AS ARMAS DA CONSCIÊNCIA

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Crônica de Elias Daniel de Oliveira (13/03/2016)

Quando o homem inventou a pólvora, certamente não imaginaria o mal que esta invenção causaria. Tudo aconteceu por volta do ano de 1040. Foi usado primeiro em fogos de artifício, mas logo a seguir foi adaptada para fins bélicos, como lançar pequenos foguetes. Era usada pelos chineses em bombas e canhões no século XIII e, pouco depois, foi empregada em guerras no Oriente Médio. A pólvora foi usada pela primeira vez para lançar projéteis de uma arma portátil de tamanho semelhante ao dos rifles atuais na Arábia, em 1304. O uso da pólvora, primeiro como explosivo e posteriormente em armas de fogo, aumentou em muitas vezes o poder destrutivo dos armamentos e revolucionou a arte da guerra.
Hoje a pólvora já entra na lista das grandes invenções. Normalmente é muito utilizada para as comemorações em que se utilizam foguetes e fogos de artifícios, mas, no que concerne às armas de fogo, esta invenção conseguiu ou consegue um alto poder de destruição. No ano de 2005 os brasileiros foram às urnas participar de um plebiscito em que opinaram sobre a questão do desarmamento. Nos discursos, os contrários diziam que o povão precisaria se proteger e, por causa disto, seriam contra. Por sua vez, os favoráveis alegavam que a arma proporciona destruição, ódio, violência e um poder desnecessário. Como resultado final, os eleitores disseram NÃO ao desarmamento com 63,94% dos votantes manifestando-se contra a proibição. Desta forma é possível ver pessoas despreparadas armadas dentro de casa, ou mesmo carregando consigo ignorando o mal que uma arma acarreta no momento de desespero.
Ao citar o uso da pólvora nas comemorações festivas com os fogos de artifícios ou mesmo as bombinhas de São João, convém aqui fazer uma crítica à cultura que adotou este perigoso recurso para identificar algum tipo de alegria. É estranho como um dispositivo destrutivo que pode causar mal, caso seja mal manuseado ou lançado em local impróprio seja visto com normalidade simplesmente por causa da sua beleza de iluminação ou pelo barulho que produz exatamente no momento em que todo mundo desaprova o uso das armas nas guerras ou nos conflitos entre pessoas.
São muitas notícias de pessoas que, estando fora de si por inúmeros fatores como, alcoolismo, nervosismo, drogas, intenção de vingança, ódio no coração, dentre outros, fizeram disparos e mataram pessoas que, talvez não estivesse na hora de morrer, mas sim era no lugar errado. É comum também assistir cenas de vítimas que receberam bala perdida, crianças pensando ser um brinquedo e disparando contra um irmão ou coleguinha e inúmeros exemplos que deixa claro que uma arma de fogo pode causar danos irreversíveis.
Quando uma bala é lançada, acontece exatamente as seguintes etapas: De inicio funciona como uma bombinha de festa junina, um pequeno fogo ocasiona a imensa explosão. A seguir vem a parte principal, tem um explosivo químico chamado de PROPELENTE que dá poder ao projétil, acelerando-o. Por fim o arremesso da bala que é um cilindro de metal que atinge o alvo e penetra pelo ar enquanto gira. Por ser pequeno, de material denso e veloz, é capaz de penetrar quase qualquer coisa. Uma vez lançada, não tem volta. Um arrependimento súbito não adiantaria de nada e, como desgraça pouca é bobagem, as chances dela passar de raspão e não atingir o alvo é mínima e a probabilidade de causar um grande dano é enorme.
Bob Dylan em uma de suas canções já dizia: “Quantas mortes serão ainda necessárias para que se saiba que já se matou demais?”. As guerras, o terrorismo, a violência urbana, o descontrole emocional e as mortes por tiro seria diminuída ou eliminada caso houvesse um controle ou mesmo uma conscientização que, para resolver um problema, o melhor caminho é o diálogo.
Em se tratando de educação, os pais deveriam estimular os seus filhos a nunca possuírem brinquedos violentos como as armas de fogo. A partir do momento que não houver a curiosidade ou mesmo interesse por esta modalidade de distração, a criança tende a nunca desejar matar ou ter intimidade com este instrumento quando crescer. Tudo bem que atualmente muitos pais eliminaram de suas casas estes tipos de brinquedos, mas não incomodam de ver os seus filhos participando de jogos violentos nos computadores ou playstations onde matam com requintes de crueldades os personagens como se fosse algo normal. Esta atitude já proporcionou um descontrole mental em muitos jovens que quiseram superar os jogos e partiram para a realidade atirando em locais públicos e matando pessoas inocentes.
Assim afirma Doctor Who, série americana dos anos 60: “Você quer armas? Estamos em uma biblioteca! Livros! As melhores armas do mundo!”. Fica então esta reflexão, as melhores armas são produzidas de fato pela consciência. O mundo pertence às pessoas que pensam e agem sabiamente e não àquelas que agem sem pensar ignorando as consequências.

Crônica de Elias Daniel de Oliveira (13/03/2016)

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