Cuidando um do outro

Uma pequena história conta que numa empresa um chefe deu de presente para um empregado por quem desejava zoar, uma bandeja com muito lixo, esterco e sujeira junto com um bilhetinho escrito assim: “Um presente para você!”. Ele desejava verificar a sua reação. Para sua surpresa poucos dias depois recebeu a bandeja de volta só que agora limpinha e cheia de flores perfumadas com outro bilhetinho: “Obrigado, retribuo o presente!”. Sem entender procura-o e pergunta-lhe porque não ficou nervoso e por qual motivo enviou rosas. Assim o empregado respondeu: “A gente manda aquilo que o coração está cheio”.

O bem que queremos para nós devemos também desejá-lo para os outros. A atitude de menosprezar alguém para tentar lhe mostrar superioridade pode causar um efeito contrário e no momento em que acreditar que está por cima, corre-se um risco enorme de “dar com os burros n’água”, conforme diz o ditado popular.

Lembra da história das três peneiras? Trata-se de um fato comum de acontecer nos dias de hoje, mas a obra é antiga, ela vem lá do filósofo Sócrates, bem antes de Jesus Cristo, acompanhe: Um homem, procurou um sábio e disse-lhe: – Preciso contar-lhe algo sobre alguém! Você não imagina o que me contaram a respeito de… Nem chegou a terminar a frase, quando Sócrates ergueu os olhos do livro que lia e perguntou: – Espere um pouco. O que vai me contar já passou pelo crivo das três peneiras? – Peneiras? Que peneiras? – Sim. A primeira é a da verdade. Você tem certeza de que o que vai me contar é absolutamente verdadeiro? – Não. Como posso saber? O que sei foi o que me contaram! – Então suas palavras já vazaram a primeira peneira. Vamos então para a segunda peneira: a bondade. O que vai me contar, gostaria que os outros também dissessem a seu respeito? – Não! Absolutamente, não! – Então suas palavras vazaram, também, a segunda peneira. Vamos agora para a terceira peneira: a necessidade. Você acha mesmo necessário contar-me esse fato, ou mesmo passá-lo adiante? Resolve alguma coisa? Ajuda alguém? Melhora alguma coisa? – Não… Passando pelo crivo das três peneiras, compreendi que nada me resta do que iria contar. E o sábio sorrindo concluiu: – Se passar pelas três peneiras, conte! Tanto eu, quanto você e os outros iremos nos beneficiar. Caso contrário, esqueça e enterre tudo. Será uma fofoca a menos para envenenar o ambiente e fomentar a discórdia entre irmãos. Devemos ser sempre a estação terminal de qualquer comentário infeliz! Da próxima vez que ouvir algo, antes de ceder ao impulso de passá-lo adiante, submeta-o ao crivo das três peneiras porque: Pessoas sábias falam sobre idéias; Pessoas comuns falam sobre coisas; Pessoas medíocres falam sobre pessoas”.

Na leitura do evangelho deste domingo tem uma frase bem interessante que reforça bem a nossa reflexão: “De fato, que adianta ao homem ganhar o mundo inteiro, mas perder a sua vida? O que poderá alguém dar em troca de sua vida?”. Sob os ensinamentos de Jesus e reforçado por muitos profetas e santos, deveríamos cuidar das pessoas com o objetivo de edificá-las e não desejando destruí-las. Já disse em outros momentos que nós somos anjos de uma asa só e necessitamos nos unir para alçar voo.

Segundo os textos judaicos, A calúnia é pior do que as armas de guerra; estas ferem de perto; aquela, de muito longe”. Assim escreveu São Paulo aos Gálatas: “Se alguém se considera alguma coisa, não sendo nada, engana-se a si mesmo” (6,3). Ou seja, aquelas pessoas que pensam ser alguma coisa, até mesmo para se mostrar superior às outras pessoas, é bom ser mesmo, senão estará enganando todo mundo e fundamentalmente a si próprio.

A música OURO DE TOLO, do saudoso Raul Seixas apresenta esta ideia de pensar ser alguma coisa e não ser, ao mesmo tempo que critica esta atitude ao dizer que há nesta vontade uma infelicidade muito intensa:É você olhar no espelho e se sentir um grandessíssimo idiota, saber que é humano, ridículo, limitado  e que só usa dez por cento de sua cabeça animal e você ainda acredita que é um doutor, padre ou policial que está contribuindo com sua parte para nosso belo quadro social”.

 A humildade, por qual Jesus guiou a maioria dos seus ensinamentos, deveria ser a palavra de ordem para uma boa convivência. Ser humilde não é ser bobo e acatar tudo que lhe impõe, mas respeitar os outros, viver intensamente a vida, ser bom, não desejar a destruição do próximo, enfim, ser humilde é garantir a salvação no céu com as atitudes daqui da terra.

A violência que muito tem dominado os dias atuais não se concentra apenas na criminalidade, mas no desrespeito, no orgulho e na prepotência.  Quem não vive para servir, não serve para viver!

Enfim, vamos então encarar o mundo de outra forma? A palavra EGOISTA, vem de domínio do ego, ou seja, eu dono de mim. É bom todo mundo lembrar que precisamos uns dos outros. Uma bobagem dita ou falada hoje pode ser fatal no dia de amanhã. Como nos elos da corrente, uma que faltar, poderá prejudicar o todo. Cuide de quem está perto de você para que assim você também possa ser cuidado.

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