Carnaval festa da falsa e verdadeira alegria

Com a chegada do carnaval, juntamente com a alegria dos foliões e a sensação de que nem tudo é necessariamente festa, nos leva a provocar algumas reflexões. Algo mais ou menos parecido com a comemoração da conquista de tricampeão do Brasil na Copa de 1970, onde o povo esbanjava alegria enquanto era torturado pelo regime militar. É claro que os tempos são outros, mas a cobrança por cautela neste período é sempre muito bem vinda.

Tem uma frase popular que diz o seguinte: “Não faça algo agora que possa se arrepender depois”. Muita gente cai na folia esquecendo que depois do carnaval a vida prosseguirá. Isto diz respeito a princípios morais, éticos e também financeiros. Normalmente os carnavalescos dão uma folga ao seu lado racional e deixa a vida levá-los para onde quiser. Ai é que mora o perigo. A falta de racionalidade pode provocar acidentes, violências, gravidez indesejada, uso excessivo de bebidas alcóolicas e entorpecentes, prisões e mortes.

Quando me referi à alegria dos brasileiros na copa de 70 ignorando os problemas sociais que estavam enfrentando, quis dizer que no carnaval as pessoas ignoram que o Brasil está um caos. Os assuntos como rombo e roubo na Petrobrás, manifestação anti-Dilma, crise hídrica, aumento de preços, inflação eminente, corrupção na política, dentre outros são acobertados pelos desfiles milionários nos mais diversos sambódromos. Pode até ter um lado positivo nisto, que é exatamente um relaxamento no meio de tantos problemas, mas como eu disse a partir da quarta-feira de cinzas a vida continua. A solução seria cancelar a festa? Lógico que não. Mas divertir colocando os pés no chão e a mente no seu devido lugar. Pra se ter uma ideia, muitas cidades cancelaram o carnaval temendo um agravamento da situação, isto diz respeito à segurança, consumo de água, gastos exagerados, pouco retorno, enfim, não definiram como lei a nunca existência do carnaval na cidade, mas apenas neste ano que a situação está bastante delicada.

Mais do que o consumo exagerado das bebidas alcóolicas, o que muito preocupa os organizadores das festas é a proliferação das drogas. O álcool tem sim os seus males, mas o bebum depois do momento de alegria tende a ficar de ressaca, ter muito sono e na pior das hipóteses passar por algum vexame, mas o que se vê por ai no que concerne ao uso das drogas é uma proeminência muito grande à violência. O drogado não mede as consequências, fica compulsivo, quer cada vez mais, parte do seu cérebro passa a não raciocinar, faz dividas que são pagas com a morte e proporciona uma verdadeira bagunça na festa que deveria ser tão somente da alegria.

No passado o carnaval tinha lá os seus problemas, mas intensificou-se de maneira assustadora. Nos clubes aconteciam inúmeros bailes que eram carregados de diversão sem que as bebidas precisassem ser prioridades. Em se tratando de entorpecentes, havia uma preocupação apenas com o LANÇA-PERFUME, um spray que causava certa tonteira ou momento de êxtase na vítima, mas nada que fosse assim tão grave. Cerca de quinze dias antes até o período da festa, as pessoas se vestiam de Zé Pereira e brincavam nas ruas com sustos leves nas pessoas para deixar no ar o clima de carnaval. Pelas ruas muitas coreografias, desenvolvimentos de temas, a festa mais parecia uma confraternização coletiva. Todos se divertiam, brincavam entre si e também com desconhecidos. Normalmente na cadeia levavam presos os bebuns que não conseguiam mais continuar a festa e de repente estavam provocando algum desconforto, mas no dia seguinte eram liberados e normalmente mortos de vergonha.

Francamente, o carnaval da atualidade apresenta muitas preocupações. Os dados estatísticos já ficam de prontidão para fazer comparações com os anos anteriores e certificando-se que a cada ano a situação pode ficar mais complicada.

Talvez a globalização e/ou modernidade podem ganhar culpa desta intensificação. Não seria o caso de apagar do calendário a festa, muito menos fazer proibições, mas conscientizar as pessoas dos seus limites. Nos inúmeros acidentes que vão acontecer podem ter algum parente ou amigo bem próximo de nós e é logico que não saberemos quem será. Os assassinatos que por ventura venha acontecer pode ter como vítima alguém que conhecemos. Bom seria que o carnaval fosse referência apenas de alegria como muitas marchinhas tentam retratar.

Os foliões poderiam intensificar mais o quesito RESPEITO. É sempre indelicado ver pessoas urinando pelos becos por onde passam famílias com crianças, idosos, enfim com residências naquele local. Bom seria também que houvesse o respeito entre as pessoas. Nunca faça com o outro aquilo que não gostasse que fizesse com você ou com alguém da sua família. Respeite também o seu corpo, ele é um templo do Espírito Santo.

Encerro com frase do escritor Antônio Carlos: “Que nosso carnaval deste ano não seja mera fantasia, mas participação e manifestação de alegria que dança em nosso interior”.

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