ANO SANTO DA MISERICÓRDIA

12387938_921498731277602_464432443_n

Crônica de Elias Daniel de Oliveira (13/12/2015)

O Papa Francisco definiu o dia 8 de dezembro de 2015, Solenidade da Imaculada Conceição de Maria, o início do Ano Santo da Misericórdia. A ideia é que os cristãos adotem como tema base de reflexão o exemplo de perdão que Jesus Cristo tanto falou. Deus, sem sombra de dúvida, é misericordioso! É necessário que o seu povo também o seja. Assim a misericórdia será completa e a humanidade viverá mais feliz e em paz.

Segundo Frei Inácio, no texto de espiritualidade do Jornal O MENSAGEIRO, (Página 5 do dia 13 de dezembro de 2015): Em português, misericórdia se forma de duas palavras em latim: miserere e cordis. Miséria e coração. Misericórdia é o amor voltado ao miserável. Não há maior miséria que o nosso pecado”. Analisando por esta ótica, ser misericordioso é agir com o coração na mais extrema humildade diante do outro que porventura possa ter feito algum mal e logicamente agora tenha se redimido.

Mas, não é fácil não. É devido a esta dificuldade que esta prática se torna uma virtude. Alguns questionamentos devem ser levados em consideração conforme relata Padre Paulo Ricardo: Uma mãe, por exemplo, que, sentindo misericórdia do filho drogado em síndrome de abstinência, se dirigisse à boca de fumo para comprar a substância química e oferecer ao filho, certamente não estaria colocando em prática a virtude da misericórdia”. Em seu site www.padrepauloricardo.org, ele ainda continua com a reflexão: “É preciso usar a reta razão. Não se pode, sob o pretexto de “misericórdia”, trair a doutrina católica a respeito da indissolubilidade do Matrimônio. Fala-se muito que é preciso adaptar os ensinamentos da Igreja aos novos tempos, mas, quando Nosso Senhor estabeleceu, em Sua época, que “o que Deus uniu, o homem não separe” (Mt 19, 6), também as pessoas de Seu convívio ficaram escandalizadas. “Se a situação do homem com a mulher é assim, é melhor não casar-se” (Mt 19, 10), disseram os Seus próprios discípulos na ocasião”.

Seria uma afronta também reservar misericórdia àqueles que praticam a violência, mas o Papa João Paulo II perdoou o turco que tentou matá-lo. É possível entender que a prática da misericórdia também não pode contribuir para a intensificação do mal. Tipo assim, perdoar os terroristas por todos os males que continuam fazendo às pessoas inocentes seria abrir um leque para que eles continuem atuando com o consentimento da humanidade. A misericórdia, bem como tudo nesta vida, tem lá as suas cláusulas. É lógico que o caminho não seria travar uma guerra contra estes radicalistas, mas aceitar como normal a sua prática não teria cabimento. Santo Agostinho, na obra “A Cidade de Deus”, define-a do seguinte modo: “A misericórdia é a compaixão que o nosso coração experimenta pela miséria alheia, que nos leva a socorrê-la, se o pudermos”.

O Jubileu da Misericórdia será concluído no dia 20 de Novembro de 2016 na festa de Cristo Rei. O papa Francisco deseja que todas as paróquias reflitam muito sobre o assunto a começar pelas famílias que é considerada a primeira igreja, onde tudo começa. Cabe assim aos pais trabalharem com os seus filhos o perdão recíproco para a manutenção da paz no lar e uma vez podendo contar com esta harmonia, fica mais fácil aplicá-la fora de casa.

O mundo precisa de Paz, mas não a paz do mundo e sim a de Deus. O egoísmo tem amargurado o coração dos homens e eles têm achado difícil ser misericordioso, somente através da conscientização direcionada aos assuntos relacionados à fé que o mundo conseguirá passar por uma transformação. É necessário eliminar a violência, corrupção, exploração e o desrespeito. As intrigas, a começar pelas mais diversas igrejas, precisam ser eliminadas. Já passou da hora do homem perceber que da maneira como ele tem vivido ele tem se destruído, bem como sujando a humanidade atual.

Quando o Papa Francisco propôs este tema, ele quis que fosse enfocado bem o lado divino na prática. Parte da sua encíclica assim comenta: “Precisamos sempre contemplar o mistério da misericórdia. É fonte de alegria, serenidade e paz. É condição da nossa salvação. Misericórdia: é a palavra que revela o mistério da Santíssima Trindade. Misericórdia: é o ato último e supremo pelo qual Deus vem ao nosso encontro. Misericórdia: é a lei fundamental que mora no coração de cada pessoa, quando vê com olhos sinceros o irmão que encontra no caminho da vida. Misericórdia: é o caminho que une Deus e o homem, porque nos abre o coração à esperança de sermos amados para sempre, apesar da limitação do nosso pecado. Há momentos em que somos chamados, de maneira ainda mais intensa, a fixar o olhar na misericórdia, para nos tornarmos nós mesmos sinal eficaz do agir do Pai”.

Enfim, todos estão convidados a refletir, debater, pesquisar, conscientizar e aprimorar todo o conhecimento relacionado a este tema. Quem sabe um mundo novo ressurgirá das cinzas simplesmente com a prática da misericórdia?

Crônica de Elias Daniel de Oliveira (13/12/2015)

Deixe uma resposta