CONSCIÊNCIA HUMANA

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Crônica de Elias Daniel de Oliveira (22/11/2015)

Bom seria que não fosse necessário tocar no assunto racial. A lembrança do dia 20 de novembro em que se comemora a consciência negra remonta o assassinato de Zumbi dos Palmares, grande líder dos quilombos que dedicou a sua vida em prol da liberdade dos escravos. O movimento negro não compartilha o que os livros de história ensinam ao reservar méritos à Princesa Isabel. Tudo não passou de um golpe. O fim da escravidão foi uma conquista deles próprios e dos abolicionistas e não dos ingleses e autoridades do Brasil imperial.
Se junta a este fator o quesito PRECONCEITO. Foram três séculos de exploração aos seres humanos que também eram considerados filhos de Deus, embora os senhores de engenho não quisessem aceitar esta ideia. Desconsiderá-los hoje é no mínimo uma atitude idiota dos preconceituosos. Recentemente jogadores de futebol, atrizes e mesmo pessoas comuns foram chamadas de macacos ou apelidos do gênero como forma de repúdio de de que quem quer mostrar o que não é. Justiça seja feita, a pigmentação da pele não pode interferir na personalidade da pessoa. Onde está escrito que os brancos são superiores aos negros?
Os americanos são extremamente racistas. Por lá existem bairros de negros, escolas que também separam raças isto sem contar os filmes que deixam nítidos a filosofia racial. Normalmente quando o protagonista é negro, a mocinha bonita também é da cor escura, bem como todo o ambiente que participam e os brancos interpretam bandidos. Por outro lado, quando o protagonista é branco, a mocinha bonita também o é, bem como todo o seu ambiente, por sua vez, cabe aos negros interpretarem o bandido ou aqueles que não valem nada. Nas novelas brasileiras isto não é diferente. Normalmente os melhores papéis são reservados aos brancos enquanto os demais fazem papel de empregada doméstica, motorista, jardineiros, dentre outros. Para tentar tampar o sol com a peneira e deixar transparecer que não são preconceituosos, geralmente colocam uma negra no meio das dançarinas brancas e programas como o Big Brother sempre têm algum negro para tentar manter as aparências.
Certa vez em uma entrevista, o ator americano Morgan Freeman, ao ser indagado a sua posição acerca do dia da consciência negra, ele foi taxativo ao dizer que achava a maior palhaçada. O entrevistador assustou com a resposta do ator que alegou não ter nenhuma necessidade de trabalhar este assunto, afinal de contas o enfoque ao tema já era um motivo de separação. As pessoas poderiam viver normalmente, tudo igual, sem precisar pedir clemência para a causa. A cor é simplesmente a pigmentação da pele das pessoas oriundas da África, nada mais. Da mesma forma que os orientais possuem as suas características, bem como os europeus, porque exatamente o negro africano precisa ser considerado uma raça inferior? Por que precisa criar designações de tratamento como negro, afro-descendente, cor escura, pardo, etc. Ninguém utiliza alguma expressão com os brancos para dirigir-se a eles, então por que todo mundo não age normalmente simplesmente chamando as pessoas pelo nome ou com aquilo que é comum a todos? Segundo Morgan, faz-se necessária uma consciência humana.
É certo que muitos preconceitos costumam partir de alguns negros. Eles próprios se acham discriminados e criam movimentos para tentar reparar a sua queixa. A própria cota para negros nas universidades é algo simplesmente desnecessário. O que a inteligência tem a ver com a cor da pele? Os defensores da ideia dizem que este privilégio seria um reparo de gratidão aos negros, que por trezentos anos foram maltratados pela sociedade brasileira e dizem também que sua inserção na faculdade proporcionaria mais negros no alto escalão dos empregos, enquanto no passado eles eram reservados aos serviços mais simples. Bom, analisando por esta ótica, pode até ser aceitável tal procedimento, mas não deixa de ser mais um motivo de separação, conforme foi criticado pelo ator Freeman.
A introdução desta crônica mostrou que a atitude da Princesa Isabel em assinar um documento que oficializava a libertação dos escravos não é bem vista pelo movimento negro pelo seguinte: D.Pedro II estava sofrendo muita pressão por parte dos abolicionistas e ingleses para assinar a lei áurea, por sua vez, os fazendeiros proprietários de escravos chegava até ameaçar o imperador caso desse liberdade aos negros. Acuado, o monarca fez um trato com sua filha, viajaria e na sua ausência ela promoveria a alforria coletiva. Assim foi feito. Quando ele retornou, os escravos já estavam livres e ele alegou aos fazendeiros que a culpa teria sido da sua filha. Não possuindo mais esta mão de obra gratuita, os donos das fazendas contrataram os imigrantes italianos deixando às margens da sociedade aqueles ex-escravos que não tinham agora onde morar nem como vencer a vida. Assim, os afro-descendentes preferem lembrar o grande herói Zumbi dos Palmares que foi cruelmente assassinado por defender a causa com unhas e dentes.
Hoje, mais de um século depois, não justifica continuar com esta separação, até mesmo porque a maioria dos brasileiros é originada dos negros africanos. Os preconceitos raciais mostram a pobreza de espírito de quem os pratica. Faz-se necessário lembrar também daqueles praticados contra homossexuais, pobres, mulheres, deficientes físicos e mentais, dentre outros. O ser humano foi criado por Deus de maneira igual, as diferenças ficam por conta da regionalização ou algum problema físico, mas no interior, todos são iguais. Esta definição de raça superiora ou inferior vem da época da colonização onde os europeus se achavam os maiorais, mas hoje a sociedade se encontra no mesmo pé de igualdade e já passou da hora das pessoas se conscientizarem a respeito do assunto.

Crônica de Elias Daniel de Oliveira (22/11/2015)

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