Indepedencia Questionável

Neste sete de setembro comemora-se o dia da INDEPENDÊNCIA DO BRASIL. É certo que existem controversas quanto a este fato, mas, pra todos os efeitos, vamos fazer uma análise sobre estar ou não independente depois destes quase duzentos anos do grito do Ipiranga. No ano de 1822 a nossa nação possuía cerca de 40 mil habitantes, hoje já passa dos 200 milhões. Já nos libertamos de muita coisa e muito mais ainda precisamos evoluir. Diante de tanto tempo de história é lógico que não poderíamos esperar muita perfeição, até mesmo porque muitos percalços aconteceram, mas justiça seja feita, muitos erros poderiam ser evitados.

Quando D. Pedro I deu o tão famoso grito “INDEPENDÊNCIA OU MORTE”, os livros preferiram abordar o assunto de maneira bastante poética e bonita, mas muitos historiadores têm outra versão para a história. Vamos então apimentar um pouco este episódio. Quando o imperador viveu esta cena, estava com uma tremenda dor de barriga por ter comido algum alimento forte na casa da sua recém conhecida amante Domitila de Castro, por quem conferiu o título de Marquesa de Santos. Ele não estava montado em um bonito alazão de acordo com a pintura do paraibano Pedro Américo, na verdade o seu cavalo era um pangaré que conseguia fazer uma viagem tão grande como aquela. Naquele sete de setembro o monarca havia recebido uma carta do seu amigo e braço direito José Bonifácio que lhe propunha a oficialização da independência ou o Brasil correria o risco de ser invadido pelas tropas portuguesas e logicamente ele perderia o título de imperador. Estes historiadores contam que ele mal estava conseguindo raciocinar diante de tanta fraqueza por causa da sua instabilidade intestinal que pra ficar livre de tanta pressão subiu no seu cavalo e deu o famoso grito do Ipiranga.

O livro “1822” de Laurentino Gomes diz que o Brasil tinha tudo para dar errado. Naquela ocasião, de cada dez brasileiros apenas dois sabiam ler. Parece que Deus olhou em favor desta nação que hoje está bonita, próspera e bem vista diante do mundo apesar dos problemas, porque se dependesse de tudo o que aconteceu naquela ocasião ou nos anos seguintes, o Brasil já teria decretado a sua falência e com toda certeza fechado as suas portas.

Mas, o que de fato ficou independente? Acredito que os bons ares desta terra, conforme já havia dito o Pero Vaz de Caminha, ajudou o Brasil a crescer. Os sofridos índios até que tentaram resistir, mas não conseguiram. Os negros sequestrados da África até que ofereceram bem a sua contribuição, mas ficamos com esta dívida de respeito para com eles. Os imigrantes trouxeram bastante experiência e sabedoria e ajudaram bem a construir esta nação, mas que esta turma sofreu por aqui, isto é fato! Ficamos independentes da monarquia, do coronelismo antigo, das dívidas passadas, da dominação escrava, da exploração aos imigrantes, do voto de cabresto, dentre outros. O pior é que quando ao analisar criteriosamente, percebe-se que todas elas voltaram com nova roupagem. Não existe mais a monarquia, mas presidentes com uma filosofia de governo bem parecida. Surgiu uma nova modalidade de coroneis, antes eram os velhos fazendeiros poderosos, hoje são os industriários, empresários, donos de igrejas evangélicas, políticos, proprietários de redes de mídias e por ai vão. A escravidão agora ultrapassou o trabalho negro e o branco também sofre nas mãos dos patrões. O voto cabresto foi trocado pelo comprado. Enfim, parece que houve uma modernização inclusive na maneira de viver do mesmo jeito.

Outras dependências surgiram como o não controle dos entorpecentes, o alto índice de corrupção, a violência excessiva, o desrespeito com a natureza, a promiscuidade, taras da modernidade como pedofilia e estupros, consumismo desvairado, pobreza, miséria, preconceito, racismo, falta de amor, dentre outros.

Bom seria que fosse séria esta questão de ficar independente. É claro que, por ser humano, algum tipo de dependência ainda vai existir. Até que ser dependente de alguém ou de alguma coisa não pode ser tão ruim assim, mas em se tratando de política esta ligação deveria ser moderada. Com esta modalidade de dependência, os políticos sentem-se a vontade de fazer do povo de gatos e sapatos, independente das consequências.

Arlindo Cruz, na sua música “O Brasil é isto ai”, comenta: “Na cor do meu país mora a razão de ser feliz. Brasil miscigenou. Brasil se misturou. É índio, é branco, é negro. Olha… Na cor do meu país mora a razão de ser feliz. Está na hora de dizer ao preconceito não e não à discriminação. Então, por que você não vê que o direito é paz, amor e união”.

É bom levar em consideração que ficar totalmente independente é impossível. Na economia o Brasil tanto exporta como importa. Na religião tem o quesito hierarquia. Ou seja, estamos vivendo a era da globalização e não existe a mínima possibilidade de uma nação seguir o seu caminho sozinho. O que está em pauta é a racionalidade da coisa. Estar dependente não quer dizer ficar por baixo, mas compartilhar, reconhecer a necessidade do outro bem como oferecer algo em troca. O desprendimento do Brasil de Portugal no sec. XIX foi de uma preocupação fenomenal. Muitos acreditavam que não fosse possível manter-se independente, mas até que deu certo, mesmo aos trancos e barrancos. Hoje se comemora este feito na esperança que dias melhores virão.

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