A lágrima da partida e a satisfação de dever cumprido

Inspirando-se no livro do profeta Isaias (52,7), assim começamos o tema de hoje: “Como são belos sobre as montanhas os pés do mensageiro que anuncia a felicidade, que traz as boas novas e anuncia a libertação”. O nosso objetivo é prestar uma justa homenagem ao Frei Inácio que está se despedindo da Paróquia de Nossa Senhora do Bom Sucesso, mas não dos paroquianos que o guardará eternamente nos seus corações.

Sendo um mensageiro, não poderíamos ser egoístas a tal ponto de querê-lo junto de nós pra sempre. Ele inovou o conceito de sacerdócio em Bom Sucesso. Numa cidade tradicional como esta, de repente um garoto de uma espiritualidade incrível conseguiu mesclar o moderno com o antigo, seu nome: FREI INÁCIO JOSÉ TADEU, um sãojoanense consagrado às coisas de Deus desde criança. A sua história é incrível, com os pais já falecidos, era o grande desejo de sua mãe a sua vocação religiosa. Tudo leva a crer que, ao chegar ao céu, pediu a Deus que enviasse anjos proteger sempre o seu filho e com toda certeza aproximou-se de Nossa Senhora e lhe suplicou máxima proteção para o seu garoto, assim não tinha como ser de outro jeito, este “baixinho porreta” absorveu tantas bênçãos e conseguiu a simpatia de todos aqueles que o admiravam.

As missas e cerimônias em Bom Sucesso passaram por um processo de inovação! Com a igreja e capelas sempre lotadas, muita gente que estava afastada retornou e se tornou fiel a tudo aquilo que Frei Inácio pregava. Com uma capacidade de convencimento sem igual, conseguiu fazer os paroquianos valorizar o dízimo que foi às alturas para o desenvolvimento do trabalho paroquial. Como grande idealizador construiu um prédio para ser alugado em benefício da Paróquia além de proporcionar festas e eventos religiosos invejáveis.

A sua popularidade proporcionou certa vez um ciúme em um cidadão que fez uma queixa dele para o bispo. A sua denuncia era carregada de más interpretações e aquilo que de repente poderia acarretar a sua transferência causou uma comoção generalizada. Os paroquianos ficaram do lado do padre, repudiaram os pensamentos venenosos do denunciante e Frei Inácio utilizou-se de um momento de tristeza para perceber o quanto era amado.

Como são belos os pés do mensageiro! A sua mudança lhe proporcionará um novo desafio. Atuar em uma cidade grande na região metropolitana da capital não terá o mesmo teor que viver no meio de um povo tão hospitaleiro e amável como estes interioranos. Mas, diante de tanta competência, Frei Inácio vai tirar de letra. Trata-se de um presente que Bom Sucesso estará enviando para a Paróquia de Nossa Senhora das Graças em Ibirité que o receberá com muito carinho.

Incrível a sua disposição! Como pároco nunca mediu esforço para dar assistência a nenhuma pastoral ou comunidade, isto além dos inúmeros compromissos com encontros e eventos em outras cidades. Não poderíamos deixar de citar o seu dom para a música! Como alegrou gregos e troianos pelas quermesses, forrós e festas. A sua clientela lhe era fiel onde quer que estivesse.

Sendo um excelente líder, conseguiu conduzir com muita eficiência a Paróquia de Nossa Senhora do Bom Sucesso. Deixava sempre claro que não era um padre sozinho, diante disto reservemos muitos méritos também para os seus companheiros como o Frei Gerson, Frei Wilhiam e Frei Hermida. Esta turminha sempre ralou muito em pro da salvação deste povo.

Na sua carta de despedida, assim desabafou: “Sofro ao dar esta notícia porque aprendi amar o povo de Bom Sucesso. Ser padre nessa cidade é muito bom: rezar com vocês, animar e ser animado pela vossa vida de fé. Ser pároco no entanto, não é tão simples, pelo fato de que gerenciar interesses de grupos e pessoas nem sempre é muito fácil. Pela minha vontade gostaria de permanecer nesta terra, mas esse chamado a uma nova experiência, considero como vontade de Deus para a minha vida, pois vem ao encontro de uma necessidade tanto da Ordem das Mercês, bem como a uma necessidade de maior maturidade e responsabilidade de minha parte, para crescer em meu ministério”.

Sofre também o povo de Bom Sucesso, mas entende. O mensageiro não pode parar. Tomemos alguns momentos interessantes da música Tocando em Frente de Almir Sater que muito ajuda a abrilhantar o nosso tema: Cada um de nós compõe a sua história e cada ser em si carrega o dom de ser capaz e ser feliz (…) Ando devagar porque já tive pressa e levo esse sorriso porque já chorei demais (…) É preciso amor pra poder pulsar, é preciso paz pra poder sorrir, é preciso a chuva para florir (…) Hoje me sinto mais forte mais feliz, quem sabe só levo a certeza de que muito pouco sei ou nada sei”.

Despedir não significa dar adeus, tão somente um até breve! Milton Nascimento assim comenta o assunto em uma de suas canções: “O trem que chega é o mesmo trem da partida. A hora do encontro é também despedida e a plataforma dessa estação é a vida desse meu lugar”.

E encerro esta crônica a partir das palavras de Madre Tereza de Calcutá: Não devemos permitir que alguém saia da nossa presença sem se sentir melhor e mais feliz”. Assim, Frei Inácio, saiba que entre as lágrimas desta partida, fica o sorriso do dever cumprido e a alegria de ter deixado tantas pessoas felizes!

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