A QUESTÃO DOS REFUGIADOS DA SIRIA

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Crônica de Elias Daniel de Oliveira (13/09/2015)

O mundo atual está vivendo momentos de tensão quanto a fuga quase em massa dos sírios e de outros povos que não estão suportando a intransigência cultural a que estão sendo submetidos. O pânico e o medo têm levado inúmeras famílias a fugirem pelos mais diversos caminhos na expectativa de encontrarem do outro lado um governo que possa acolhê-los independente da sua situação.

Recentemente o Papa Francisco pediu às paróquias da Europa que cada uma adotasse uma família para servir de exemplo. Na alegação do pontífice, trata-se de uma questão humanitária acolher estes povos que não estão necessariamente fugindo da sua cultura e história, mas da opressão e arbitrariedade de grupos radicais. O pedido do papa foi feito no momento em que o número de refugiados atingiu o nível recorde. Existem mais de 25 mil paróquias somente na Itália e mais de 12 mil na Alemanha, para onde muitos dos sírios tentam escapar. Cada uma das duas paróquias do Vaticano receberá uma família de refugiados para auxiliar na tentativa de solução. Muitas nações europeias estão resistentes em oferecer asilos temendo o aumento de problemas sociais e empobrecimento nas suas cidades.

As famílias que contam com este auxílio estão preocupadas com o futuro, principalmente dos seus filhos. Há um desejo de mudança enorme destes povos. Eles estão deixando pra trás toda uma vida e história para sobreviver em um mundo novo. Até o final de agosto, o número, de acordo com a ONU, chegava a 3 milhões. Um a cada oito sírios foram forçados a atravessar as fronteiras do país. O Brasil possui a maior população de refugiados, abrigando 1.250 até o momento.

Desde março de 2011, a Síria enfrenta uma guerra civil. O presidente Bashar AL-Assad, da minoria étnico-religiosa alauita, enfrenta uma rebelião armada que tenta derrubá-lo do poder. A grande maioria destes refugiados descola ali perto da Síria mesmo. São cerca 6,5 milhões de sírios que deslocam internamente e mais da metade deles são crianças.  As famílias que fogem conseguem chegar a outros lugares em estado de choque, exaustos e assustadas.

Segundo o Observatório Sírio para Direitos Humanos, a guerra já deixou pelo menos 191 mil mortos. Pelos menos 8,6 mil crianças morreram. Os confrontos destruíram a infraestrutura do país e gerou uma crise humanitária regional.

A ONU já foi cobrada sobre a não interferência na situação. Mas, como os Estados Unidos têm contatos políticos com aqueles governantes e interesses diplomáticos, nada tem  feito. Outro fator que complica qualquer interferência externa é a questão cultural. Estes conflitos no Oriente Médio já existem bem antes de Jesus Cristo e por incrível que pareça a eliminação parcial ou total não é tão fácil assim. Uma conferência de paz foi realizada em janeiro de 2013 na Suíça e depois de uma semana de negociações, poucos avanços aconteceram. Uma nova rodada foi iniciada no mês de fevereiro sem conseguir sucesso nas decisões.

O que deixa o mundo chocado é que, por causa de radicalismos religiosos, culturais e políticos, pessoas humildes estão morrendo, inclusive crianças, enquanto os líderes locais vêem tudo isto com normalidade. A criação divina registrada no livro de Gênesis parece ter perdido sentido. No episódio da Arca de Noé, uma frase chama muito a atenção, podendo ser direcionada aos dias atuais: “O Senhor Deus arrependeu-se de ter criado o homem na terra e teve o coração ferido de íntima dor…” (Gn. 6,6).  Ao todo a Guerra civil na Síria matou mais de 210 mil pessoas em quatro anos; um terço da população saiu de suas casas. Será que os defensores destes ideais não colocam na cabeça que estão enfrentando um problemão? Há uma tendência de extinção da nação caso não quebrem este paradigma e mudem os seus conceitos. No interior da Síria, 60% da população, estimada em 23 milhões de habitantes, vivem na pobreza. O fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) informa que 2,4 milhões de crianças não podem ir à escola por causa da insegurança. O FMI (Fundo Monetário Internacional) informou que o Produto Interno Bruto (PIB) caiu mais de 40% e que a fatura da guerra chega a cerca de 31 bilhões de dólares.

O problema é que não adianta mandar dinheiro, roupas, alimentos, água ou qualquer outra coisa pra aquele povo, o que eles estão precisando é uma mudança cultural. O que o resto do mundo pode fazer é pedir a Deus por eles, acolher estes refugiados e esperar a boa vontade dos cabeças-duras em aceitar as mudanças. Pra falar a verdade não vai ser fácil, até mesmo porque eles podem chegar ao fundo do poço e ainda continuarão a acreditar nas suas filosofias.

Vamos encerrar com o que disse uma criança vítima da guerra na Síria “Quando eu morrer, vou contar tudo a Deus”. O menino estava muito ferido quando proferiu essas palavras, vítima dos confrontos no país, e morreu poucos dias depois.

Crônica de Elias Daniel de Oliveira (13/09/2015)

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