Cantando a vida

No dia de Santa Cecilia, 22 de novembro, comemora-se também o dia do Músico. Este profissional que utiliza como ferramenta a cultura exerce um papel fundamental no entretenimento das pessoas. Sem perceber, muitos atuam como psicólogos ajudando depressivos a se curarem, apaixonados a estimularem a sua paixão, animados a dançarem, fieis a rezar, enfim, pela música a sociedade fica mais agradável.

A padroeira dos músicos é Santa Cecília. Nascida em Roma em meados do século III, costumava participar das missas do Papa Urbano e era bastante devota de Jesus Cristo. No entanto, um dia, sem saber, foi prometida por seu pai para se casar com Valeriano, um homem pagão. Diz a lenda que, na noite de núpcias, Cecília recusou-se a perder a virgindade e cantou para o esposo a beleza de manter a castidade. O canto de Cecília convenceu Valeriano a manter a esposa virgem. Na verdade, o marido se emocionou tanto que decidiu se converter ao catolicismo e sair da vida pagã.

Todo mundo gosta de música, seja ela qual for. A música faz um bem danado para os ouvidos e para a alma. Logicamente que há uma diversidade enorme de ritmos e melodias, tal como um grande número de pessoas para definirem os seus gostos. O julgamento de valor é impossível, até mesmo porque gosto não se discute. Quando alguém critica uma canção, ignora o gosto de outros e peca em pensar que é o dono da verdade.

Um detalhe deve ser observado, toda a canção precisa passar uma mensagem, seja ela pelo ritmo ou principalmente pela letra. Pode até ser contradição de nossa parte, mas algumas músicas precisam ser reavaliadas, isto porque, a sua letra não educa, não reconforta, não colabora com a moralidade e induz a violência destruindo o ser humano. Voltando ao principal objetivo das músicas que é fazer bem para os ouvidos e para a alma, os músicos devem criar as suas canções centradas nesta ótica. As letras sem nexo, os ritmos sem sentido e a falta de moralidade deveriam ser banidos das pautas dos intérpretes levando em consideração a construção de uma sociedade boa para se viver.

Tornar-se um músico profissional hoje é muito parecido com o jogador de futebol ou escritor de livros. A apoteose somente acontecerá diante de indicações, sorte, investimento e gosto popular. Muitos músicos anônimos possuem canções lindíssimas e, no entanto não conseguem expor o seu trabalho. No entanto, a sociedade se depara com inúmeras canções que francamente, não se sabe como chegou às paradas de sucesso.

Embora todos gostem desta modalidade de arte, nem todos possuem dom para atuar de maneira ativa. Não diria também que a voz seja o principal quesito para trabalhar nesta arte. Muitos profissionais são excelentes autores e ainda existem alguns que cantam sem, contudo possuir um timbre conquistador.

Quando disse que a música precisa passar uma mensagem, provavelmente há quem queira negar esta afirmativa, levando em consideração as modalidades clássicas. Na verdade a música orquestrada ou instrumentalizada pode não possuir letra, mas age no fundo do coração, proporcionando ao seu ouvinte a condição de ele mesmo aproveitar a essência da canção.

A boa música nunca morre, ela é eterna! Principalmente aquelas que marcaram o gosto popular ou representou alguma coisa. É sabido também que muitos sucessos são extremamente transitórios, mesmo que ocupem os primeiros lugares na preferência. Mais uma vez lembramos a questão da sorte.

Mesmo com sucessos imortais, é possível assistir cenas de cantores que estão hoje numa situação de extrema pobreza e descrédito social e outros que morreram de maneira nada peculiar em função da fama. No mundo do rock então parece ser moda terminar a vida mais cedo, principalmente com mortes por causa das drogas e bebidas. Beethoven dizia que “Os músicos utilizam de todas as liberdades que podem”.

Para concluir o tema, vamos nos apoiar nos dizeres de Cruz Rangel: “Todos somos músicos no concerto da vida. Mesmo com o coração dilacerado, as cordas dos sentimentos quebradas, é preciso continuar a executar as notas musicais. Podem ser notas simples, isoladas, mas que aos poucos formarão uma melodia. E embalados pela melodia da nossa própria dor haveremos de encontrar forças para executar a bela sinfonia da vida. Mesmo que os dias amanheçam chuvosos e frios. Mesmo que o amor tenha partido. Mesmo que tenhamos ontem acompanhado os corpos dos nossos amores ao cemitério. Continuemos tocando a melodia e descobrindo as notas de esperança que a vida nos oferece, no sorriso de uma criança, na mão de um amigo, no abraço carinhoso de um companheiro”.

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