JORNADA MUNDIAL DA JUVENTUDE, VERSÃO 2016

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       Crônica de Elias Daniel de Oliveira (17/07/2016)

        Jovens do mundo inteiro estão se preparando para viajar para Cracóvia na Polônia com o objetivo de participar da 28ª JORNADA MUNDIAL DA JUVENTUDE. De Bom Sucesso também uma turma partirá representando a nossa comunidade bem como a mercedária. Trata-se de um momento ímpar, independente de estarem em viagem ao exterior, estes jovens estarão inseridos num movimento mundial voltado para a juventude católica com o propósito de mostrar que a igreja muito precisa deles para a continuidade do trabalho de evangelização e condução à salvação conforme muito solicitava o jovem Jesus.

Outras vinte e sete jornadas já aconteceram e todas com a presença do pontífice. O Papa Francisco está participando pela segunda vez, a primeira foi aqui no Brasil no ano de 2013 que reuniu cerca de 3,7 milhões de jovens. O evento é uma iniciativa do saudoso Papa João Paulo II em 20 de dezembro de 1985, por causa disto, esta vigésima oitava edição será na sua terra natal em forma de homenagem. Inspirado por grandes encontros de jovens do mundo em eventos especiais ocorridos no Domingo de Ramos em Roma, dos anos de 1984 e 1985, o então Papa João Paulo II, agora santo, estabeleceu a Jornada Mundial da Juventude como um evento anual (que passou depois a ser com intervalos de dois ou três anos) com o objetivo de alcançar novas gerações de católicos, propagando assim os ensinamentos da Igreja.

A primeira edição aconteceu no dia 23 de março de 1986 em Roma. Na ocasião João Paulo II dirigiu-se aos jovens de todo o mundo com a letra: “Sempre pronto a dar testemunho da esperança que há em vós” e anunciou a jornada seguinte para Argentina. Em 1987, os jovens reuniram em Buenos Aires, onde um milhão de participantes ouviram as mensagens do Papa, como esta: “Repito ante vós o que venho dizendo desde o primeiro dia do meu pontificado: que vós sois a esperança do Papa, a esperança da Igreja”. Dois anos depois, 600 mil jovens foram em peregrinação à cidade espanhola de Santiago de Compostela.

A Jornada Mundial da Juventude é um evento como qualquer outro direcionado ao público jovem, porém com a dimensão católica de oração e de evangelização. Possui, como forte aspecto cultural, a presença e a unidade entre inúmeras nações e culturas diferentes: conhecer essas culturas, principalmente a do país anfitrião, e perceber o desaparecimento de fronteiras através da fé em comum. No entanto, o motivo principal do evento não é tal aspecto cultural nem a presença do Papa, mas sim um encontro espiritual segundo a fé católica em Jesus Cristo. O Papa Bento XVI, em seu balanço à Cúria Romana, criticou a tendência de a JMJ ser vista como um simples festival de rock eclesial, pois o evento é uma festa que só surgiu após um longo caminho exterior e interior, tornando-se uma festa da fé em Cristo.

A igreja tem uma grande preocupação com os jovens por serem susceptíveis aos acontecimentos que proporcionam a sua ruina. É exatamente nesta fase que há uma intensificação das drogas e o aumento dos índices de violência. Também neste período eles ficam na fronteira entre a adolescência e o mundo adulto, sendo cobrados de todos os lados quanto a namoro, opção sexual, estudos, emprego, preocupação com o futuro, casamento, família, política, dentre outros. Os assuntos relacionados à religiosidade, bem como princípios morais e éticos entram na pauta de suas discussões e se a igreja não propuser alguma coisa que possa conduzi-los ao caminho do bem, o mundo assim o fará da sua maneira.

A Igreja, embasada na família, trabalha com a juventude na condição de fazê-los valorizar mais o berço em que foi criado e assim dar continuidade ao processo de criação abordado nas Sagradas Escrituras. É muito comum ver jovens peitando os pais e cobrando a sua independência sem, contudo, possuir capital para viver a sua vida. A rebeldia tem sido uma das características marcantes desta fase e muitas vezes a família não têm conseguido lidar com a situação. Assim, eventos como o da jornada utilizam ferramentas direcionadas à condução destes jovens a uma mudança de vida, respeito e valorização da família, procura pelos assuntos relacionados à fé, adoção de uma filosofia evangelizadora e multiplicação de tudo aquilo que aprenderam de bom e que conduz à salvação.

Há uma urgência no trabalho com os jovens. De acordo com os dados da ONU, o número de adolescentes grávidas chega a 7,3 milhões, destas, dois milhões têm menos de 15 anos. Esse número pode saltar para três milhões em 2030. Segundos a BBC, do total de 56.337 homicídios ocorridos em 2012 no Brasil, 57,6% tiveram como vítimas jovens com idade entre 15 a 29 anos. Destes, 93,3% eram homens e 77%, negros. Os dados são do relatório Mapa da Violência, compilado com base no DATASUS de 2012 – dado mais atual disponível. Em 2012, mais de 25 mil vítimas de homicídios na América Latina e Caribe tinham menos de 20 anos, “o que representou cerca de 30% de todas as vítimas de homicídios no mundo”.

São muitos fatores que justificam maior atenção com a juventude. Eles procuram respostas para as suas perguntas e almejam um mundo onde podem viver bem e deparar com quem possa entendê-los. O Papa Francisco, com sua linguagem libertadora e moderna, tem conseguido levar à igreja do mundo inteiro uma nova maneira de trabalhar com estes cristãos. Assim, a Jornada Mundial da Juventude, elaborada por outro papa revolucionário, dá continuidade aos propósitos da igreja de sempre olhar o futuro, sem, contudo, abandonar o passado enquanto vive intensamente o presente.

Crônica de Elias Daniel de Oliveira (17/07/2016)

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