As canções dos pais sofredores

É comum assistir nesta época inúmeras homenagens aos pais. Algumas tão vazias e outras sinceras. A mídia por sua vez, que tem o hábito de incentivar o comércio nas mais variadas datas, explora pouco o dia dos pais. Na crônica de hoje vamos lembrar os pais sofredores, estes anjos anônimos que foram personagem de muitas músicas e que tem uma história pra contar.

São muitas canções que contam histórias sobre pais, fundamentalmente no departamento sertanejo raiz. Francamente o lado guerreiro de muitos ultrapassa qualquer sentimentalismo e o que eles mais querem, ou pelo menos desejaram é que sua família fosse feliz e que os filhos estudassem e fosse alguém na vida. Nunca se preocuparam com homenagem, mas faziam questão de deixar o legado de um bom pai preocupado com as suas crias.

Seria impossível citar todas estas músicas, mas vamos lembrar algumas. Pra inicio de conversa, recordemos do Franguinho na Panela, autoria de Lourenço e Lourival:Tem dia que meu almoço, é um pão com mortadela, mas lá no meu ranchinho a mulher e os filhinhos tem franguinho na panela (…) Se eu morrer Deus dá um jeito, mais a vida é muito bela. Não vai faltar no ranchinho pra mulher e os filhinhos, o franguinho na panela”. Na música COURO DE BOI, a introdução começa assim: “Conheço um velho ditado, que é do tempo dos agaís, diz que um pai trata dez filhos, dez filhos não trata um pai”. Na letra desta canção, um homem trabalhador foi morar com o filho por causa da idade e foi expulso sobre a exigência da nora. No momento de partir, deparou com o netinho querendo a metade do couro que levava para aquecer. O moleque por sua vez justificou ao pai que não concordava com aquela situação e que estava guardando um pedaço do couro para fazer o mesmo quando tiver mais velho e casado.

O Marco Brasil consegue fazer muita gente chorar com as suas histórias. Numa delas, por nome Filho Ingrato, ele narra a história de um senhor que estava extremamente triste porque fez de tudo para que o seu filho pudesse estudar. Na narração, o senhor diz que cuidou do filho sozinho porque a sua esposa falecera no momento do parto e para o sucesso da sua cria chegou até passar fome mas queria vê-lo realizado. No entanto a sua tristeza chegou no momento em que foi todo orgulhoso na formatura do filho que o desprezou, ficou com vergonha e não queria mais vê-lo.

Sérgio Reis, com o FILHO ADOTIVO conta a história de um pai que criou sete filhos, dentre eles um adotivo. Na canção, carregada de emoção, percebe-se que o pai sofreu barbaridade para criar toda aquela turma. Na sua velhice, com todos os filhos formados, foi morar em um asilo e nenhum deles ia visitá-lo, com exceção do adotivo que mesmo sendo o mais humilde o levou para morar consigo, juntamente com sua família.

César e Paulinho já mostra a preocupação do filho na música EU E O MEU PAI: “Olha lá o meu pai, com as mãos calejadas perdendo seu resto de vida, no cabo da enxada. Eu não queria que fosse assim, pra mim seria tudo diferente queria ter meu pai na cidade morando alegre junto da gente. De que vale ter diploma, ter conforto ter de tudo Se eu não posso ter em casa aquele que me pôs no mundo. Estudei por tantos anos, para tirá-lo daqui meu esforço foi em vão porque ele não quer ir”.

Já Renato Russo filosofa e instrui os filhos rebeldes na canção Pais e Filhos: “Você me diz que seus pais não entendem, mas você não entende seus pais. Você culpa seus pais por tudo, Isso é absurdo. São crianças como você, o que você vai ser quando você crescer”.

Voltando ainda mais pouco pro sertanejo, não podemos deixar de citar o pai que saiu da roça e foi morar na cidade grande e se decepcionou amargamente quando viu que perdeu o controle da família e dos seus negócios e que agora não dava mais pra voltar e o seu coração estava amargurado. Quem canta é Dino Franco e Morai e a música se chama CABOCLO NA CIDADE. No final a dupla encerra assim: “Que saudade da palhoça eu sonho com a minha roça no triângulo mineiro. Nem sei como se deu isso quando eu vendi o sítio pra vir morar na cidade. Seu moço naquele dia eu vendi minha família e a minha felicidade!”.

Não podemos esquecer Léo Canhoto e Robertinho com a música MEU VELHO PAI, nela eles reconhecem o sofrimento de quem os criou e hoje sofre a solidão, a ingratidão, enfim o peso dos anos, assim canta a dupla: Meu velho pai, preste atenção no que lhe digo, meu pobre papai querido enxugue as lágrimas do rosto, porque papai que você chora tão sozinho me conta meu papaizinho o que lhe causa desgosto. Estou notando que você está cansado, meu pobre velho adorado é seu filho que está falando, quero saber qual é a tristeza que existe, não quero ver você triste Porque é que está chorando?”.

Enfim, conforme já dissemos, seria impossível citar todas as músicas que contam a história do pai sofredor. Estas poucas mostraram que eles não se preocupam com homenagens, mas se orgulham do dom que o Pai do Céu lhe concedeu.

Fugindo um pouco da palavra sofrimento e adotando a substituta DÁDIVA, o que nos resta é parabenizar a todos os pais e mostrar que eles são muito importantes para os seus filhos e pra toda a humanidade. Feliz Dia dos Pais!!! Sejam felizes hoje e sempre!!!

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