A morte dos rios

Já ha muito tempos nos disseram que a água doce do planeta estaria ameaçada. É sabido também que somos extremamente dependentes deste líquido precioso. Revelando previsões ou não, a verdade é que o futuro está chegando rápido demais e tudo aquilo que foi dito já está acontecendo. A morte dos rios será a chave mestra da reflexão desta crônica.

Bom Sucesso é considerado componente do Circuito Turístico Vale Verde e Quedas D’Águas. Vários rios lagoas e cachoeiras banham o município.  O meio ambiente desta região sempre foi privilegiado com inúmeras serras, áreas veres e habitat natural de muitos animais. Há também uma riqueza hídrica surpreendente. Em muitos lugares é possível retirar água do subsolo com uma fundação de um metro ou pouco mais. As chuvas sempre foram fiéis aos seus períodos, mas, de uns tempos pra cá, esta realidade está se modificando.

A Santa Natureza, que sempre protegeu as nossas serras, conseguiu mais uma vez afugentar mineradores exploradores que tentavam tirar daqui riquezas e comprometer este santuário natural. Segundo a história da cidade, esta última foi a quarta a interromper o processo de exploração. A modernidade pode ter ido embora, contudo o ar puro e a beleza natural ficaram.

É uma pena que a mãe natureza não está conseguindo fazer o mesmo com as águas e é com muito pesar que anunciamos a morte dos rios.

Onde está a beleza da Cachoeira dos Machados, Rios Pirapitinga, Grande, Boa Vista, Das Mortes além dos mais diversos córregos?

No passado era comum receber noticias de afogamento no rio da estação. As pessoas brincavam na Prainha, Pedra, Cachoeira do Tuta e quando não sabiam nadar e abusavam, por lá ficavam e era um “Deus nos acuda” encontrar os corpos. Passar por ali hoje é chorar a morte do rio que nos bons tempos era a diversão das tardes de domingos quentes. Hoje se vê submersa a areia que naquela ocasião só era possível ser tocada mediante um bom mergulho.

Como é triste não poder usufruir dos córregos urbanos, estes que antigamente eram poluídos e hoje são tratados e não recebem mais esgotos! Bom seria que o Córrego da Sonda, Iscambui, Por do Sol, Bairro das Indústrias fossem locais de apreciação e diversão!

Que cena triste ver o Rio das Mortes de agonizando! Onde estão os peixes? Onde estão as lendas? O Rio da Boa Vista já se tornou córrego em muitos lugares. Onde foram parar os mandis, lambaris e dourados?

Há quem diga que seja natural deparar com a seca neste período. Dizem ainda que na época das águas tudo volta ao normal. Pode até ser que sim, mas no passado havia abundância de águas inclusive nas secas.

Quem será o culpado? O governo? Os eucaliptos? Os pescadores? As Dragas? O desmatamento? O aquecimento global? A morte das nascentes? A Modernidade? Enquanto o homem não se sentir parte da natureza, poderá vir a extinguir-se.

Na estrada da Ibituruna ainda é possível ver e beber de uma água límpida que desce da serra. Ela é pura e nasce nas pedras escondidas na vegetação. Mais do que um atrativo turístico, aquela beleza mostra o poder divino e a preocupação da natureza com o homem de bem. Aquela água que sai pelo cano revela um grande mistério da vida. Enquanto se bebe daquela fonte natural e olhando para cima a procura de sua origem, é possível ver uma mata sem a intervenção humana exuberante de beleza, muito verde e perfeita. Tomara Deus que o homem tal detone aquele santuário ecológico.

Diante de tudo que já foi dito até aqui, parece que a nossa única preocupação é com a beleza natural, pureza do ar ou talvez o que esta crônica está tentando repassar é saudosismo. Tudo bem que este enfoque chamou a atenção até agora, mas o quesito sobrevivência do ser humano é muito mais forte do que tudo isto. A água doce é tão importante para o homem quanto o alimento. Sabe-se que o homem pode sobreviver algum tempo sem eles, mas sem água, não. Na realidade um individuo precisa, em média, dois litros de água potável para a sua sobrevivência diária.

Parte da água no Brasil já perdeu a característica de recurso natural renovável (principalmente nas áreas densamente povoadas), em razão de processos de urbanização, industrialização e produção agrícola, que são incentivados, mas pouco estruturados em termos de preservação ambiental e da água.

Ao abrir a torneira dentro de casa, não se percebe tudo o que acontece por trás daqueles canos. De inicio a água parece abundante, mas a prefeitura já está preocupada com a situação, caso continue esta precariedade de chuvas.

Para encerrar, vamos nos apoiar no pensamento de Mateus Frassini: Somos que nem a água, só percebe que é importante quando falta…”

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