Enfermidade versus Carência

O ser humano pode muito se assemelhar a uma máquina ou equipamento no que diz respeito a sua durabilidade. Que nos perdoe o saudoso Charles Chaplin quando dizia: “Não sois máquinas, homem é que sois”, mas que o corpo é um produto que tem seu período de auge, desgaste, envelhecimento e precariedade, isto é verdade. Em 14 de janeiro comemora-se o dia do enfermo. É lógico que enfermidade não significa um estado de espírito apenas dos idosos, mas de todos que, por um motivo ou outro, teve um problema na sua saúde. Este será foco da reflexão de hoje.

Um produto novinho é tudo o que se tem de bom! Não estraga, cumpre bem os seus deveres e é orgulho do seu proprietário. Uma criancinha também esbanja saúde, tem mente fresquinha e todo um caminho pela frente, além de muito a oferecer. Em contrapartida, um idoso já chegou ao seu limite ou talvez esteja chegando. Já não consegue mais fazer tudo o que desejaria e já não encontra mais peça de reposição. A beleza física é dependente de uma interferência estética a base de cosméticos, cirurgias ou qualquer coisa do tipo. A doença é a sua principal companhia, mesmo que siga todas as recomendações de vida saudável como o não sedentarismo, alimentação regular, dentre outros. Há um desgaste natural dos ossos e a memória também já não está lá grande coisa. Este processo é comum a todo mundo. Não pense que, por estar na mais perfeita forma, esbanjando charme, força, inteligência e simpatia que o tempo não poderá ser o seu vilão. O bonito de tudo isto é saber envelhecer com sabedoria  e encarar os momentos de enfermidade com naturalidade, onde os medicamentos ou intervenção cirúrgica possa ajudar bem mais do que se afogar em depressões e desolamentos.

Gostaria de utilizar a música SOMOS QUEM PODEMOS SER da banda Engenheiros do Hawai para auxiliar a nossa reflexão: “Um dia me disseram que as nuvens não eram de algodão. Um dia me disseram que os ventos às vezes erram a direção. E tudo ficou tão claro, um intervalo na escuridão. Uma estrela de brilho raro, um disparo para um coração. A vida imita o vídeo, garotos inventam um novo inglês. Vivendo num país sedento, um momento de embriaguez. Somos quem podemos ser. Sonhos que podemos ter (…)”.

Pois é, não somos quem queremos ser e não podemos ter o que desejaríamos. É legal quando eles dizem que a vida imita o vídeo, enquanto deveria ser o contrário. É uma maneira de dizer que não temos total controle nos nossos atos. É como se por traz das nossas vidas ou atuações, tivesse um diretor guiando cada ação. Assim é Deus com nós. Por mais que desejamos guiar os nossos passos, não temos total controle sobre eles.

Sobre acreditar ou não no destino é irrelevante nesta situação, na verdade o que está sendo discutido é que muitas coisas acontecem independente do nosso desejo, fundamentalmente as doenças. É certo que podemos influenciar fortemente a nossa saúde a partir dos devidos cuidados, mas como driblar este mundo carregado de produtos químicos, poluição e dores por todos os lados? A canção dos Engenheiros ainda continua assim: “Um dia me disseram quem eram os donos da situação. Sem querer eles me deram as chaves que abrem esta prisão e tudo ficou tão claro, o que era raro ficou comum como um dia depois do outro, como um dia, um dia comum”.

Estar enfermo e automaticamente sendo medicado é o que se tem de mais natural no mundo. Qualquer equipamento mecânico ou eletrônico passa por isto também. Assim o conserto e o reparo de peças tendem muito mais ao direcionamento da perfeição do que ao encerramento das atividades.

Um quesito que já dissemos em muitas outras crônicas é a questão da fé. Acreditar em Deus no auxílio de um tratamento ajuda muito no processo de aceleração da cura. Acontece ai um reconhecimento do verdadeiro dono das nossas vidas, aquele que controla os nossos passos e está atento a todas nossas necessidades.

Perto da conclusão da música-tema, nos deparamos com os seguintes dizeres: “Um dia me disseram que as nuvens não eram de algodão. Um dia me disseram que os ventos às vezes erram a direção (…)”. Se acontecer um resultado negativo daquilo que se espera em relação à precariedade da saúde, ainda assim faz parte do processo vital.

Buda apresenta uma receita bem legal para expandir a saúde e afugentar a doença: “O segredo da saúde, mental e corporal, está em não se lamentar pelo passado, não se preocupar com o futuro, nem se adiantar aos problemas, mas, viver sabia e seriamente o presente”.

Viver o presente na sua plenitude! Manter os olhos no futuro, as costas no passado e os pés firmes no presente! Que sabedoria! Que Verdade! Lembram da mensagem de Gonzaguinha? “Eu fico com a pureza da resposta das crianças, é a vida, é bonita e é bonita! Viver e não ter a vergonha de ser feliz! Cantar e cantar e cantar e a beleza de ser um eterno aprendiz! Eu sei, ah eu sei, que a vida devia ser bem melhor e será, mas isto não impede que eu repita: é bonita, é bonita e é bonita!!!”.

Muitas doenças são psicológicas, isto é, o desejo de não estar bem. Trata-se de uma relação com a carência. Não seria necessariamente o caso de querer chamar a atenção, mas a vontade de ser cuidado. Esta prática é muito comum a muitos idosos que além da doença que de fato possuem, carregam uma boa porcentagem de drama e desejo de receberem carinho. Falamos dos idosos, mas as crianças não ficam atrás. O pior é quando o adulto age assim também.

Enfim, no dia do enfermo, desejamos boa saúde pra todo mundo, recuperação para quem de fato não está bem e entendimento para aqueles que não compreendem esta situação!

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