A RELAÇÃO POUCO AMISTOSA ENTRE O HOMEM E OS ANIMAIS

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Crônica de Elias Daniel de Oliveira (03/06/2016)

Na história da criação de acordo com o livro de Gênesis, Deus criou tudo o que existe hoje e delegou como ser superior o homem que era considerado a sua imagem e semelhança. Assim, aconteceu o uso de uma autoridade cega e desenfreada do homem em cima de toda a criatura, a tal ponto de não respeitar a fragilidade ou o espaço reservado para cada um. Em se tratando de animais, cada um poderia viver harmonicamente no seu respectivo habitat sem demonstrar algum tipo de ameaça ao outro e por causa desta invasão, ambos têm sofrido as consequências.
Os animais selvagens, como o próprio nome indica, são seres criados para manter o nicho ecológico do seu ambiente natural, não tem porque o homem querer invadir aquele espaço e tentar domesticá-los para fazer valer o seu papel de ser superior. O exibicionismo destes animais é uma afronta à normalidade da natureza e eles respondem com a sua irritação e defesa, vejam alguns exemplos recentes: No dia 22 de maio, em um zoológico dos Estados Unidos, um garoto de quatro anos caiu no poço onde vivia em cativeiro um gorila, imaginando sofrer ameaça, os cuidadores mataram o animal. Muitos pontos são discutíveis neste assunto, como por exemplo, a prisão do animal para ser exibido como se fosse um espetáculo. Há de se considerar que a mãe foi displicente em deixar aquela criança tão nova em um local perigoso e por fim, por que não utilizaram soníferos ao invés de armas de verdade? Outro fato acontecido: no dia 22 de abril, no Tocantins, moradores mataram um jacaré que possuía restos mortais de uma pessoa, provavelmente um médico que estava desaparecido. Mais uma vez a observação: é do conhecimento de todos que este animal tem por natureza alimentar-se de carne, independente de quem quer que seja, então, por que aproximar-se dele? E um último exemplo recente acontecido no último dia 22 de junho, em Manaus. Por ocasião das festividades da Tocha Olímpica, o exército cismou de exibir uma onça pintada como símbolo da região. Sentindo-se ameaçada e assustada, o felino ameaçou pular em um soldado sendo então sacrificado por causa do seu gesto. É possível ver nestas cenas crueldade sem necessidade.
Ainda bem que a Sociedade Protetora dos Animais proibiu o uso de animais selvagens em espetáculos circenses. A adestração deles era sob muita violência, choques, ameaças, jejuns e os mais diversos métodos desumanos. Era possível ver o sofrimento daqueles animais que viajavam de cidade em cidade com os mais variados climas, passando fome, sede, frio e ficando o tempo todo aprisionado em jaulas apertadas e fedidas. O homem parecia que havia perdido a noção das coisas. Não era porque havia recebido o título de ser superior que já tinha garantido todos os créditos para dominar as demais criaturas.
É muito comum ver cobras e outros animais atravessando as nossas estradas e não tem porque o motorista querer matar para garantir a sua segurança. Qual a ameaça aquele animal está oferecendo? Na verdade ele está muito mais assustado do que o homem que carrega em sua mente o desejo de mostrar que é mais forte. O fato de assistir cenas como animais perdidos dentro de cidades, quintais ou vagando por ai, é exatamente porque eles estão se sentindo acuados e percebendo a diminuição do seu espaço natural a tal ponto de fazê-los perder a memória e andar sem rumo. Por incrível que pareça isto acontece até mesmo com os passarinhos que constantemente mandam a cabeça nas nossas janelas ou entram nas nossas casas e voam assustados como se tivessem em um território inimigo.
O homem costuma às vezes ter uma inveja dos índios quando o assunto é intimidade com os animais. Ele demonstra através dos seus desenhos infantis, tentando induzir as crianças a gostarem da natureza, bem como nos comerciais, filmes e novelas. O saudoso Tarzan era um destes personagens que mesmo sendo um homem, vivia como um macaco e possuía muita amizade com todos os outros animais da floresta. O filme “Mogli, o menino lobo” mostra uma realidade de um garoto perdido na floresta e criado por uma loba a tal ponto de muito se parecer com seus amigos da floresta. Toda esta dramaturgia é uma maneira utilizada pelos homens para revelar uma realidade que não existe de fato, mas seria a correta.
Os ambientalistas muito têm trabalhado para poupar a vida destes seres do mato. Hoje, por exemplo, é proibido manter em gaiolas, passarinhos só para ouvir o seu canto. A caça predatória também não é mais permitida e o homem precisou aprender de novo que qualquer ato de desumanidade com os animais poderá acarretar um descontrole natural que afetará a todos. Ainda bem que já listaram os animais em extinção para cobrar cuidados com a espécie.
Benjamin Franklin, já dizia: “O menino que sofre e se indigne diante dos maus tratos infligidos aos animais, será bom e generoso com os homens”. Da mesma forma pensava Arthur Schopenhauer: “A compaixão pelos animais está intimamente ligada a bondade de caráter, e quem é cruel com os animais não pode ser um bom homem”. Bem interessante esta relação, quem cuida bem dos animais, tem moral para cuidar bem de si e dos outros.

Crônica de Elias Daniel de Oliveira (03/06/2016)

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