Eu vim para servir

A CNBB (Conferência dos Bispos do Brasil) lançou o tema para reflexão durante a quaresma de 2015: “Fraternidade: Igreja e Sociedade” e o lema “Eu vim para servir” (cf. Mc 10, 45). A reflexão buscará recordar a vocação e missão de todo o cristão e das comunidades de fé, a partir do diálogo e colaboração entre Igreja e Sociedade, propostos pelo Concílio Ecumênico Vaticano II.

Trata-se de uma discussão bastante salutar, embora muita gente imaginasse que a Igreja do Brasil pudesse focar neste ano outros caminhos, como por exemplo: a corrupção, a violência, os problemas sociais, haja vista que toda campanha da Fraternidade traz sempre um tema atual. Para justificar a escolha e mostrar que ainda assim a igreja não desprezou as questões sociais, o bispo auxiliar de Brasília (DF) e secretário geral da CNBB, dom Leonardo Ulrich Steiner, explica que a Campanha da Fraternidade 2015 convida a refletir, meditar e rezar a relação entre Igreja e sociedade. Assim relatou: “Será uma oportunidade de retomarmos os ensinamentos do Concílio Vaticano II. Ensinamentos que nos levam a ser uma Igreja atuante, participativa, consoladora, misericordiosa, samaritana. Sabemos que todas as pessoas que formam a sociedade são filhos e filhas de Deus. Por isso, os cristãos trabalham para que as estruturas, as normas, a organização da sociedade estejam a serviço de todos”.

Um dito popular já dizia: “QUEM NÃO VIVE PARA SERVIR, NÃO SERVE PARA VIVER”. A igreja quis apresentar, por intermédio desta reflexão que apresenta no seu cartaz o papa Francisco beijando os pés de um presidiário conforme fez na semana santa de 2014, mostrar que para resolver os problemas sociais faz-se necessário todos cuidarem um do outro. Apesar de parecer fantasia, este ensinamento foi repassado pelo próprio Jesus como fórmula mágica para resolver os problemas do seu tempo. No entanto o homem com o seu coração egoísta tem preferido o caminho mais difícil e, logicamente causando grandes danos à sociedade.

Os Objetivos específicos da Campanha da Fraternidade de 2015 são os seguintes: Fazer memória do caminho percorrido pela Igreja com a sociedade, identificar e compreender os principais desafios da situação atual; Apresentar os valores espirituais do Reino de Deus e da doutrina Social da Igreja, como elementos autenticamente humanos; Identificar as questões desafiadoras na evangelização da sociedade e estabelecer parâmetros e indicadores para a ação pastoral; Aprofundar a compreensão da dignidade da pessoa, da integridade da criação, da cultura da paz, do espírito e do diálogo inter-religioso e intercultural, para superar as relações desumanas e violentas; Buscar novos métodos, atitudes e linguagens na missão da Igreja de Cristo de levar a Boa Nova a cada pessoa, família e sociedade e atuar profeticamente, à luz da evangélica opção preferencial pelos pobres, para o desenvolvimento integral da pessoa e na construção de uma sociedade justa e solidária.

Os temas apresentados pela igreja são para serem refletidos durante a quaresma mais precisamente nas vias-sacras onde relembra a trajetória de Jesus rumo ao calvário e concomitantemente levando os fiéis a perceberem a sua necessidade de inserção neste contexto para transformar o mundo em que vivem. De fato o Brasil está diante de uma crise social e o papel da Igreja é o de instruir o seu povo o caminho da salvação. É sabido que para o aperfeiçoamento do reino de Deus aqui na terra, o homem precisa mudar a sociedade tornando-se mais irmãos, solidários, respeitadores e humanos.

Quando Jesus veio ao mundo não encontrou nenhuma mamata também. Foi uma labuta muito difícil. Mostrar àquele povo que o caminho da salvação começava pelo servir era algo simplesmente complicado. As autoridades não tinham interesse nenhum nestas palavras, os pobres já viviam numa condição de subalternidade tão grande e ensiná-los a ser servos para o crescimento da fé era a mesma coisa que chover no molhado. O caminho para o convencimento acontecia com os milagres que Jesus fazia isto porque, se dependesse apenas da oralidade, provavelmente não seria tão fácil assim.

Mais uma vez a igreja volta com as palavras de Jesus pedindo ao povo que sirva um ao outro. Desta vez os milagres acontecerão com a própria fé das pessoas. No fundo diríamos que todos têm a faca e queijo na mão, como diz a expressão popular, basta uma percepção de todos. Os governantes conseguiriam sucesso nas suas gestões se desprezassem a corrupção, os interesses pessoais e levassem a sério esta questão do SERVIR. Os policiais seriam mais racionais quanto à segurança pública quando a palavra servir vier antes de autoridade. Os crimes seriam eliminados definitivamente quando toda a população levasse a sério as palavras de Jesus e ao invés de querer crescer sobre a desgraça do outro, poderiam subir com os próprios méritos reconhecendo o seu lugar e do seu próximo.

No primeiro capítulo do texto base da CF-2015 são apresentadas reflexões sobre “Histórico das relações Igreja e Sociedade no Brasil”, “A sociedade brasileira atual e seus desafios”, “O serviço da Igreja à sociedade brasileira” e “Igreja – Sociedade: convergência e divergências”. Assim, vale a pena levar a sério o assunto e transformar o nosso mundo num local mais santo.

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