A VOCAÇÃO DO SACERDÓCIO

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Crônica de Elias Daniel de Oliveira (02/08/2015)

Dentro do mês vocacional, no dia 04 comemora-se o DIA DO PADRE. Embora tenha uma aparência ou referência a PAI, a palavra PADRE é dissidente de PEDRO, o primeiro papa nomeado pelo próprio Jesus Cristo. Por sua vez, PEDRO significa PEDRA. Assim disse o mestre: “Tu és pedra e sobre esta pedra eu construirei a minha igreja”. Os dicionários assim define a palavra: Vocação, missão ou encargo religioso. O site Universo Católico afirma que: “O padre vive como Jesus na comunidade e tem três grandes missões: pregar a Palavra, celebrar os sacramentos e governar o povo de Deus”. O propósito da crônica de hoje é conversar um pouco sobre este guia religioso que passa por inúmeras provações e tem por função principal conduzir o seu povo aos assuntos que direcionam a salvação.

A cidade de Bom Sucesso tem duas paróquias e é bem privilegiada. Sob o comando dos freis mercedários, conta com quatro sacerdotes, mas pelo Brasil há uma insuficiência de padres a tal ponto de lugares bem populosos contarem com missa esporadicamente. Estes locais não são apenas nos lugarejos distantes, mas também em grandes centros. Segundo o site da Editora Paulinas, com o Brasil possuindo uma população de 195.041.000 habitantes, 164.780.000 são católicos, ou seja, 84,48%. Com 10.802 paróquias e 37.827 centros pastorais, as tarefas de apostolado são exercidas por 453 bispos, 20.701 sacerdotes, 2.702 religiosos e 30.528 religiosas; os diáconos permanentes são 2.903. Há 1.985 membros leigos de institutos seculares, 144.910 missionários leigos e 483.104 catequistas. Os seminaristas menores são 2.671 e os maiores 8.956. Esta estatística é do ano de 2011, sofrendo talvez pequenas alterações.

Analisando por este ângulo, tem-se a impressão que nem tudo está ruim. De fato, nos últimos anos aumentou consideravelmente o número de vocações e logicamente o surgimento de novos religiosos dispostos a trabalharem para o Reino de Deus. Em contrapartida, muitas igrejas evangélicas surgiram, bem como uma gama de situações mundanas que predispõem acomodações para as pessoas de forma que elas não mais precisem buscar a igreja para manter a sua religiosidade. Neste instante entra o papel do padre que precisa valorizar os leigos e atrair os fiéis para manter viva a Igreja iniciada por Jesus Cristo.

Analisando a Paróquia de Nossa Senhora do Bom Sucesso, parece que ela não tem problemas, mero engano, acompanhem este cálculo: A cidade tem aproximadamente 20 mil habitantes. Na Igreja Matriz acontecem normalmente quatro missas no final de semana com uma na Capela de São José. Nas periferias há um revezamento de celebrações. Desta forma acontecem em torno de seis a sete missas. Na Igreja matriz cabe cerca de 500 pessoas, o mesmo na Capela de São José. Nas capelinhas da periferia bem menos. Com muito otimismo, diríamos que aproximadamente cinco mil pessoas vão à Igreja. Talvez uns dois mil vão às igrejas evangélicas. Nesta matemática, percebe-se que a grande maioria das pessoas é cristã de fachada e olha que os padres daqui trabalham muito.

De novo no site Universo Católico, um padre normalmente administra os sacramentos, em especial a Eucaristia, que é o alimento espiritual do cristão. Pelo Batismo, introduz o homem no rebanho que forma o povo de Deus; pela Penitência (Confissão dos Pecados), reconcilia o pecador com Deus; pela Unção dos Enfermos, procura levar alívio e consolo aos doentes; pela celebração da missa, oferece sacramentalmente o sacrifício de Cristo; pelo Matrimônio, confere a união dos esposos em um lar cristão; pela Confirmação (Crisma), confirma o Batismo. Mas as pessoas se esquecem de que eles podem até serem representantes de Deus aqui na terra, mas são homens como quaisquer outros. Sofrem, choram, rezam, alegram-se, comem, bebem, precisam de férias e por ai vai. Alguns comentários capciosos a respeito destes seres humanos denigrem bem a imagem deles e os deixam bem deprimidos, doentes ou chateados. Um bom exemplo é o Padre Marcelo Rossi, embora consiga ajudar tanta gente com os seus conselhos, orientações e orações, enfrenta um conflito interno que já lhe proporcionou depressão, desencanto e uma tristeza sem tamanho. Há de se perceber que mesmo sendo tão santo, ele é humano e também precisa das pessoas por quem ele ora.

O próprio Jesus foi muito mal entendido. Sendo ele o sacerdote dos sacerdotes, até hoje é possível encontrar pessoas que o critica por causa da sua condição de humano. Ele viveu numa época em que foi muito difícil convencer as pessoas do seu lado divino. Assim, viveu como um homem com todas as dores e sofrimentos e no meio de tudo isto ele se revelava Deus a partir das suas pregações, milagres e atitudes.

Quando um padre não suporta tanta pressão e deixa se levar pelas coisas do coração, normalmente abandona o seu ministério, mas não as coisas de Deus, veja o que afirmou o Papa Francisco quando foi indagado pelos jornalistas durante um voo de regresso do Oriente Médio sobre este tema: “O celibato não é uma questão de dogma, mas sim uma regra de vida, que eu aprecio muito e creio ser um presente para a Igreja. Mas, uma vez que não se trata de um dogma, a porta da igreja estará sempre aberta”.

Enfim, o sacerdócio é coisa séria. Faz-se necessário rezar constantemente pelos padres para que consigam vencer as dificuldades da vida e guiar com a sabedoria dos anjos o seu povo. Por outro lado, cabe bem a todos acolhê-los com carinho, inclusive entendendo os seus temperamentos e necessidade de chamar a atenção nos momentos que se fizer necessário.

Crônica de Elias Daniel de Oliveira (02/08/2015)

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