA, DUAS CADEIRAS TÍPICAS PARA NAMORAR E APRECIAR O POR DO SOL. LOGO ABAIXO VÊ-SE UMA BELÍSSIMA ÁRVORE DE IPÊ QUE FAZ COMPANHIA PARA UMA TREPADEIRA ROXA FAZENDO O LUGAR FICAR CADA VEZ MAIS BELO. NOS FUNDOS UM PEQUENO RIACHO COM FARTURA DE ÁGUA DEIXA O AMBIENTE BEM FRESQUINHO E APRECIÁVEL. O ENDEREÇO FICA NO SÍTIO DA SAUDADE, REGIÃO DA ESPERANÇA. PARA CHEGAR BASTA VIRAR NA RUA AMOR DE DEUS E PEGAR A ESTRADA DA PAZ QUE TEM FLORES DOS DOIS LADOS COM DIREÇÃO À COMUNIDADE CÉU NA TERRA, ENTRA NA SEGUNDA PORTEIRA, ATRAVESSA UM BELO CAMPO CHEIO DE PALMEIRAS QUE O SÍTIO TÁ LOGO ALI NA FRENTE…”. Passado algum tempo o poeta foi procurar o proprietário para saber se ele havia feito bom negócio e para sua surpresa, o dono da casa disse: “Eu? Vendi nada!!! Quando fui ler o que você escreveu, me apaixonei pelo sítio. Na verdade eu não tinha percebido como era bonita a minha casa e o meu sítio. Amo de coração aquele lugar e que não quero mais sair dali tão cedo!”
Para encerrar, vamos recorrer aos dizeres de Padre Fábio de Melo quando dizia que, em se tratando de lar, faz-se necessário suportar tudo. Não com a condição de tolerar, mas servir de suporte para que tudo dê certo.
Crônica de Elias Daniel de Oliveira (08/11/2015)

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