ESCRAVIDÃO QUE AINDA PERDURA

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Crônica de Elias Daniel de Oliveira (15/05/2016)

Dentre tantas comemorações do mês de maio, o dia 13 é lembrado pela abolição da escravatura. Normalmente o movimento negro não compartilha esta data por não acreditar que a Princesa Isabel mereça créditos por este feito. Mas, como o tema é muito sério e não pode se repetir, a todo o momento deve ser lembrado com o objetivo de pedir desculpas aos negros por tamanha crueldade aos seus ascendentes e continuar na luta para eliminar por definitivo o preconceito racial.

Tudo começou com a necessidade de mão de obra no período colonial e imperial do Brasil. Como os colonizadores não tivera sucesso com a escravização indígena, optaram por raptar os negros na África para trabalharem gratuitamente até mesmo porque eles tinham conhecimento no cultivo da cana-de-açúcar. A desumanidade era terrível. Estes filhos de Deus foram considerados sem alma e tratados pior do que animais. É incrível como viam normalidade nesta prática. Os três séculos de história opressora contra estes seres humanos acarretou uma discriminação sem precedentes que, infelizmente, perdura até os dias de hoje. São muitos negros jogadores, artistas e pessoas comuns que são vitimas constantes de inescrupulosos racistas que criam piadinhas, expressões ou utilizam referencias preconceituosa como se fizessem parte de uma raça superiora. Em qual livro está escrito que a pele branca ocupa uma posição de superioridade em relação à escura? Por qual motivo as novelas e filmes ainda continuam insistindo na ideia de que o principal personagem sendo branco condiz mais com a realidade? A peça Auto da Compadecida, autoria do dramaturgo nordestino Ariano Suassuna, apresenta um Jesus negro causando espanto ao personagem João Grilo que morre na mão de um cangaceiro. Ao ser julgado por Nossa Senhora, ganha a oportunidade de voltar a terra e ser uma nova pessoa, inclusive menos preconceituosa. Analisando por esta ótica, o que tem de errado colocar um Jesus de cor escura para mostrar às crianças negras que elas se parecem com Ele? É necessário um basta ao preconceito racial.

Em se tratando de trabalho, é chato dizer, mas a escravidão não acabou. Existe hoje uma modernização deste conceito. É muito comum ver empresas rurais e urbanas explorando os seus trabalhadores com o objetivo de obter ainda mais lucros. Como é triste ver empregadores não registrando os seus funcionários e ludibriando a fiscalização além de pagar mal, atrasar os salários e chegar mesmo a trocar moradia e alimentação pela atividade realizada. Estes escravos modernos não são mais apenas os negros, mas outras classes também. São pessoas pobres, humildes e marginalizadas que a vida não lhe permitiu estudar e com isto precisam atuar nos subempregos à mercê dos seus exploradores. São pais de família, crianças e mulheres que vivem em condições desumanas e dependentes de cestas básicas ou benefícios do governo. Rubem Fonseca tem um pensamento bem interessante que colabora com esta reflexão: “Nossos problemas sociais são a corolária de um povo que sobrevive de promessas, migalhas e muita ignorância, abarrotados de impostos e dívidas para sustentar o luxo de poucos”. São estes os escravos do mundo atual que já não mais contam com os movimentos abolicionistas e nem com a assinatura da Princesa Isabel. O que lhes resta é a clemência a Deus e o voto na época das eleições ao ouvir promessas que nunca são cumpridas. São pessoas que chegam até receber salários, mas tem que ser muito artista para conseguir arcar com todas as suas despesas, isto enquanto assistem o governo aumentando o preço dos produtos para ajudar os mais ricos a se manterem. Atente-se ao que disse o escritor George Bernard Shaw: “A escravatura humana atingiu o seu ponto culminante na nossa época sob a forma do trabalho livremente assalariado”.

Segundo dados do Ipea de 2015, o nível de pobreza subiu de 3,63% para 4,03%, refletindo a desaceleração do crescimento econômico e o recuo de renda do trabalho. A pobreza extrema voltou a subir no país, quebrando a tendência de queda que era observada desde 2005. Dentro do tema Subemprego, o Brasil Escola diz que,a remuneração obtida pela pessoa subocupada, em relação a um trabalhador formal é inferior muitas das vezes, tendo em vista a mesma quantidade de horas trabalhadas. Além disso, muitos não contribuem para a previdência social mensalmente e não terão no futuro, o direito à aposentadoria. Certamente ficarão marginalizados na terceira idade e continuarão a exercer alguma atividade para manter seu sustento e a si própria”.

Por coincidência foi no dia 13 de maio que Nossa Senhora apareceu a três pastorzinhos nas mediações de Fátima, em Portugal. O encontro foi muito emocionante porque a Mãe de Jesus, preocupada com o sofrimento dos seus filhos aqui na terra, se revela a três crianças camponesas de famílias humildes para mostrar a elas que as forças vindas dos céus são sempre presentes, haja vista que os homens parecem que esqueceram o que é humanidade. Em uma de suas falas, assim recomendou Nossa Senhora: “Rezai o Terço todos os dias. Rezai, rezai muito! E fazei sacrifícios pelos pecadores, que vão muitas almas para o Inferno, por não haver quem se sacrifique e peça por elas. Quando rezardes o Terço, dizei depois de cada mistério: Ó meu bom Jesus, perdoai-nos e livrai-nos do fogo do Inferno. Levai as almas todas para o Céu, principalmente as que mais precisarem”.

Crônica de Elias Daniel de Oliveira (15/05/2016)

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