A IRREVERÊNCIA DAS FESTAS JUNINAS

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Crônica de Elias Daniel de Oliveira

Estamos no período das Festas Juninas, também conhecida como FESTA DE SÃO JOÃO. Apesar de ter a sua origem com os colonizadores portugueses ela melhor se identificou como a “Típica festança do casamento do Jeca na Roça”.
A essência desta festa se reforça nas suas características que estão sendo apagadas com o tempo. Festa de São João é sinônimo de Fogueira, quadrilha, fogos, bandeirinhas, roupas típicas do roceiro, chapéu de palha, barraquinhas, comidas de festas do meio rural como canjica, quentão, cocada, pipoca, broa de fubá, etc. diversões como Pau de Sebo e muita alegria, confraternização e festança.
Nesta época do ano era comum ver os moradores de uma rua ou um bairro se unirem, acenderem uma fogueira e cada um trazendo uma guloseima propícia e enquanto conversavam alguém aparecia com um violão e todos cantavam músicas conhecidas e a alegria era completa. Os vizinhos parecem que eram mais unidos, se preocupavam mais uns com os outros e a harmonia era visível. Hoje, infelizmente esta cultura foi substituída pelo individualismo familiar manipulado principalmente pela televisão que ocupa todos os olhares não deixando um pedacinho de tempo sequer para que as pessoas possam dialogar.
O saudosismo que caiu no esquecimento é realmente a verdadeira FESTA JUNINA das escolas. Lembro-me com muita precisão toda nostalgia de poder vestir de jeca e rir dos outros jecas e mariazinhas colegas de sala. As quadrilhas pareciam brilhar mais. Aquela timidez era substituída pela emoção de dançar e comemorar a data. É certo que nem sabíamos o que estava sendo comemorado, o importante é que estávamos nos divertindo muito como forma de confraternização de encerramento do primeiro semestre e porta de entrada para as férias de julho.
As músicas “Pára Pedro, Pedro pára…”, “… eu pedi em oração ao querido São João que me desse um matrimônio, São João me respondeu… isto é lá com Santo Antonio”, “Cai, cai balão, aqui na minha mão…”, dentre outras que até mesmo o tempo me fez esquecer, ficaram apagadas e hoje são poucas escolas que realmente resgatam esta riqueza cultural.
Sem querer criticar, mas já criticando, em uma das Festas Juninas que assisti senti uma falta muito grande da verdadeira comemoração de São João. Nas apresentações o que mais chamou a atenção do público foram as danças que nada tem a ver com o tema em questão, o Hip-hop, música indiana, cowtry, pagode, forró moderno, dentre outras, foram muito bem representadas pelos alunos que receberam calorosas palmas, mas foi possível sentir aquele vazio e a saudade do passado. Quase que a única lembrança ficava a cargo das bandeirinhas e algumas poucas roupas típicas que foram usadas por alguns dançarinos mirins em alguma apresentação.
Mas, fazer o quê? Dizem que a vida é assim mesmo. O grande-pequeno Nelson Ned já cantava: “E tudo passa… tudo passará…” e na verdade só a lembrança fica. Não estou querendo polemizar, muito menos detonar algum tipo de cultura. Reconheço que estamos nos tempos modernos e se quisermos sobreviver é melhor nos adaptarmos, mas o bom é que não é proibido sonhar com o passado e relembrar ricos e bons momentos da cultura da época. Talvez fosse interessante enfocar dentro do ponto de vista da história a riqueza das antigas festas juninas para que o passado não fosse apagado de maneira tão grotesca em detrimento de músicas que na verdade tem outro sentido.
A melhor maneira de fechar esta crônica é comentando que pelo fato de os festeiros  juninos vestirem-se de trabalhadores rurais, ou mais precisamente de “Jeca da Roça”, não significava que estavam criticando ou satirizando este nosso irmão do campo. Eu prefiro ver esta cena como uma homenagem à importância destas pessoas sofredoras que sustentam a barriga de quem mora na cidade e nem por isso são tão valorizados, mas possuem muita alegria no coração, religiosidade, harmonia, união e mesmo alguns não tendo algum tipo de estudo são muito mais inteligentes que muita gente gabaritada por ai.

Crônica de Elias Daniel de Oliveira

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