Amor à sabedoria

Na data de 16 de agosto comemora-se o DIA DO FILÓSOFO.  Este termo ainda é novidade pra muita gente, embora todos tenham um pouquinho de filosofia dentro de si, isto porque há uma relação bem forte com o conhecimento e a sabedoria. A Filosofia surgiu no século IV a.C., na Grécia Antiga, como uma atividade especial do homem sábio, o amigo do saber (filo + sophia = amor à sabedoria). A ideia é tentar mostrar que ninguém alcança a sabedoria na sua essência, tão somente fica amigo dela.

Parece possuir um sentido vazio a preocupação com o conhecimento ou mesmo os sentimentos. Há quem queira dizer que voltar a atenção para os pensamentos é uma prática dos poetas ou românticos e que o mundo precisa inserir mais na verdadeira realidade. As pessoas que insistem nesta afirmação contradizem o filósofo francês Descartes com a sua teoria: “Penso, logo, existo”. Segundo ele, uma das condições para existir e viver no mundo é exatamente utilizar a capacidade de pensar, raciocinar, planejar, enfim, fazer com que a cabeça seja útil de fato e não apenas um membro do corpo para colocar chapéu e criar piolhos. Pegando um gancho na teoria deste filósofo, é possível dizer que o mundo pertence aos que pensam, enquanto que os demais são meros expectadores.

Sócrates foi considerado o pai da Filosofia. Ele era um grego que atuava como um conselheiro e muitos iam até ele em busca de conhecimentos. Era comum naquela ocasião encontrar sábios especialistas em alguma área, mas ele entendia de tudo. Certa vez o rei tentou colocá-lo à prova e perguntou-lhe o que de fato sabia, assim respondeu: “Só sei que nada sei”. A sua intenção era mostrar que o conhecimento nunca esgota, embora um sábio compreenda todas as particularidades de um determinado tema, muita coisa ele ainda tem que aprender.

Sem medo de errar, é possível afirmar que o mundo de hoje existe intelectualmente graças à Filosofia. Foi a partir dela que surgiram todas as outras disciplinas. Atualmente é matéria obrigatória no Ensino Médio e universidade. O objetivo não é lembrar-se dela como história, mas fazer com que transforme os pensamentos das pessoas. Qualquer área moderna cobra muita intelectualidade e conhecimento, não com o objetivo de se continuar fazendo o mesmo, mas para ir de encontro ao desconhecido e às mudanças.

O próprio Jesus Cristo foi considerado um exímio filósofo. Os seus pensamentos eram revolucionários e tendiam a transformação da sociedade. Hoje os seus seguidores adotam os seus dizeres como guia para uma vida de harmonia e paz em direção a uma salvação da alma. São Paulo disse certa vez ao povo de Gálatas: “aquele que pensa ser alguma coisa e não sendo, engana-se a si mesmo”  (Gl. 6,3). Há de convir também que a violência, o pecado, os erros, o desrespeito, dentre outros são atribuições da falta de pensamento. Quem pensa, raciocina e pratica o bem.

No fundo, o filósofo é um desvelador, alguém que afasta o véu daquilo que está a encobrir os nossos olhos e procura mostrar os objetos na sua forma e posição original, agindo como alguém que encontra uma estátua jogada no fundo do mar coberta de musgo e algas, e gradativamente, afastando-as uma a uma, vem a revelar-nos a sua bela forma e esplendor.

A mascote da filosofia é a CORUJA. Não no sentido de agourar o presságio ou atrair a morte. Mas esta ave possui uma inteligência fenomenal e uma característica muito necessária aos seres humanos, a observação. Desta forma ela pega a sua presa sorrateiramente e consegue enganar o seu predador. Pensar é isto! É observar, adquirir conhecimento que é o alimento da alma e afugentar os inimigos que querem devorar como o medo, a ignorância e a alienação.

Todo mundo pode ser considerado filósofo?  Bom, todo mundo tem condições de ser filósofos, mas somente aqueles que pensam, criticam, utilizam-se de sua inteligência, valorizam os pensamentos e raciocinam, se privilegiam da condição de filósofos. Mas é necessário saber ler ou intelectualizar-se para ser filósofo? Claro que não, na própria história da filosofia é possível encontrar personagens analfabetos, doidos, mendigos e humildes, como Diógenes, um grego que morava dentro de um barril, igualzinho ao Chaves.

Uma boa música é uma nítida expressão de filosofia. É claro que nem todas as canções são filosóficas. Apenas aquelas que despertam uma curiosidade, aprimoram o conhecimento, deixa uma dúvida no ar, ensinam e tendem a modificar as concepções esdrúxulas das pessoas alienadas. Neste quesito encontra-se desde MPB como religiosas, sertanejos, rappers, pops, dentre outros. As de duplo sentido não têm nada de filosofia, muito menos as que induzem mais à destruição do seu ouvinte do que o seu crescimento.

Algumas frases de Pára-choque de caminhão são filosóficas, outras nem tantas. O verdadeiro filósofo foge do trivial e não oferece um pensamento pronto, ele deixa por conta do seu discípulo chegar à conclusão. Neste mundo carregado de facilitações, tem gente que foge da filosofia por preguiça ou mesmo por comodidade, nada como ter alguém que faça este serviço de raciocinar. Para este tipo de pessoa repito a frase citada a pouco: O MUNDO PERTENCE AOS QUE PENSAM, OS QUE NÃO PENSAM SÃO MEROS EXPECTADORES.

Para encerrar, vamos nos recorrer ao filósofo grego Sócrates, considerado o pai da Filosofia: “Existe apenas um bem, o saber, e apenas um mal, a ignorância”.

Assim, um salve a todos aqueles que se consideram filósofos e utilizam a sua capacidade de pensamento em prol do seu conhecimento e de toda a humanidade.

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