Inverno Cultural. União que deu certo!

received_1065805826846891

Crônica de Elias Daniel de Oliveira (24/07/2016)

           Bom Sucesso está de parabéns com o Primeiro Festival de Inverno! Este evento pode ser considerado o melhor do ano. Nunca se viu tanta gente envolvida em um projeto totalmente voltado para a cultura. Foram inúmeras atividades carregas de qualidade e potencial que não fica a desejar para nenhum outro similar. Tudo leva a crer que este foi o primeiro de muitos. A aprovação foi unânime e a cidade só tem a se beneficiar na condução dos seus cidadãos ao caminho da inteligência cultural.
Parece que não faltou nada! Foi possível ver artesanato de muita qualidade, músicas, danças, teatro, serenata, cinema, apresentações artísticas, jogos, leituras, lançamento de livros e jornal, contadores de história, gincanas, folclore, exposições, comidas típicas, gastronomia, oficinas, xadrez, e muito mais. O evento ajudou a revelar inúmeros artistas que a cidade possui e alguns deles ficavam no anonimato. Quantas bandas e cantores dotados de uma qualidade inigualável foram revelados! E as pinturas? Impressionante! Provavelmente os maiores críticos do ramo dariam excelentes notas pelos trabalhos. Méritos também sejam reservados aos artesãos de Bom Sucesso e Ibituruna! Estava nítida a valorização do público.
É certo que muitos detalhes precisam ser revistos na procura da excelência, um deles é a contratação de banheiros químicos. Na próxima edição talvez seja interessante explorar mais o quesito gastronomia e a exposição e vendas de comidas típicas. Por se tratar de um evento voltado para a cultura, faz-se necessário um envolvimento mais intenso das escolas do município e dos grupos folclóricos e artísticos.
A palavra cultura é utilizada comumente em duas situações: uma no meio rural, entendida por cultivo e outra para revelar a identidade de um povo. Ao mesclar os dois significados é possível dizer que cultura é o ato de cultivar inteligência. A partir desta reflexão, nota-se que eventos como este têm um papel muito importante na construção ideológica de uma sociedade, aqui no caso, Bom Sucesso. Mesmo que mude a administração, no ano que vem não poderá faltar o SEGUNDO FESTIVAL DE INVERNO! Ele tem tudo para se tornar uma referência para a cidade.
Parecia impossível, mas não foi! Todos os dias entre duas da tarde até depois da meia noite as praças Benjamim Guimarães e Getúlio Vargas foram palcos de atividades que agradaram os mais diversos públicos. Não resta dúvida que as pessoas que não apreciam o que é bonito e deixam-se levar puramente pelo lado político abominaram o evento e nem por lá apareceram. É importante salientar que, embora seja um evento que parece ter originado de dentro da prefeitura, é na verdade uma iniciativa do Conselho de Patrimônio e Cultura, ligado à secretaria de Educação e Cultura municipal, que por sua vez é composto de alguns funcionários daquele setor, mas na sua maioria por cidadãos sem nenhuma ligação direta a partidos políticos. Foi exatamente esta equipe que mobilizou o festival evitando assim despertar qualquer suspeita direcionada às próximas eleições.
Valorizando ainda mais a filosofia do festival, o evento foi extremamente pacífico. Não houve registros de violência, baixaria, vandalismo, dentre outros. Até o verde da praça foi respeitado. A cerca improvisada para tentar deter os invasores só não obteve maior sucesso porque os atuais moradores – os cães – quiseram brincar com os TNTs não permitindo assim que eles se preservassem. Foi nítido o respeito das pessoas, parecia uma grande confraternização de gente educada que se cumprimentava e curtia juntas as atividades oferecidas pelos idealizadores. A oportunidade oferecida também à cidade vizinha e amiga Ibituruna foi muito bacana. Eles puderam trazer o seu artesanato, banda de música e mostrar a riqueza da sua terra também. Dentre os artistas de casa, a organização trouxe também os cidadãos ausentes que se destacam em outras cidades, bem como convidados que apreciam a cultura e tiveram a maior boa vontade em participar do festival.
Estão de parabéns também os apoiadores e patrocinadores. Em plena época de crise eles ainda reconheceram que todo esforço que se faça em prol da cultura é sempre bem vindo. Como o evento é de âmbito bastante popular, nada mais justo que haja um engajamento das empresas privadas como forma de cooperação e parceria. Mesmo diante da simplicidade de ser o primeiro festival, houve um aumento nas vendas dos comércios que circundam a praça. Ou seja, todo mundo saiu ganhando.
Cada atração deveria receber os seus elogios diante da qualidade, mas neste instante cabe um destaque para a Congada e as Folias de Reis que apresentaram na quinta feira. Este folclore ainda está muito aceso, embora muitos queiram consideram o contrário. Os grupos de Macaia mostraram que até os mais novos já estão bastante preparados para não deixar este costume acabar. As mensagens transmitidas por estas apresentações mesclam história, religiosidade, batalhas, agradecimentos e simpatia. Geralmente são pessoas humildes de uma inteligência sem igual.
O lucro obtido é distribuído com os grupos que se envolveram na causa. Desde os alunos formandos como aqueles que contribuíram para o brilhantismo da festa. Quase todas as apresentações aconteceram em forma de voluntariado. É bonito ver tanta gente envolvida num evento tão nobre!
Enfim, que a cultura nunca seja apagada do cotidiano das pessoas!

Crônica de Elias Daniel de Oliveira (24/07/2016)

Deixe uma resposta